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Antiga Alfândega dá lugar a museu de arqueologia na ilha cabo-verdiana da Boa Vista 27 Setembro 2022

O antigo edifício da Alfândega Velha em Sal Rei, Boa Vista, começou este domingo a ser reabilitado para receber o Museu de Arqueologia, que vai retratar a história daquela ilha cabo-verdiana durante 500 anos, foi hoje anunciado.

Antiga Alfândega dá lugar a museu de arqueologia na ilha cabo-verdiana da Boa Vista

De acordo com fonte do Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, que tutela a obra, os trabalhos visam “resolver as patologias de degradação do edifício e garantir as condições adequadas para a instalação do museu de arqueologia”.

“Ainda, será construído o alpendre que existia antigamente e que foi demolido, bem como pequenas rampas nas portas de acesso do saguão para parte interna do edifício para melhor acessibilidade”, explicou o IPC.

Após a sua reabilitação, o histórico ex-edifício da Alfândega Velha albergará o novo Museu de Arqueologia, “que irá acolher parte significativa do espólio arqueológico nacional e que é proveniente dos naufrágios” ao largo da Boa Vista.

“Este projeto visa, para além de proteger, valorizar e divulgar o legado arqueológico da ilha, criar novos espaços de interpretação que contribuam para a diversificação da oferta turístico-cultural da ilha”, acrescentou a fonte, referindo tratar-se de uma intervenção que conta com financiamento do Projeto Margullar2, no quadro do Programa MAC 2014-2020 de que Cabo Verde é beneficiário, e do Governo de Cabo Verde, através do Plano Operacional do Turismo.

A intenção de lançar esta reabilitação e instalar o museu, retratando a história da Boa Vista no Atlântico durante 500 anos, dos naufrágios e ataques piratas à abolição da escravatura, já tinha sido confirmada anteriormente em entrevista à Lusa pelo presidente do IPC.

“O que estamos a fazer é repor uma certa justiça à ilha da Boa Vista, porque o grosso do espólio que temos aqui no Museu de Arqueologia da Praia é proveniente dos trabalhos de investigação subaquática realizados entre finais de 1990 e até 2004, 2005, na ilha da Boa Vista”, explicou em julho Jair Fernandes.

De acordo com o responsável, o museu na Boa Vista, a segunda ilha de Cabo Verde mais procurada pelos turistas, incluirá uma vertente dedicada à área subaquática e será instalado no antigo edifício da Alfândega, formalmente cedido ao Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

Segundo Jair Fernandes, a “narrativa expositiva” a colocar no museu “não será somente à volta dos naufrágios, dos barcos, das suas rotas e da sua carga”, mas “também da própria ilha da Boa Vista, no contexto geoestratégico, a partir do século XVI”.

O museu receberá parte do espólio do atual Museu de Arqueologia, com sede na Praia, atualmente formado por coleções de instrumentos de navegação, estruturas de navios, canhões e outros materiais bélicos, além de moedas variadas, ânforas e formas de açúcar, marfim ou acessórios de uso pessoal como relógios de bolso, contas, botões de punho ou cachimbos, muitos dos quais encontrados em escavações subaquáticas precisamente ao largo da Boa Vista.

Descoberta em 1480 por navegadores portugueses, a ilha da Boa Vista dista cerca de 450 quilómetros da costa africana e conheceu o seu desenvolvimento a partir do século XVII quando se percebeu a qualidade do sal ali existente, que se tornou na sua maior fonte de rendimento, atraindo empresários de vários pontos, incluindo estrangeiros.

Assim, a costa da Boa Vista ficou também conhecida por ter sido palco de históricos naufrágios e ataques de piratas e corsários, uma vez que assumiu papel crucial na exportação de sal a partir de Cabo Verde. Só na segunda metade do século XIX há registo de pelo menos 50 naufrágios ocorridos ao largo da Boa Vista, de navios de várias nacionalidades. A Semana com Lusa

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