MUNDO INSÓLITO

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Aposta que Lexi ganhou 19 Janeiro 2020

A vida na ‘descontra’ que o casal Reed levou durante os anos de namoro e o primeiro ano de casamento não podia continuar – pela sua saúde e futuro juntos como família, Lexi e Danny tinham de mudar. O segundo ano de vida matrimonial foi por isso bem planeado. Ia ser construído com quatro nãos: não comer fora, não comer às escondidas, não beber álcool nem refrigerantes, não desistir. Dezoito meses depois desse arranque em janeiro de 2016, começaram a colher os frutos: tinham ganho juntos a aposta de perder 412 libras de peso. Em janeiro de 2020 confirma-se que conseguiram em definitivo ganhar a aposta.

Aposta que Lexi ganhou

O insólito pode ser feito de coisas boas, como a superação da obesidade que desde a infância acompanhou Lexi Reed. A começar pelo facto de ela não deixar os muitos quilos a mais estragarem-lhe a alegria da infância, da adolescência, da juventude.

A dura luta para libertar-se dos quilos a mais! Tal como muitos de nós que lutámos para perder peso que nos venceu sempre, ela também lutou. E foi vencida e voltou a tentar, à medida que a publicidade anunciava um novo regime da moda. A diferença é que ela perante tantos enganos, tantas recaídas, não deixou que isso a desanimasse.

Aos 25 anos, Lexi pesava cento e oitenta quilos (392 libras). E se até ali, ela lutou para não deixar o peso definir o que era a sua vida — vivida em alegria e felicidade até no amor que encontrou em Danny, que a amava tal como ela era —, a verdade é que aos 25 anos Lexi começou a sofrer de problemas de saúde.

Lexi encontrou em Danny, dois anos mais velho, a alma gémea. Mas um não ajudava o outro na mudança de hábitos alimentares de que necessitavam para chegarem a um limite de peso saudável.

Danny, que pesava duzentas e oitenta libras (128 kg), convidava Lexi a jantar fora quando não ficavam em casa e telefonavam ao pronto-a-comer, seduzidos pelo canto de sereia das Take Away (serviço de refeições levadas a casa). A refeição feita de "comida de plástico" (junk food) era regada a cerveja e vinho ou refrigerantes e terminava com doces.

A sua auto-indulgência mútua tinha todos os ingredientes — sedentarismo, comida congelada e enlatada, muito açúcar (que adoça a fortuna da família mais rica do mundo, os Mars, dos Estados Unidos, com 70,8 biliões de dólares), muito sal — para lhes estragar a saúde e criar-lhes duas grandes impossibilidades.

Duas grandes impossibilidades que de imediato diminuíam a alegria de viver e a longo prazo comprometiam a saúde, a própria existência da família.

Infância com pais que não cozinham – porque a ‘fast food’ é mais fácil, mais rápida e barata

A obesidade, principal fator que, segundo a OMS, desencadeia a diabete tipo 2, é devida em grande parte à comida do tipo americano conhecida por ‘fast food’ que tem vindo progressivamente a substituir, um pouco por todo o mundo, os pratos tradicionais.

A tese da organização mundial de saúde é apoiada por estudos clínicos e sociológicos que mostram 80% da população obesa e diabética a não poder resistir à atratividade visual e palatal da ‘fast food’, embora saiba o significado de comer saudável e os riscos do contrário.

Mas as autoridades americanas apontam que a investigação da medicina molecular, realizada em universidades inglesas e americanas (consultáveis online na base Web MD), contradita em parte a OMS. Afirmam haver um gene de obesidade específico — uma variação do gene FTO — que explica a distribuição da obesidade genómica entre determinadas populações...

Tais estudos realizados por organismos do governo americano ou por este subsidiados, contudo, não explicam por que é que uma determinada população tem ao mesmo tempo uma prevalência de obesidade e de diabete tipo 2 superior à de outras, com as quais partilha uma história que só divergiu após a Segunda Guerra.

O fenómeno que terá começado nos anos Cinquenta tem vindo a piorar e o leitor pode tirar as suas próprias conclusões sobre o bem fundado do alerta da OMS, consultando websites que mostram ser direta a relação entre a doença e a procura de alimentos processados, com excesso de sal, açúcares, aditivos, conservantes, corantes, ativadores de sabores.

Disto tudo, Lexi só sabe que "os meus pais nunca cozinhavam. Compravam tudo pronto, porque era tudo mais fácil, mais rápido e barato".

Ao encontrar Danny, iriam reproduzir o padrão de alimentação que conheciam desde a infância.

Vestido para noiva de 480 libras

A preparar-se para o grande dia, Lexi viu que a escolha do vestido estava a demorar — mesmo sem ter colocado em campo a vaidade da noiva que emagrece para caber no vestido.

Nem nas lojas de Terre Haute, Indiana, onde vive, nem online, Lexi encontrava um tamanho para uma noiva de quatrocentas e oitenta libras, que são mais de duzentos quilos (217,92 kg).

A foto mostra que, por fim, encontrou o seu 34 W. "Bem resolvida", como diz o discurso rápido enredado em psicologia para todos. Mas Lexi ia depois de uma tomada de consciência gradual, ao longo do primeiro ano de casamento, enfrentar duas grandes impossibilidades que lhe trariam um amargo travo na existência despreocupada.

Uma era o seu sonho de constituir uma família. A outra tinha a ver com o sonho, que partilhava com Danny, de viajar para conhecer o mundo. Os médicos disseram-lhe dos riscos que ela enfrentava para poder ser mãe.

A impossibilidade de viajar: simplesmente não havia lugar nos aviões para pessoas com o peso do casal Reed.

A grande mudança

Diante de tais obstáculos, Lexi resolveu empreender a grande mudança — que tinha de começar com pequenos passos, por muito tempo e sem vacilar.

Muito motivada, Lexi teve de enfrentar um Danny muito satisfeito com a vida confortável no aconchego do lar, o frigorífico abastecido com comida pronta em tempo relâmpago no microondas e consumida em frente ao televisor.

Ao convencer Danny, juntos programaram como ia ser o segundo ano de vida matrimonial construído com quatro nãos: não comer fora, não comer às escondidas, não beber álcool nem refrigerantes, não desistir.

A família e amigos foram informados. Surgiram apostas, que espicaçavam o casal. A primeira semana passou, seguindo o plano alimentar acompanhado de meia hora de exercício no ginásio local. O primeiro mês revelou o sucesso: tinham cada um perdido dez libras. Pequenos ganhos mas consistentes ao longo de dezoito meses resultaram: Danny perdeu 90 quilos, Lexi cem quilos (fotos mais à direita).

Fontes: New Yorker/AP. Fotos: Instagram.

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