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Arcebispo Carlo Maria Viganò pede renúncia de papa Francisco — "Leiam e façam o vosso juízo", replica o papa 27 Agosto 2018

O Arcebispo Carlo Maria Viganò, que foi núncio (embaixador) do Vaticano em Washington entre 2011 e 2016, alega que o papa Francisco tinha conhecimento das alegações de pedofilia contra o arcebispo Theodore McCarrick e das sanções impostas contra este por Bento XVI, mas que preferiu ignorá-las e até nomeou o suspeito "seu especial conselheiro". Por isso, pede ao papa Francisco que mostre "um bom exemplo" com a sua renúncia ao cargo.

Arcebispo Carlo Maria Viganò pede renúncia  de papa Francisco —

O arcebispo Carlo Maria Viganò, de 77 anos, relata que em 23 junho de 2013 o papa Francisco lhe perguntou "Como é o cardeal McCarrick?” A sua resposta foi: "Ele corrompeu gerações de seminaristas e padres, e o papa Bento ordenou-lhe que se retirasse para uma vida de oração e penitência".

Isto e muito mais escreveu Viganò no testemunho de onze páginas entregue aos media. Relata aí que em outubro de 2011, à sua chegada a Washington D.C., como enviado do Vaticano, repetiu ao arcebispo McCarrick as sanções impostas. Estas incluíam a proibição de celebrar missa em público, bem como de se aproximar de crianças e seminaristas.

“O (então) cardeal (McCarrick), a balbuciar tanto que mal se ouvia, admitiu que teria cometido o erro de dormir na mesma cama com alguns seminaristas na sua casa de praia, mas ele disse-o como se isso não fosse importante", escreve Viganò.

Direito à verdade

O arcebispo Viganò acusa o papa Francisco, "que sabia pelo menos desde 23 de junho de 2013 que McCarrick era um predador em série", de ter dado cobertura total a "um homem corrompido".

"Foi só depois de ter sido obrigado pelo relato do abuso de um menor, de novo com base na atenção dos meios de comunicação, que ele agiu para salvar a sua imagem nos meios de comunicação", escreve Viganò.

O papa Francisco, “ao abdicar do mandato que Cristo deu a Pedro", tem de "reconhecer os seus erros" e, "dando um bom exemplo aos cardeais e bispos que cobriram os crimes sexuais de McCarrick, deve apresentar a renúncia de todos e dele próprio".

Abordado pelos media no sábado 25, Viganò disse que escrevera para "pôr fim ao sofrimento das vítimas, evitar novas vítimas e proteger a Igreja: só a verdade pode libertá-la".

Afirmou ainda que queria "descarregar a consciência perante Deus, dadas as minhas responsabilidades de bispo da Igreja do universo". "Sou um velho e quero apresentar-me a Deus com a consciência limpa".

“O povo de Deus tem o direito de saber toda a verdade". "As pessoas têm o direito de serem guiadas por bons sacerdotes. Para depositarem a sua confiança e amor neles, elas têm de os conhecer, abertamente, com transparência e verdade, como eles são realmente", lê-se no final das onze páginas de testemunho do antigo diplomata, publicado online.

Silêncio do Papa: "Leiam e façam vós o vosso juízo"

Esta segunda-feira, 27, os meios de comunicação internacionais destacavam que o papa Francisco ainda não reagira.

A meio da tarde todavia, um vídeo online mostra o papa ainda no avião a dizer: "Li esta manhã o comunicado (do arcebispo Viganò): "Leiam e façam vós o vosso juízo".

"Eu não direi nem uma só palavra sobre isso (o comunicado do arcebispo Viganò)". "Vocês têm a capacidade jornalística para tirar conclusões. Depois, talvez, eu venha a falar sobre isso", afirmou aos jornalistas presentes no avião que o trazia de Dublin para Roma.

O papa está em silêncio no Vaticano, regressado da capital irlandesa, onde terminou a visita como a começou, com um pedido de perdão pelos mais diversos tipos de crimes sexuais cometidos na Irlanda ao longo de várias décadas e só denunciados nos anos de 1990 e, sobretudo, a partir de 2000.

“Peço perdão pelos abusos cometidos e pelos membros da hierarquia que não se preocuparam com a dor das vítimas e ficaram em silêncio”, disse domingo, 26, perante as cerca de 300 000 pessoas que assistiram à missa final no Phoenix Park, da capital, Dublin.

O arcebispo local, Diarmuid Martin, lembrou que há quarenta anos – época em que muitos desse crimes de padres pedófilos continuavam a ser cometidos, mas ninguém denunciava e as vítimas eram pressionada ao silêncio — havia mais de um milhão de fieis a participar nesse mesmo local na missa por João Paulo II.

Fonte: www.ncregister.com/Le Monde/Corriere della Sera /BBC. Foto do papa Francisco e do seu embaixador nos Estados Unidos, Carlo Viganò, em 2013.

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