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Angola: Tchizé dos Santos pede destituição do Presidente João Lourenço 13 Maio 2019

A deputada angolana ‘Tchizé’ dos Santos, filha do ex-Presidente da República José Eduardo dos Santos, diz que o atual chefe de Estado está a fazer um «golpe de Estado às instituições» em Angola e pede a destituição de João Lourenço.

Angola: Tchizé dos Santos pede destituição do Presidente João Lourenço

Em declarações à agência Lusa no dia 11, a deputada do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), membro do seu Comité Central, assumiu que está «involuntariamente» fora do país devido à doença da filha e que há vários meses está a ser «intimidada» por dirigentes do partido no poder desde 1975.

Face à realidade - descreveu - em Angola, a deputada assumiu à Lusa que está à procura de advogados em Luanda para avançar para o Tribunal Constitucional angolano com uma participação sobre o seu caso, seguindo ainda com «um pedido de ‘impeachment’ [destituição]» de João Lourenço no parlamento, procurando para tal o apoio de deputados para uma proposta de Comissão de Parlamentar de Inquérito para apurar a conduta do atual chefe de Estado.

Explica as ameaças de que é alvo - apontando mesmo uma alegada lista de várias figuras angolanas ligadas ao período da governação do pai, José Eduardo dos Santos (1979 – 2017), que as autoridades pretendem impedir de sair de Angola - por ser uma voz que contesta algumas das orientações de João Lourenço, Presidente da República e líder do MPLA.

«O Presidente da República é conivente porque nada faz», critica.

«Está a haver um crime contra o Estado. Isto é um caso para ‘impeachment’. Este Presidente da República merece um ‘impeachment’», afirma Welwitschea ‘Tchizé’ dos Santos, considerada a filha mais próxima, politicamente, do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos.

A deputada fala em «abuso de poder» com a atual liderança em Angola, como o caso de outro deputado do MPLA, Manuel Rabelais, próximo do anterior chefe de Estado e que em janeiro foi impedido pelas autoridades de embarcar num voo internacional, em Luanda, apesar da sua imunidade parlamentar.

Aponta igualmente a anunciada intenção de aumentar o número de elementos do Comité Central do MPLA com a liderança de João Lourenço, antes de um congresso ordinário, o que diz contrariar os estatutos: «Mas então as regras onde é que estão?», aponta.

Questionada pela Lusa, a deputada, com investimentos em Portugal e filhos luso-angolanos, não clarificou se pretende regressar em breve a Luanda, mas garantiu que não vai aceder ao pedido, feito esta semana pelo grupo parlamentar do partido, de suspender o mandato por estar ausente da Assembleia Nacional há mais de 90 dias.

«É o senhor João Lourenço que me está a fazer a perseguição através do MPLA, porque ninguém no MPLA toma ali uma atitude sem a autorização do Presidente, ou sem a orientação», afirmou.

‘Tchizé’ dos Santos assume os receios face aos ecos que recebe do partido e que tem vindo a denunciar publicamente, dizendo sem receios que mesmo fora do país é visada: «Passo a vida a receber ameaças».

«E o partido não me protege, não me defende? A Lei obriga o Estado a prestar segurança aos deputados e eu não fui contactada por nenhum serviço consular, para saberem como é que eu estou, como é que eu não estou. Obviamente que isso é um forte indício que a perseguição está a vir do Governo e o chefe do executivo é o Presidente da Republica», aponta.

«Isto é um crime contra o Estado, um Presidente da República estar a atentar contra os direitos de um deputado eleito pelo povo para o supervisionar», diz ainda ‘Tchizé’ dos Santos, visando sempre João Lourenço.

Ainda assim, a deputada assume que o seu partido é o MPLA, e acredita que ainda é possível «um entendimento» com a atual liderança de João Lourenço, desde que se garanta a separação de poderes, entre o parlamento, o partido e o Presidente da República.

Afirmou que além das críticas publicas que faz, através das redes sociais, as suas ações enquanto empreendedora junto da sociedade angolana, como a recente ação de formação de zungueiras (vendedoras de rua) que realizou em Luanda, entre outras, está a «irritar» a atual liderança angolana. A Semana com Lusa

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