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Angola: Crianças pedintes "invadem" ruas da cidade do Lubango 19 Maio 2021

O aumento de crianças e adolescentes pedintes na cidade do Lubango, na província angolana da Huíla, está a preocupar alguns círculos da sociedade local. Fome e exploração por parte de adultos apontadas como causas do fenómeno.

Angola: Crianças pedintes

Entre as crianças pedintes, destacam-se as da tribo mwila, em regra, provenientes dos municípios da Chibia, Humpata e Gambos, segundo o Jornal Voice Of America (VOA).

O advogado José Manuel não tem dúvidas em relacionar este fenómeno à fome que grassa a região. “Na minha humilde perspetiva, quando se trata de fome, devemos tentar no máximo nos despir de qualquer abordagem científica e extremamente legalista sob pena de cometermos alguns erros”, sublinha, citado pela VOA.

Já o administrador municipal dos Gambos, Elias Sova, admite que a debandada de crianças está associada à fome e teme pelo agravamento da situação nos próximos meses. “Vamos imaginar quando chegarmos a Julho, Agosto, Setembro, o que será? Temos que estar preparados para situações mais complicadas. A nossa posição é que, a população não saia, há que se encontrar programas que possam reter as nossas populações nas suas localidades”, defende Sova, conforme escreve a nossa fonte.

Para o porta-voz da Polícia Nacional na Huíla, muitas das crianças da tribo mwila, que estavam nas ruas a estender as mãos, para além da exposição a diferentes riscos, faziam-no na condição de exploradas, o que já permitiu a detenção de pessoas suspeitas.

“Da operação que a Polícia Nacional fez nalguns bairros da cidade do Lubango encontramos muitas crianças, mais de 300, em condições desumanas, a se alimentarem mal e efetivamente procedemos à detenção dos suspeitos implicados diretamente nesta ação", revela José Chimuco, citado pelo VOA.

Por seu lado, o pastor Anderson, responsável do Centro Criança Feliz, que no Lubango e noutras zonas de Angola acolhe menores vulneráveis, desencoraja a sociedade a alimentar estas crianças na rua. “Se quer ajudar, pega essa criança e encaminhe-a para aqui ou transfira; se você quer ajudar procure as organizações vocacionadas para esse efeito e aí sim você pode fazer a sua doação”, apela aquele líder religioso, conforme a fonte que vimos citando.

De referir que o sul de Angola, há muito vem sofrendo uma “forte estiagem”, regista este ano a sua pior seca nos últimos 30 anos e, recentemente, várias organizações da sociedade civil pediram ao Governo central que declare estado de emergência na região para permitir a chegada de ajuda internacional, diz o VOA, que tem relatado várias mortes em Angola devido à fome.

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