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Angola: João Lourenço na Rússia com indústria bélica na agenda 02 Abril 2019

Agenda da visita oficial de quatro dias de João Lourenço à Rússia gera críticas em Luanda. Alguns setores da sociedade angolana estão contra a instalação da indústria bélica no país.

Angola: João Lourenço na Rússia com indústria bélica na agenda

O Presidente de Angola, João Lourenço, iniciou esta segunda-feira (01.04) uma visita oficial de quatro dias à Rússia, para negociar a instalação de uma fábrica de armas em Angola e condecorar o seu homólogo russo, Vladimir Putin, com a Ordem Agostinho Neto, a mais alta distinção do Estado angolano.

Em Luanda, a condecoração e o futuro da indústria bélica está a gerar críticas por parte da sociedade civil angolana. O especialista em questões internacionais Augusto Báfuabáfua não tem dúvidas: a visita do Presidente angolano à Federação Russa é "estratégica", refere a DW.

"João Lourenço começa a sua visita para um país estratégico que é a Rússia, um país que, para além de ser um dos mais fortes aliados em matéria de segurança, de provimento de material bélico para as nossas forças, mas também é um país que tem emprestado o seu saber nas áreas económicas como a industria extractiva", considera Báfuabáfua.

Mas é a área bélica que, prossegue a mesma fonte, está a dar que falar em Angola. Alguns cidadãos dizem não ver necessidade de se instalar uma indústria de armas no país.

O politólogo João Lucombo concorda e receia que muitas destas armas poderão parar nas mãos de criminosos. "A instalação de uma fábrica de armas por mais que gere emprego, acho que não seria prioridade absoluta porque nós temos uma sociedade com índice de criminalidade muito elevada e com uma instalação de fábrica a tendência é de vermos mais armas nas ruas e isso não é prioridade para Angola", sustenta.

“Indústria bélica não é prioridade para Angola”

Também para Augusto Báfuabáfua uma empresa bélica não é prioridade, apesar de reconhecer que há necessidade de Angola se proteger contra fenómenos mundiais como o terrorismo. Augusto não vê com os melhores olhos uma indústria de armas em Angola e afirma que há questões que não se podem descurar: "Há grupos terroristas por aí."

Segundo ainda a DW, uma outra questão que está a ser criticada é a condecoração do Presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, na próxima quinta-feira (04.04), em pleno dia de comemoração de paz e reconciliação em Angola.

Mas Augusto Báfuabáfua vê a distinção com normalidade: "Todos estes factos é que fazem com que a relação com a Russia sejam acima do normal e é natural que por causa desta história, desta riqueza, deste acervo é que João Lourenço condecora Vladimir Putin com Ordem de Mérito Agostinho Neto. Vladimir Putin é actualmente considerado por várias revistas, incluindo a "Times", que é o cidadão do ano, é o político do ano é uma das pessoas mais poderosas que há neste mundo."

O primeiro a ser condecorado com a Ordem de Mérito Agostinho Neto foi o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, que em março efetuou uma visita de quatro dias a Angola.

Lourenço e Putin devem assinar acordos em várias áreas

A delegação angolana ficará em terras russas por quatro dias e deverão assinados vários acordos de cooperação nos domínios das pescas, agricultura, tecnologia de informação, bem como um pedido de pacote financeiro à Rússia.

Em Moscovo, o Presidente angolano discursará no Parlamento russo e também será realizado um fórum empresarial entre os dois países. As relações entre ambos os Estados remontam a 1976, um ano após a proclamação da independência de Angola.

A Rússia foi a fabricante do primeiro satélite angolano lançado, no Cazaquistão, a 26 de dezembro de 2017 – evento muito festejado em Luanda. O Angosat 1 custou aos cofres do Estado perto de 270 milhões de euros e desapareceu dias depois.

Em abril de 2018, o governo russo anunciou a construção do Angossat 2, com previsão de lançamento para 2020.

O politólogo João Lucombo entende que o governo russo deve aproveitar a visita do chefe de Estado angolano para prestar explicações sobre o satélite. "O Presidente João Lourenço, na qualidade de representante do povo angolano, tem essa obrigatoriedade de procurar saber diante das autoridades russas e sobretudo do seu alto mandatário, o Presidente Putin, como está esse processo, defende.", conclui a DW.

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