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Arménia: Angela Merkel em visita oficial indispõe Turquia, em braço de ferro sobre ’Genocídio Arménio’ 27 Agosto 2018

A chanceler alemã em visita oficial de dois dias à República da Arménia para conversações com o seu homólogo, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, eleito em 8 de maio, tem tudo para aumentar a tensão diplomática Alemanha-Turquia.

Arménia:  Angela Merkel em visita oficial indispõe Turquia, em braço de ferro sobre ’Genocídio Arménio’

O foco do dissenso é a classificação de genocídio atribuida pelo parlamento alemão ao massacre de um milhão e meio de arménios por soldados do Império Otomano, antecessor da República da Turquia. Desde 1922 que os arménios reivindicavam o reconhecimento da responsabilidade alemã no massacre perpetrado pelo aliado do Terceiro Reich durante a Grande Guerra.

A votação no parlamento alemão pela qual a Alemanha assumiu a responsabilidade no Genocídio Arménio — e com isso reconheceu ter-se tratado de um genocídio e não de uma eventualidade da guerra, como tem afirmado a Turquia — desencadeou vários protestos em Istambul. O embaixador turco em Berlim foi chamado à Turquia.

Desde sempre, o caso do genocídio arménio tem sido objeto de tensão diplomática entre a Turquia e os países ocidentais.

Histórica a difícil eleição, recente, em 8 de maio, de Nikol Pashinyan após “chumbo” dos Republicanos no poder desde 1991

O político e jornalista Nikol Pashinyan, de 42 anos, só à segunda-volta, em 8 de maio, conseguiu ser eleito primeiro-ministro. Apresentado pelo Partido Yekel à eleição parlamentar, no dia 1 de maio, era o único candidato a primeiro-ministro, desde a demissão de Serj Sargysan, de 64 anos, em 23 de abril.

Mas após uma longa sessão de vinte horas — com sabatina durante horas e os discursos emotivos de 19 deputados, pró e contra o candidato do Partido Yekel (Contrato Civil), o único a apresentar-se —, a Assembleia Nacional votou 45-55. Pashinyan precisava de 53 votos.

A derrota foi infligida pelo Partido Republicano (Ex-Partido Comunista), que detém a maioria — 58 dos 105 membros da Assembleia Nacional — e não apresentou candidato próprio. 55 dos seus 56 deputados (presentes, com dois ausentes — um dos quais apresentou demissão após a votação) “chumbaram” Pashinyan, não obstante a promessa dos Republicanos, anunciada três dias antes, de que não seriam força de bloqueio contra o candidato do partido rival.

De acordo com a Constituição, o candidato derrotado na primeira-volta submete-se, uma semana depois, a uma nova votação. Caso volte a não ser votado pela maioria, dá-se a dissolução da Assembleia.

O adiamento da escolha do primeiro-ministro causou deceção. A expectativa era que o partido maioritário não iria “bloquear a votação” de Pashinyan, como anunciara o seu líder no sábado, 28 de abril.

Em 23 de abril, protestos contra a “sede de poder” do primeiro-ministro Serj Sargysan, do Partido Republicano, "nacionalista, conservador e favorável aos interesses dos poderosos", obrigaram à sua demissão, após 26 anos do PR no poder.

Os 26 anos da Arménia independente tiveram pois, até maio, ininterruptamente o Partido Republicano no poder e Sargysan foi por 26 anos um dos seus rostos mais conhecidos, como primeiro-ministro e presidente por duas vezes.

Serj Sargysan é um dos fundadores do Partido Republicano, que em 1991, após trocar a denominação ‘Partido Comunista da Arménia’, conduziu o processo pró-independência da URSS. Vencedor do referendo ocorrido em setembro de 1991, o Partido Republicano deteve desde então o poder Executivo ininterruptamente. Apenas uma vez, em outubro do mesmo ano, o candidato do Movimento Pan-Arménio, Levon Ter Petrosian, venceu a eleição presidencial com 83% dos votos.

Fontes: Fontes históricas; https://armenianweekly.com/2018/05/01/na-fails-to-elect-pashinyan/Armenia News.am. Foto: Deposição de flores no Memorial do Genocídio em Yerevan, este sábado, 25.

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