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Angola: Bornito Sousa pondera demissão 14 Agosto 2019

O Vice-presidente da República de Angola, Bornito Sousa pondera, seriamente, apresentar nos próximos dias o seu pedido de demissão do cargo que ocupa desde Setembro de 2017, soube o Correio Angolense de fonte geralmente bem informada. A razão efectiva, pela qual Bornito deverá bater com a porta, é o alegado ostracismo a que se sente votado, embora oficialmente a carta possa evocar razões de saúde.

Angola: Bornito Sousa pondera demissão

Em círculos privados, Bornito de Sousa tem-se manifestado o seu descontentamento perante as tarefas que (não) lhe são delegadas pelo titular do poder executivo que são, no seu entendimento, praticamente iguais a zero.

Conforme o Correio Angolense, o “adjunto” de João Lourenço julga que devia ter um papel mais interventivo. Nas redes sociais, o vice-presidente tornou-se alvo de “chacota” diária em virtude do seu “sedentarismo”.

O vice-presidente da República angolana só não apresentou ainda o pedido porque está a aconselhar-se com alguns “históricos” do MPLA, depois de tê-lo feito já com a família, que lhe prometeu todo o apoio em caso de avançar com a sua pretensão. Bornito de Sousa está igualmente, a avaliar os “estragos” da sua possível demissão no interior do MPLA, partido que sustenta o governo.

“Ele sente-se desaproveitado, sente-se pouco mais que uma figura decorativa. Pensa que podia ter uma intervenção maior e mais contínua, o que não tem acontecido. Por isso, pode apresentar proximamente o seu pedido de demissão, querendo fazê-lo sem provocar uma crise política no partido que, para ele, está acima de tudo e de todos”, disse a fonte ao Correio Angolense.

De acordo com a Constituição da República de Angola, o Vice-presidente é “um órgão auxiliar do PR no exercício da função executiva” (Artigo 131.º, 1), além de ser a entidade que “substitui o Chefe do Estado nas suas ausências para o exterior do País, quando impossibilitado de exercer as suas funções, e nas situações de impedimento temporário, cabendo-lhe neste caso assumir a gestão corrente da função executiva”. Ademais, o Artigo 120.º, referente à Competência do PR como titular do Poder Executivo confere-lhe competência para “dirigir e orientar a acção do Vice-presidente, dos Ministros de Estado e Ministros e dos Governadores de Província”.

A dissonância entre Bornito de Sousa e João Lourenço vem de trás. O primeiro e mais significado sinal dessa dissonância foi dado pelo próprio Bornito na célebre mensagem de cumprimentos de fim de ano, no dia 29 de Dezembro de 2017. Nessa mensagem, Bornito deixou claro que não foi capaz de disfarçar o lado para o qual pende: o do eduardismo.

Na mesma mensagem, Bornito de Sousa sugeria que toda a acção do novo Presidente da República devia estribar-se exclusivamente na “Estratégia do Líder e no Programa do Governo do MPLA.”. O líder a que Bornito de Sousa se referia era José Eduardo dos Santos, nesse altura um homem já contestado no interior do seu próprio partido e nas ruas.

Observadores políticos consultados pelo Correio Angolense sugerem que o Presidente João Lourenço tomaria com alívio a eventual resignação do seu vice. “Afinal, eles não estão fadados a caminhar lado a lado. O Bornito continua agarrado à velha ordem, aquela que destruiu o país. Ele é um dos mais fortes símbolos do eduardismo”, anunciam.

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