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Angola: Ministro da Justiça admite «execuções e detenções sumárias» em 1977 19 Novembro 2018

O Governo angolano admitiu «excessos», com «execuções e detenções sumárias em 1977», por ocasião da alegada tentativa de golpe de Estado, prometendo introduzir o tema dos direitos humanos nos programas escolares para prevenir novos casos no futuro.

Angola: Ministro da Justiça admite «execuções e detenções sumárias» em 1977

O reconhecimento partiu do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Francisco Queiroz, que, em declarações à Rádio Nacional de Angola citada pela Lusa, admitiu ter havido, da parte do Governo das altura, uma «reação excessiva aos acontecimentos que se seguiram à tentativa de golpe de Estado», levada a cabo pelos que ficaram conhecidos por fracionistas do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

«Muitos desses atos ocorridos na altura atentaram contra os Direitos Humanos. Houve execuções e prisões arbitrárias. Tudo isso está um pouco esquecido, mas queremos e fazemos questão de lembrar para que não volte a acontecer», afirmou.

A 27 de maio de 1977, uma alegada tentativa de golpe de Estado, numa operação aparentemente liderada por Nito Alves - ministro do Interior desde a independência (11 de novembro de 1975) até outubro de 1976 -, foi violentamente reprimida pelo regime do então líder angolano, Agostinho Neto.

Seis dias antes, a 21 de maio, o MPLA expulsara Nito Alves do partido, o que levou o antigo ministro, com vários apoiantes, a invadirem a prisão de Luanda para libertar outros seus simpatizantes, assumindo, paralelamente, o controlo da estação da rádio nacional, na capital, ficando conhecidos como "fracionistas".

As tropas leais a Agostinho Neto, apoiadas por militares cubanos, acabaram, prossegue a Lusa, por restabelecer a ordem e prenderam os revoltosos, seguindo-se, depois, o que ficou conhecido como purga, com a eliminação das facões, tendo sido mortas cerca de 30 mil pessoas, na maior parte, sem qualquer ligação a Nito Alves, tal como afirma a Amnistia Internacional (AI) em vários relatórios sobre o assunto.

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