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Angola na hora francesa – centenas de obras de arte roubadas, seis restituídas 08 Junho 2018

Duas máscaras, uma cadeira, um tamborete, um cachimbo e uma taça esculpidos por artistas da etnia Chokwé foram entregues em Bruxelas nesta quinta-feira, 7, para serem devolvidos ao Estado angolano. Em Paris, Macron recebia o homólogo angolano com promessa de apoiar repatriação de “bens culturais” do património africano.

Angola na hora francesa – centenas de obras de arte roubadas, seis  restituídas

A presidência de Macron tem afirmado o seu empenho em fazer cumprir até 2022 a convenção internacional assinada no âmbito da Unesco em 1970, que visa restituir o património cultural africano pilhado.

A recente visita do presidente João Lourenço à França foi mais uma ocasião em que o presidente francês sublinhou essa intenção. Macron referiu estarem em curso, num horizonte até 2022-23, diligências “para restituições temporárias ou definitivas do património africano”.

Em Bruxelas, o diretor do museu do Dundo recebia as peças de escultura da tradição Chokwé. Reunidas no fundo museológico constituído desde a década de 1930 no Museu do Dundo, desapareceram de Angola durante a guerra civil entre 1975 e 2002.

As obras, que com a independência entraram para o património nacional, tinham, como é frequente em situações de guerra, sido pilhadas e vendidas a colecionadores ricos em países europeus, mas não só.

O fundo museológico do Dundo compreendia sete mil objetos. Destes, apenas 800 dispõem de uma ficha sinalética completa, a qual permitiu identificar uma parte dos objetos em falta, segundo a belga Agnès Lacaille, antiga diretora do Museu Real da África Central em Bruxelas e hoje ao serviço da Fundação Sindika Dokolo.

A entidade sediada em Luanda tem desde 2015 vindo a recuperar a arte africana antiga espalhada pelos museus de etnologia do mundo. Também aposta na produção de arte atual.

Museu do Dundo criado pela Diamang

O Museu de Dundo – na região mineira no nordeste angolano, na fronteira com o Congo – foi criado em 1936 pelo consórcio que contratara com Portugal a extração de diamantes, a empresa Diamang, que operava em Angola desde 1915-16.

As primeiras obras entradas no museu procediam de recolhas feitas junto do povo Chokwé, estabelecido na região durante séculos e reconhecido pela qualidade das máscaras e esculturas sobre madeira.

Mais tarde, a partir dos anos de 1940 e até à independência, o espólio foi sendo enriquecido com peças recuperadas no mercado europeu.

Fontes: Le Monde /Fundação Sindika Dokolo/ Fontes históricas

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