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Angola: Lucro do petróleo não chega à província do Zaire 10 Setembro 2021

Segundo dados do Ministério das Finanças, 80% das receitas de Angola provêm do setor petrolífero. A província do Zaire representa 80% do mesmo setor, mas a percentagem de lucros de retorno é zero. A província do Zaire, a norte de Angola, é considerada um bastião da economia angolana.

Angola: Lucro do petróleo não chega à província do Zaire

Conforme noticia a "Deutsche Welle" África (DW), a maior parte das receitas petrolíferas vêm desta província, que tem também, o maior mercado fronteiriço do país. Mas os cidadãos no Zaire dizem que pouco ou nada se faz, em contrapartida, para o desenvolvimento da província.

O académico Ernesto António chama a atenção para o quanto a província do Zaire contribui para a economia angolana. "Atualmente, o Zaire é o baluarte no abastecimento do orçamento geral do Estado. É desta província que flui grande parte do petróleo que mantém a chama da economia angolana acesa", garantiu, citado pela DW África, acrescentando que, conforme dados do Ministério das Finanças, 80% das receitas de Angola provêm do setor petrolífero e dessa "fatia, 80% provêm do Zaire.

A DW África falou com alguns cidadãos que afirmam não sentir os benefícios de viverem na província que mais contribui para os cofres do Estado. Para o funcionário público Álvaro Eduardo falta de tudo um pouco.

O morador de Mbanza Kongo sente-se abandonado pelo Governo central. "Que mal é que te fizemos, Executivo angolano? O Zaire neste momento é igual a zero. Centralidades, nenhuma, por cá. Hospital sem dignidade, estruturas de ensino superior feitas de papel. Quando é que seremos colocados na agenda das prioridades desse Executivo que, quinquénio após quinquénio, nos enche de promessas?", manifesta, conforme escreve a DW África, relembrando que aquando da elevação da cidade de Mbanza Kongo à categoria de património pela UNESCO, em 2017, os governantes garantiram que estavam empenhados em dar mais dignidade à província.

"Prometeram construir um novo aeroporto internacional, um novo polo universitário e uma centralidade, mas, até ao momento, nenhuma das promessas foi concretizada. Acresce que faltam empregos. O mercado de emprego é escasso. Hoje estamos a falar de uma taxa de desemprego ao nível da província de cerca de 75%", revela o estudante universitário, Garcia Tovola, citado pela DW.

Sabe-se ainda que a 17 de Setembro, data em que Angola celebra o "Dia do Herói Nacional, Agostinho Neto", a juventude do Zaire vai para as ruas exigir melhores condições de vida. Os jovens pedem ainda que o Zaire tenha um estatuto especial, a exemplo da província de Cabinda, que beneficia de 10% das receitas do petróleo explorado na região.

O economista Nsimba Rosada diz à DW que a região não recebe dividendos da exploração dos recursos naturais na província desde sempre. "Essa província não beneficia dessas riquezas. Esse problema já vem desde o tempo colonial e até aqui não se solucionou. Desde que terminou a guerra [civil], em 2002, toda a zona sul já foi reconstruída, mas a parte norte: nada, principalmente na província do Zaire", aponta.

Para Rosada, chegou o momento das autoridades de Luanda se debruçarem sobre as necessidades da população do Zaire e estudarem a possibilidade de uma contrapartida à contribuição da região para os cofres públicos angolanos. "O Governo tem de ver o que vai fazer, ver do que a população precisa. É com investimentos públicos que o Governo consegue satisfazer as necessidades da população," disse Rosada à DW África. Contactadas pela DW, as autoridades provinciais recusaram-se a falar. Entretanto, promete divulgar informações, caso reagirem, posteriormente.

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