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Bolsonaro critica Argentina que aprovou lei IVG — Opinião do Papa 04 Janeiro 2021

A IVG-Interrupção Voluntária da Gravidez foi legalizada na Argentina na quarta-feira, 30, com 39 votos a favor, 29 contra e uma abstenção. As gestantes que decidirem interromper a gravidez até às catorze semanas podem fazê-lo de forma segura, gratuita e sem o risco de perseguição criminal. "Hoje temos uma sociedade melhor, que amplia os direitos das mulheres e garante a saúde pública", tuìtou o presidente Alberto Fernández.

Bolsonaro critica Argentina que aprovou lei IVG — Opinião do Papa

A manhã de quarta-feira foi marcada nas ruas por uma maré verde (foto), cor que é o símbolo feminista argentino, em comemoração pelo "avanço dos direitos sociais" — uma bandeira política que em 2018 tinha dividido o Juntos por el Cambio/Juntos pela Mudança, o partido do presidente Mauricio Macri. A proposta de lei acabou por ser chumbada no Senado onde metade do partido presidencial votou sim e outra metade votou contra.

Agora, dois anos depois, a decisão de descriminalizar a IVG — que derruba a lei vigente na Argentina há cem anos e que só admitia a exceção em caso de violação ou de risco de vida — "é um marco histórico não só para a Argentina mas toda a região latino-americana que pode ter esperança de que a luta vale a pena", segundo Giselle Carino, da organização Planeamento da Parentalidade Argentina.

A nova proposta foi uma iniciativa do governo de Alberto Fernández, o presidente eleito em outubro de 2019 e o primeiro desde 1921 a pronunciar-se a favor da legalização da IVG.

A votação da nova lei — apoiada por mais de 70 por cento dos argentinos sondados em março último — foi obtida com "negociações privadas e um pacto de silêncio", "na intimidade do Senado", como o diário El Clarín explica na sua edição de quarta-feira.

Outras estratégias permitiram passar a lei no Senado, onde 41 dos 72 representantes pertencem ao FdT-Frente de Todos, o partido do governo presidencial. "Houve votos que não se expressaram para evitar pressões maiores"; Senadores viajaram para evitar polémicas, refere esse diário de Buenos Aires.

Refere ainda o El Clarín que o ex-presidente e atual senador Carlos Menem não pôde votar porque "ainda está em coma induzido", segundo a filha, Zulemita que "lamento[u] profundamente que um grande defensor da vida, ele que instituiu o Dia da Criança por Nascer, não possa expressar as suas convicções neste momento".

O Senado estipulou que o procedimento médico deve ocorrer num prazo máximo de dez dias, contado desde o momento do pedido. A medida tem o objetivo de "evitar manobras que retardem o aborto".

Papa: Mais que a religião

Aprovada a lei, grupos católicos saíram à rua. Entre eles, muitos fiéis que criticam o silêncio do papa Francisco, nascido na Argentina e de que foi arcebispo primaz.

Silêncio? O papa destacou, em carta à Conferência Episcopal Argentina de 5 de dezembro, que "o assunto do aborto não é primariamente religioso, mas humano, um assunto de ética humana anterior a qualquer confissão religiosa. E sugiro que se façam duas perguntas: 1) É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? 2) É justo contratar um matador de aluguel para resolver um problema? Acho engraçado quando alguém diz: Por que o Papa não envia à Argentina a sua opinião sobre o aborto? Pois estou enviando-a para todo o mundo (inclusive para a Argentina) desde que sou Papa", foi a resposta do Sumo Pontífice.

Brasil: Presidente Bolsonaro anti-IVG

As "vidas das crianças argentinas" poderão, de agora em diante, ser "ceifadas" com "a anuência do Estado", foi com estas palavras que o presidente brasileiro criticou a medida legislativa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, reagiu com um tweet: "O Brasil permanecerá na vanguarda do direito à vida não importa quantos países legalizem a barbárie do aborto".

Fontes: Clarín.ar/El País/Vatican News/g1/... Fotos: A Argentina é o primeiro grande país da América Latina — a região do mundo que conta mais católicos (41,6 por cento dos 1,2 mil milhões de seguidores do catolicismo) — a legalizar o aborto. Uma sondagem em março mostrou que 95 por cento de não-católicos e 69% dos católicos argentinos eram a favor da IVG.

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