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Gualberto do Rosário questiona presente e futuro de Cabo Verde Airlines e exige melhor comunicação e transparência sobre o assunto 29 Julho 2020

António Gualberto do Rosário, economista e ex-Primeiro-ministro de Cabo Verde, questiona, num post publicado na sua página de facebook, a situação do presente e do futuro da Cabo Verde Airlines (CVA), defendendo que é demasiadamente importante para ser deixada exclusivamente à conta do Governo da República, que tem poduzido, ultimanete, discursos opacos sobre o assunto. «O governo tem utilizado, nos últimos dias, discursos opacos. Não só não ajudam, como são contraproducentes. Dizer, por exemplo, que o modelo de negócio já não serve, obriga a explicar duas coisas: a) Em primeiro lugar, de que modelo se está a falar e de que natureza de negócio se trata. Tanto se pode estar a falar da relação entre o parceiro estratégico e o governo, especificada no contrato assinado entre o governo e esse parceiro estratégico, como se pode estar a falar da estratégia adotada pela companhia ou, ainda, das ações operacionais de concretização dessa estratégia. b) Em segundo lugar, é importante explicar porque não serve mais o modelo de negócio. Porque esteve errado, desde o início? Porque há mudanças estruturais significativas no mercado, que obrigam a mudar?». Tuta, como é conhecido, exige, por isso, uma melhor comunicação e com total transparência sobre o dossier CVA. «Esperemos, assim, que o governo cumpra a sua obrigação de se comunicar da melhor forma, com total transparência e de forma inteligível, com os cabo-verdianos, quanto a este assunto, de modo a que todos possam compreender». Confira detalhes a seguir.

Gualberto  do Rosário questiona presente e futuro de Cabo Verde Airlines e exige melhor comunicação e transparência  sobre o assunto

A questão do presente e do futuro da CVA é demasiadamente importante para ser deixada exclusivamente à conta do governo. Não só porque há acionistas privados, que apostaram na empresa e que devem ser respeitados, como, sobretudo, por ser uma das empresas estratégicas, incontornável para a construção da plataforma aérea cabo-verdiana. E esse é um projeto no qual os cabo-verdianos apostam e, por isso, não pode ser decidido caprichosamente pelo governo, seja por que razão for, sem considerar todas as variáveis em jogo e sem se comunicar suficientemente com a comunidade cabo-verdiana, residente e na diáspora, e de forma clara e transparente. Aliás, de uma forma ou de outra, mesmo sem direito a dividendos, todos somos acionistas da CVA já que, no limite, os deficits da companhia têm sido resolvidos com os impostos que pagamos, no presente, e que vamos pagar, no futuro. E se, de uma forma geral, os contribuintes cabo-verdianos não se têm recusado a assumir o custo da manutenção e desenvolvimento da companhia, é mister que aos mesmos sejam dadas todas as informações relevantes, de forma transparente e clara. Precisamos perceber.

O governo tem utilizado, nos últimos dias, discursos opacos. Não só não ajudam, como são contraproducentes. Dizer, por exemplo, que o modelo de negócio já não serve, obriga a explicar duas coisas:

a) Em primeiro lugar, de que modelo se está a falar e de que natureza de negócio se trata. Tanto se pode estar a falar da relação entre o parceiro estratégico e o governo, especificada no contrato assinado entre o governo e esse parceiro estratégico, como se pode estar a falar da estratégia adotada pela companhia ou, ainda, das ações operacionais de concretização dessa estratégia.

b) Em segundo lugar, é importante explicar porque não serve mais o modelo de negócio. Porque esteve errado, desde o início? Porque há mudanças estruturais significativas no mercado, que obrigam a mudar?

Seria um erro de lesa-pátria considerar que a epidemia de COVID-19 fez implodir o mercado Brasileiro no que às oportunidades para o transporte aéreo diz respeito. Longe disso! O Brasil prepara-se para estar na linha da frente dos países vencedores no domínio do combate ao COVID-19. Acabou de assinar acordos importantes com os laboratórios que estão mais avançados em termos de produção de vacina para a prevenção do COVID-19: o laboratório de Oxford e o laboratório da República Popular da China. Tais acordos permitem a realização dos testes da terceira fase, no Brasil, o que está a ser feito, neste momento, e autorizam esse irmão da CPLP, que tem capacidade científica e tecnológica para tal, a produzir as doses de que precisa, das duas vacinas, para imunizar a sua população. É uma solução para o curto prazo. E esse tal irmão da CPLP é um país de investimento, de viagens de negócio, de turismo e de diáspora.

Esperemos, assim, que o governo cumpra a sua obrigação de se comunicar da melhor forma, com total transparência e de forma inteligível, com os cabo-verdianos, quanto a este assunto, de modo a que todos possam compreender.

Porque voltar a ser TACV seria, isso, sim, um erro crasso e supino. Não creio que os cabo-verdianos estariam disponíveis para isso.

Gualberto do Rosário Almada
(Post publicado na sua página de facebook)

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