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Angola: Morreu aos 27 anos filho de Savimbi — Enterrado em dia de lançamento de memórias 14 Janeiro 2020

Vítima de atropelamento em Luanda, Loth Paulino Savimbi, filho do líder fundador da UNITA, foi foi dado à terra no domingo, 12, no cemitério da família em Lopitanga, Bié. O mesmo onde há seis meses ocorreu a reinumação de Jonas Savimbi, que morreu em combate contra o MPLA em 2002.

Angola: Morreu aos 27 anos filho de Savimbi — Enterrado em dia de lançamento de memórias

Segundo o secretário-geral da UNITA, maior partido na oposição em Angola, Álvaro Chicuamanga Daniel, em declarações à agência noticiosa angolana, Loth, de 27 anos, foi atropelado por uma motorizada, quando ia comprar uma passagem de autocarro na rodoviária da "zona do Golf II, na avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, município do Kilamba Kiaxi, em Luanda".

Fonte do comando da polícia, em Luanda, informou que, apesar de ter sido "prontamente" socorrido pela polícia e levado para o hospital, Loth acabou por sucumbir aos ferimentos.

O porta-voz da polícia em Luanda, Hermenegildo de Brito, informou à lusa que o motociclista conduzia em "excesso de velocidade" e "pôs-se em fuga". Entretanto, decorriam ainda diligências para capturar o infrator.

"Na Jamba ninguém defendia ninguém" - Bela Malaquias, autora de Heroínas da Dignidade I - Memórias de Guerra.

Bela Malaquias, jornalista e advogada, antiga militante da UNITA, lançou na sexta-feira, 10, em Luanda, o livro Heroínas da Dignidade I - Memórias de Guerra​,
sobre as suas experiências na Jamba.

Afastada da UNITA e das lides políticas, Bela Malaquias explicou que o livro é uma "narrativa de episódios vivenciados" durante o tempo em que esteve nas matas da Jamba.

Ao ser questionada durante o programa Angola Fala Só, da VOA, sobre a veracidade dos relatos, a autora disse não ter que provar nada: "Quem não esteve lá, comigo, pode dizer o que lhe apetecer".

Sobre a possibilidade de escrever um outro livro sobre o percurso de José Eduardo dos Santos, como sugeriu ao telefone o ouvinte Celestino Mayamba, Bela Malaquias diz que o livro é o testemunho da sua vida, "o que vi, vivi". Por isso, refuta a ideia de escrever sobre José Eduardos dos Santos, pois "aqueles que viveram com José Eduardo dos Santos têm a responsabilidade de fazer esses relatos".

Durante a conversa com ouvintes e internautas, Bela Malaquias disse várias vezes que o livro Heroínas da Dignidade I - Memórias de Guerra​ não é uma obra histórica, mas um livro de memórias cuja elaboração foi decidida no dia da "queima das bruxas" (ver entretítulo abaixo).

Entre críticas sobre as motivações da publicação de "Heroínas da Dignidade I - Memórias de Guerra", Bela Malaquias foi questionada por um internauta se está entre as "mulheres violadas por Jonas Savimbi".

A sua resposta: "Felizmente não cheguei a ser, daí as agruras que passei". Ela voltou a dizer que o impacto da UNITA na sua família foi bastante pernicioso e descreveu Jonas Savimbi como "tirano" e "psicopata". E quando questionada se o seu marido, Eugénio Manuvacola, não a protegia dos avanços de Savimbi, Malaquias respondeu sem hesitações: "Na Jamba ninguém defendia ninguém".

Queima das bruxas foi "ajuste de contas"

"Eu decidi escrever um livro no momento em que assisti à queima das bruxas", disse Malaquias, que descreveu esse evento de 7 de setembro na Jamba com detalhes e nomes.

"A Jamba era o quartel-general. Nesse dia chamaram as pessoas para a parada e antes dessa chamada Savimbi e a sua direção, os seus colegas, tiveram uma reunião prévia, para definirem ou para ele anunciar o que haveria na parada..."

Bela Malaquias descreveu que "como de costume, as mulheres cantavam e dançavam", na recepção a Jonas Savimbi.
"Quando Savimbi chega à parada começa a chamar as pessoas para o centro da parada (...) as pessoas que iam ser queimadas recolheram a lenha (...) atearam o fogo", em que elas iam ser queimadas. Entre as vítimas, cita: "Judite Bonga, Vitória Chipati e o seu bebé, Clara Miguel (conseguiu desfazer-se do seu bebé), Maria Piedade, João Caetangui, esposa e a filha".

A queima das bruxas foi "um acto de intimidação, um ajuste de contas, porque "Savimbi tinha atividade sexualmente promíscua. Esta foi uma lição às mulheres que não se vergaram".

Morte de Tito Chingunji

Em 1991, Tito Chingunji, que na década de 1980 tinha sido o representante da UNITA em Washington DC, foi assassinado por ordem do então líder do seu partido.

Bela Malaquias diz que a morte de Chingunji foi resultado de "uma perseguição à família", com o objectivo de "dizimar a família toda" e continua explicando que Savimbi começou por matar o pai e a mãe de Tito Chingunji e depois os filhos.

A jornalista que iniciou carreira na Vorgan, menciona que Jonas Savimbi costumava dizer: "Quando se mata uma pessoa tem que se matar toda a família para não haver risco de vingança".

"Perdão não é esponja" que se passa sobre o passado

Bela Malaquias descreve a sua chegada às matas como algo "muito estranho".
A autora de "Heroínas da Dignidade I - Memórias de Guerra", livro que na sua opinião pode "sarar feridas", acredita na reconciliação através da verdade e que tem que haver uma justiça de transição. Para ela, a reconciliação "faz-se assente no perdão, mas o perdão não significa passar uma esponja no passado".

Mas e perdoar Jonas Savimbi?

"Jonas Savimbi eu não perdoo e não perdoarei", respondeu peremptória.

Fontes: Referidas. Fotos: Filhos de Savimbi, que segundo fontes deixou 30 filhos. Em baixo, foto (inserida) de Loth entre o pai e a mãe, Ana Isabel Paulino — a única a quem Savimbi deu o título de primeira-dama. Extremo-direito inferior: jornalista Bela Malaquias.

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