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Angola: Deputado considera "caduca" a estratégia de luta armada da FLEC 18 Abril 2019

Xavier Lubota, ex-dirigente da CASA-CE em Cabinda, afirma que nunca confirmou a existência dos ataques entre as FAA e os guerrilheiros independentistas.

Angola: Deputado considera

Deputado angolano pelo ciclo provincial de Cabinda considera ultrapassada a estratégia de luta da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), e aconselha a mesma organização a adaptar-se à nova realidade política.

Xavier Lubota, um dos deputados dissidentes da CASA-CE, fez estas declarações ao reagir à DW África, o "comunicado de guerra” da FLEC que tem reivindicado a morte de soldados das Forças Armadas Angolanas (FAA).

Continua o "disse que disse” entre as autoridades angolanas e a FLEC, grupo rebelde que reivindica a independência da província de Cabinda nas matas do enclave e na Europa onde estão os seus dirigentes.

Os independentistas alegam que na última sexta-feira, 12 de abril, abateram três efetivos das FAA durante uma emboscada realizada na região de Necuto, município de Buco-Zau.

Em entrevista à Lusa, o ministro angolano da Defesa, Salviano Sequeira, desmentiu a informação e assegurou que a situação no enclave de Cabinda é "tranquila".

Onde está a verdade?

Para muitos obseravdores, a informação sobre a "guerra em Cabinda” deixa qualquer pessoa confusa em Angola. O Governo diz uma coisa e a FLEC diz outra. Entretanto, não se sabe de que lado está a verdade.

Contactado pela DW África, o deputado Xavier Lubota, ex-secretário executivo da CASA-CE em Cabinda, disse nunca teve provas da existência dos ataques na província.

"Quando exercia as funções de secretário-executivo da CASA-CE em Cabinda, os secretários municipais que eu tinha naquelas zonas, nunca me confirmaram a existência desses ataques. Não estou querer dizer que estas informações são falsas. Até nós os políticos também temos dificuldades de entender e verificar essas informações”, disse o parlamentar que abandonou a coligação CASA-CE, depois da destituição de Abel Chivukuvuku da presidência.

Guerrilha com armas pré-fabricadas

Falando à DW África a partir das matas do enclave, o "general” das Forças Armadas de Cabinda (FAC), Luís José Diase, afirmou que os alegados ataques são uma realidade.

O veterano guerrilheiro acusa, por outro lado, as FAA de matarem pessoas inocentes em represália aos atos dos rebeldes. O "massacre” ocorreu no Buco-Zau, aldeia de Ntango-Madiaba, na noite de domingo, 14 de abril.

Questionado sobre as condições logísticas para a continuidade da guerrilha, o general revelou que FLEC/FAC continua a usar armas pré-fabricadas.

José Luís Diase reitera que a luta contra as autoridades angolanas vai continuar e espera o apoio do povo de Cabinda. "Se o povo decidir, vamos pegar nas catanas, canhangulo, armas pré-fabricadas, e nos machados para lutarmos contra os angolanos. Porque Cabinda não é Angola, e o cabindês não é angolano. Não dependemos de ajuda porque o mundo abandonou o povo de Cabinda", revelou o guerrilheiro.

Para o deputado Xavier Lubota, a guerra não é o caminho ideal para a solução de Cabinda, região angolana rica em petróleo.

O parlamentar entende que cada ano que passa, devemos marcar um passo para a solução de Cabinda.

Lubota quer que a organização liderada agora pelo Emmanuel Nzita mude de tática de luta, lembrando que "os nossos pais lutaram e não conseguiram sentir nenhum cheiro para a solução de Cabinda. Se continuarmos assim, também corremos o risco de não ver nada. A estratégia de luta tem que mudar".

O parlamentar angolano explica a razão que levou muitas vozes contestatárias de Cabinda a abraçar os projetos políticos dos principais partidos em Angola.

"Por isso é que entrámos nesses partidos que podemos dizer angolanos. Hoje as grandes figuras emblemáticas de Cabinda, como o padre Congo que está no governo provincial, e o padre Raúl Taty, que é meu colega deputado, estão aí porque as estratégias ficaram ultrapassadas”, afirmou Xavier Lubota,.

Essas personalidades segundo as palavras do deputado, "não estão aí por traição. Estão aí para ver se podemos conseguir uma solução num outro sentido, mas as pessoas interpretam mal. Não devíamos ser atacados porque ninguém consegue saber qual é a verdadeira estratégia da FLEC. O certo é que, hoje, a guerra como estratégia política de conseguir uma razão para o caso de Cabinda não deve ser armada”, defendeu.

Retaliação contra os populares

Por seu turno, o presidente da Associação para o Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos em Cabinda (ADCDH), Alexandre Kuanga, afirma que ouviu de alguns populares que um militar das Forças Armadas Angolanas foi morto a tiro junto de um rio. O ativista que critica as reações "precipitadas" de Luanda, denuncia que militares do governo reprimem os populares no interior de Cabinda sempre que há relatos de ataques da FLEC.

Agora, explica o Alexandre Kuanga, em função do comunicado da FLEC, o exército angolano está de plantão na Floresta do Maiombe e noutras regiões da província. "Quando estes ataques acontecem, os militares das FAA reprimem os populares.

Ninguém vai à lavra, porque os militares entendem que o pessoal da aldeia frequenta a lavra para conversar com os seus irmãos da FLEC. No entanto, tem havido interdição das pessoas, mesmo daquelas que vivem nas aldeias, principalmente nesse momento". C/DW África

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