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Angola: Produção "é pouca para vender" agora que procura cresce — Crise energética que já afeta todos 30 Setembro 2021

O petróleo atinge máximos de três anos com esta crise energética que já afeta todo o planeta, mas Angola potência petrolífera (potencial) está a ter dificuldades em aproveitar o bom momento do setor. Apesar de ter anunciado em julho um aumento mensal de mais de cem mil barris por dia a partir de 01 de agosto, esse volume está a ser difícil de conseguir devido à deterioração da infraestrutura petrolífera, por falta de investimento nos últimos anos, pelo menos desde 2014.

Angola: Produção

Angola tem pouco petróleo para vender no mercado que está em crescente procura do ouro negro à medida que o mundo se liberta das amarras da pandemia da Covid-19. Muita procura e pouca oferta em Angola deixou de ter a mesma causa que há meia dúzia de anos: em 2016 fazia manchete o fato de que o país tinha de destinar a maior parte da sua produção ao pagamento dos empréstimos à China.

Agora o problema de Angola — que não está a conseguir acrescentar barris à produção global do "cartel" — é partilhado com outros países da OPEP+, a organização que junta os Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e um grupo de não-membros liderados pela Rússia.

Angola, Nigéria e Cazaquistão são os três produtores (no seio da OPEP+, de 23 membros) que se debatem com maiores dificuldades em aumentar a produção dada a deterioração da infraestrutura petrolífera dos países-membros, especialmente no down stream, por falta de investimento nos últimos anos, pelo menos desde 2014.

Mas em Angola o problema tende a surgir em duplicado. "O país sofre com o problema do desinvestimento em pesquisa por novos depósitos, na própria infraestrutura, ao que se junta o problema do envelhecimento dos campos ativos, o que, no conjunto, em contribuído para que a produção nacional esteja em declínio praticamente há uma década, desde os 1,8 milhão de barris por dia (mbpd)até 2011 para os atuais 1,2 mbpd ou menos", aponta o Portal de Angola.

Segundo uma notícia da Reuters, a OPEP+ debate-se com sérios problemas para corresponder à procura que está a crescer de volta para volumes iguais a 2019, antes do surgimento da crise pandémica, à beira dos 100 mbpd em todo o mundo, quando chegou a cair abaixo dos 90 mbpd em meados de 2020.

Sonangol atinge recorde de prejuízos

Angola tem o seu setor petrolífero em crise, devido à deterioração da sua estrutura produtiva, apesar de o Executivo de João Lourenço ter vindo desde que assumiu o poder a criar legislação em prol do setor.

A Sonangol atingiu em 2020 um recorde em prejuízos e a isso se soma "a dificuldade em criar mais-valias através da venda das quotas que possui no offshore nacional".

Angola é muito exposta às flutuações dos mercados petrolíferos, devido à sua dependência das exportações de crude para o equilíbrio das suas contas – o petróleo ainda é responsável por mais de 94% das exportações e mais de 60 por cento dos gastos do Executivo e acima de 50% do PIB.

O cenário de recuperação mundial atual — com o barril acima dos 75 USD — permite algum optimismo nas contas nacionais angolanas, mas ainda longe de um regresso ao patamar alcançado a partir de 2008, com o barril, como exemplo, a chegar aos $147 USD no Verão desse mesmo ano, permitindo um boom económico como nunca visto até ali.

Lei nova para novas concessões

O governo de olho nos investidores aprovou em Conselho de Ministros um diploma que define regras e procedimentos para a atribuição de concessões petrolíferas em Regime de Oferta Permanente.

Isto vai permitir a promoção e negociação de blocos licitados não adjudicados e, segundo o comunicado deste CM, o documento legal permitirá permanentemente "a promoção e negociação de blocos licitados não adjudicados, de áreas livres em blocos concessionados e de concessões atribuídas à Concessionária Nacional, para potencializar e atrair investimentos nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, mediante o procedimento de concurso público”.

Fontes: Portal de Angola/Bloomberg/WSJ. Foto(Sonanagol): Plataforma ENPP.

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