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Migrações: “Aquarius simboliza a desunião na Europa” – diz crítico à ação de Macron 13 Junho 2018

O presidente francês, pressionado pela maioria, denunciava na terça-feira “o cinismo e irresponsabilidade do governo italiano” que recusara o direito de asilo a mais de seiscentas pessoas da embarcação humanitária Aquarius. Mas no dia seguinte uma voz crítica, a de ‘Arnaud Lachaize’, replica que o busílis da questão é a má gestão da crise imigratória pelos dirigentes europeus.

Migrações: “Aquarius simboliza a desunião na Europa” – diz crítico à ação de Macron

O ‘Aquarius’ é um dos maiores desastres europeus no pós-1945, defende Arnaud Lachaize (pseudónimo), numa tribuna publicada esta quarta-feira no diário centrista Le Figaro. Este alto funcionário do governo de Macron situa no ano 2000 o súbito agravamento da questão imigratória. A principal causa: os países da União não se entendem sobre a solução para os imigrantes ilegais.

Em 2002, a Inglaterra e outros defenderam que os países de origem dos fluxos migratórios ilegais deviam ser responsabilizados pela situação. Mas a França e a Suécia lembraram o dever de acolhimento consagrado nas constituições europeias.

A desestabilização dos países do Magrebe e vizinhos do Médio Oriente a partir de 2011, com o consequente recuo do Estado de direito, alimentou as redes clandestinas e fez disparar os fluxos migratórios a níveis cada vez mais preocupantes, defende o mesmo autor.

A decomposição do Iraque e da Síria, a que acresce a emergência do Estado Islâmico, provocou em 2015 a entrada na Alemanha de um milhão de pessoas.

A gigantesca vaga foi em parte controlada por negociações entre os governos turco e alemão, que detiveram na Turquia a maior parte dos candidatos à imigração na Alemanha.

Entretanto, renovavam-se, atingindo dezenas de milhares, os fluxos provenientes da África Subsaariana, concentrados na Líbia a fim de seguirem para a ilha italiana de Lampedusa.

Minoria militante diz “renovação e rejuvenescimento” demográficos na Europa

O articulista critica a “violenta guerra-fria ideológica” protagonizada por “uma minoria militante muito ativa nos média, partidos, associações, tribunais” que defende essa imigração. Não só por razões éticas – a Europa como baluarte moral, ‘acolhe as vítimas da pobreza e perseguições’— mas também pelas referidas razões económico-sociais.

A essa ideia de “renovação e rejuvenescimento demográficos na Europa”, o articulista contrapõe a “insustentabilidade” ressentida pela populações europeias que veem “nesses desembarques de migrantes manipulados por passadores criminosos que desrespeitam as fronteiras e violam o Estado de direito” o início da “iminente catástrofe”, que é uma “Europa à beira da explosão”.

Desastre criado pela falta de vontade política dos governos europeus

O artigo é muito crítico sobre a abertura da Alemanha em 2015 ao milhão de refugiados. Reparte as culpas entre Angela Merkel e certos dirigentes da EU- A estes reprova “a forma autoritária com que exigiram aos demais que aceitassem quotas de imigrantes”.

Mas as maiores críticas do articulista vão para a falta de vontade política dos governos europeus que preferem “fazer a guerra entre si” em vez de implementar medidas quer de ação positiva quer de combate aos ‘passadores esclavagistas’.

Entre as medidas de ação positiva indica três. Um plano emergencial para socorrer os náufragos do Mediterrâneo, sem os fazer entrar no espaço europeu. Um programa de desenvolvimento adequado destinado aos países de origem, sobretudo os da África Subsaariana. Um plano de intervenção facilitadora da mobilidade entre os continentes, feita em condições regulares, e em respeito ao direito de asilo.

Termina o autor execrando “a explosão política da Europa e a grande desordem daí resultante que são o preço a pagar devido à cegueira, indecisão, fraqueza e cobardia” dos que governam a Europa. Fontes: Referidas no texto

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