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Angola: Isabel dos Santos acusa presidente angolano de "conspiração" 30 Mar�o 2021

A empresária Isabel dos Santos acusou hoje o Presidente angolano, João Lourenço, de tentar "usurpar" ilegalmente os seus bens e apresentou no Tribunal de Londres provas que revelam "uma conspiração" no âmbito do processo que envolve a Unitel.

Angola: Isabel dos Santos acusa presidente angolano de

A empresa de telecomunicações Unitel, fundada pela empresária e filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, avançou no ano passado com um processo judicial em Londres contra a Unitel International Holdings (UIH), detida por Isabel dos Santos, para recuperar uma dívida de mais de 350 milhões de euros.

A queixa datada de 26 de Outubro, consultada pela agência Lusa, reivindica o reembolso de sete empréstimos atribuídos entre Maio de 2012 e Agosto de 2013 da Unitel à UIH que, salienta, "apesar do seu nome, não tem ligação empresarial nem afiliação à Unitel", conforme escreve a Agência Lusa. Já a Unitel alega que a UIH deve 325.305.539 euros e 43.937.301 dólares (cerca de 37 milhões de euros), acrescido de juros de mora.

Num comunicado enviado à Lusa, Isabel dos Santos diz agora ter apresentado novas provas ao Tribunal Superior de Londres que demonstram que os ataques do Estado angolano "foram impulsionados não só por motivos políticos e financeiros, mas também como forma de distrair a opinião pública da corrupção e do suborno que assola o governo de João Lourenço, incluindo altos funcionários e a petrolífera estatal Sonangol".

Isabel dos Santos afirma ainda que "as revelações" mostram que a investigação jornalística que ficou conhecida como "Luanda Leaks" e expôs alegados esquemas financeiros da empresária que lesaram o erário público angolano em milhões de dólares, foi "um ataque direcionado dos serviços secretos angolanos" que atuaram sob ordens de João Lourenço.

Ainda, segundo a Lusa, a empresária sublinha que os materiais foram obtidos ilegalmente e usados no âmbito de uma "estratégia de apropriação de ativos concebida pela administração de João Lourenço para acusar, difamar e isolar ilegalmente Isabel dos Santos, permitindo assim ao Estado angolano, confiscar ilegitimamente os seus bens".

Quanto ao caso que envolve a Unitel, que passou a ser controlada pela petrolífera estatal angolana Sonangol em janeiro de 2020, Isabel dos Santos alega que a UIH não podia reembolsar os empréstimos devido ao congelamento das suas contas e ativos e que apresentou agora ao tribunal provas sobre a "conspiração", noticia a Lusa

O comunicado refere que as provas foram obtidas pela empresa de inteligência privada Black Cube e são compostas por "dezenas de horas de gravações áudio e vídeo" em que antigos altos funcionários e conselheiros do Governo angolano fazem revelações sobre uma alegada conspiração do executivo para apreender os bens de Isabel dos Santos.

A empresária argumenta que João Lourenço usou "um vasto leque de recursos do Estado, incluindo o sistema judicial e os serviços de inteligência angolanos" para apreender os ses bens e que o Governo angolano instruiu o sistema judicial (incluindo o Supremo Tribunal angolano e a Procuradora-Geral da República) para que fosse instaurado um processo judicial contra a filha do antigo presidente, o que permitiu a aplicação de uma ordem de congelamento dos seus bens pelo Estado angolano.

"O Governo angolano também ordenou à Mercury (através da sua empresa-mãe, a petrolífera estatal angolana Sonangol) que agisse em conluio com a PT Ventures (através da sua empresa-mãe, a brasileira Oi, a parte oposta), no processo de arbitragem da ICC Unitel, com o objetivo de garantir um resultado favorável à PT Ventures", acrescenta ainda o comunicado, citado pela Lusa.

De acordo com Isabel dos Santos, o suposto conluio permitiu à Sonangol comprar as ações da Unitel detidas pela subsidiária da Oi à PT Ventures e assumir assim 50% da Unitel, bem como adquirir os seus direitos de arbitragem por executar, que a petrolífera "optou por aplicar seletivamente apenas contra a Vidatel" - acionista da Unitel detida pela empresária angolana - apesar de todas as outras partes (Geni e Dauca subsidiária Mercury), serem conjuntamente responsáveis", escreve a nossa fonte.

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