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Angola: Mais de 560 mil pessoas em crise alimentar ou de emergência 06 Maio 2021

Entre Outubro de 2019 e Fevereiro de 2020, Angola registou, cerca de 562 mil pessoas que se encontravam em situação de crise ou pior, e mais de metade dessas, 290 mil pessoas, estavam já em fase de emergência, segundo noticia a Agência Lusa.

Angola: Mais de 560 mil pessoas em crise alimentar ou de emergência

Estas informações estão contidas no relatório que foi apresentado esta quarta-feira, 05, na Organização das Nações Unidas (ONU), cujo estudo foi realizado pela Rede Global Contra as Crises Alimentares (GNAFC, na sigla em inglês), uma aliança da ONU com a União Europeia e agências governamentais e não governamentais, conforme a Agencia Lusa.

A emergência alimentar ou fase 4, na classificação universal da insegurança alimentar, é a segunda mais elevada da escala, sendo que a fase 5 representa situações de catástrofe.

"Múltiplas formas de desnutrição continuam a ameaçar o bem-estar das crianças angolanas", avisa o relatório, demonstrando prevalência "muito alta" de deficiências de crescimento das crianças, com 1,9 milhões delas com menos de 05 anos nessa condição. As deficiências de micronutrientes são prevalecentes, com 65% das crianças sofrendo de anemia", acrescenta ainda o documento da GNAFC, de acordo com a Lusa.

Ainda, conforme a nossa fonte, a Rede Global Contra as Crises Alimentares conclui que a fome em Angola foi, em grande parte, causada pela seca e que "as populações locais enfrentaram perda de bens, deslocamentos e meios de subsistência significativamente prejudicados".

"As altas concentrações de pessoas com insegurança alimentar aguda nas províncias do sul refletem os efeitos da redução de colheitas devido à seca em 2019 e os altos preços dos alimentos básicos", lê-se no estudo, citado pela Agência Lusa, acrescentando que os autores do estudo distinguem Cahama, Cuangar, Cunhama, Gambos (ex-Chiange), Ombadja e Quilengues como municípios de emergência alimentar. "A análise foi feita em 2019, ainda antes da pandemia de covid-19, pelo que os dados não refletem o impacto da pandemia", diz a fonte.

Ainda sem estimativas concretas para o ano de 2021, o relatório alerta que "riscos significativos permanecem para as populações com insegurança alimentar após a pior seca em 30 anos" e que as importações de alguns cereais poderão ser mais elevadas do que a média para satisfazer as necessidades de consumo nacionais.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), citado pela Lusa, a inflação de preços será elevada (com estimativa de uma inflação acima dos 20% para este ano), "em parte por causa de moeda fraca" e maior pressão será exercida nos preços de alimentos por causa de "produção agrícola pobre".

"De fevereiro de 2020 a 2021, a moeda nacional perdeu cerca de 30% de seu valor em relação ao dólar americano", acrescenta ainda o relatório, com dados do FMI, prevendo-se ainda "riscos significativos" de infestação de gafanhotos migratórios africanos na produção agrícola e pecuária.

Segundo a fonte que vimos citando, o relatório aponta que os cerca de 56 mil refugiados ou requerentes de asilo, maioritariamente da República Democrática do Congo, estão em níveis piores de insegurança alimentar. "Em Maio de 2020, 41% dos refugiados consumiam quantidades inadequadas de comida", lê-se.

"Angola tem feito progressos económicos e políticos substanciais desde o fim da guerra em 2002, mas grandes partes da população ainda vivem na pobreza e sem acesso adequado a serviços básicos", descreve o relatório, citando a Universidade de Oxford.

Recorde-se que Angola fez parte de um conjunto de 55 países estudados, "escolhidos por consenso" entre 16 parceiros do estudo, por serem países "tradicionais" em estudos de crises, onde já existiam problemas e já estavam instalados sistemas de dados, explicou Arif Husain, economista do Programa Alimentar Mundial, conforme escreve a nossa fonte.

De salientar que, segundo estudos, a região do mundo mais afetada pela escassez de alimentos é a África, onde vivem 97,9 milhões de pessoas nesta situação.

"Entre todos os afetados pela crise, 133.000 pessoas no mundo podem ser consideradas em situação de catástrofe alimentar ou fome, principalmente no Sudão do Sul (105.000), Iémen (16.500) e Burkina Faso (11.400)", cita a Lusa.

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