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Armindo Martins Tavares lança o romance «Estórias e comportamentos dos bichos» 16 Dezembro 2021

«Estórias e comportamentos dos bichos» é o título de um livro de romance do escritor Armindo Martins Tavares, cujo lançamento acontece, esta sexta-feira, a partir das 18 horas, na sala de conferência da Biblioteca Nacional, na cidade da Praia.

Armindo Martins Tavares lança o romance «Estórias e comportamentos dos bichos»

Conforme a organização, a apresentação da obra vai estar a cargo da enfermeira Anísia Oliveira. Haverá recital de poemas do autor do livro pelos seus ex-colegas e atuais alunos do Agrupamento IX da Calabaceira.

«Estórias e Comportamentos dos Bichos é um Romance constituído em 12 capítulos, estribado num surrealismo subjetivo e numa lógica que, intencional ou deliberadamente se imbui de ironias mordazes, quiçá, estéticas metáforas, impregnadas nas figuras de Bichos, pretendendo-se, grosso modo, afoitar e denunciar, de forma consciente e penetrante, um sistema que eiva toda a sociedade. Esses Bichos aqui apodados, sobretudo, de patifes entogados, incompetentes gatunos, aldrabãozecos e falsificadores do processo, não se descuram em conspurcar o sistema, por isso, não se coíbem manietar os que lhes são críticos», lê-se numa nota do autor.

Segundo a mesma fonte, no capítulo primeiro — Assembleia Internacional dos Bichos Unidos — vem o Leão, Primeiro-ministro das Selvas, munido de um passaporte diplomático falso, presidir uma reunião que, legalmente, seria um “Conselho dos Bichos”, na localidade de Achada Fátima, no concelho de Santa Cruz, na ilha de Santiago, inobstante estar sob uma acusação e refém de um mandado de captura emitido pelo Tribunal Penal Internacional dos Bichos Unidos. «Essa reunião acabou-se transformando numa Assembleia e o Leão a intitular-se como sendo Presidente e, consequentemente, Presidente da República interino por força da Constituição das Selvas que diz: «O Presidente da Assembleia é o Presidente da República interino em caso de impedimento ou vacatura deste». Acrescenta a fonte que, nestes pressupostos, enquanto Presidente da Assembleia, das várias leis aprovadas durante a sessão, o Leão aprovou uma à sua maneira e conveniência, promulgando-a de seguida enquanto Presidente da República e foi executá-la na qualidade de Primeiro-ministro. «Tratava-se de uma lei de “Requisição Civil” em que obrigava os Gatos, que num frenesim patético se haviam declarado greve para não caçarem os Ratos, por se sentirem humilhados e vilipendiados pelo Homem-Bicho que chamava a todos de “Gatunos e Aldrabãozecos”, a assegurarem os serviços mínimos, isto é, a caçarem pelo menos os Ratos engravatados dos gabinetes», acrescenta.

E eis o Decreto em causa, segundo o autor do livro: «Decreto a Requisição Civil proposta pelo deputado Homem-Bicho, numa fase experimental ou, como experiência piloto, pelo período de sete anos, nestes devidos termos: a) Os Ratos não podem ficar a vagabundear livremente, fazendo e desfazendo, dando caço-bode aos respeitáveis contribuintes; b) Cem por cento dos Gatos estão obrigados a assegurar os serviços mínimos; d) Os serviços mínimos configuram-se na caça apenas aos Ratos dos gabinetes que usam fato e gravata; e)Tal medida é aplicada em todos os países, à exceção de Angola que só entrará em vigor daqui a sete anos; f) O presente Decreto entrará em vigor, 24h00 após a minha chegada à Angola».

Ora, o Leão, realça a nota do autor, tinha 7 anos de idade, e, por norma, a sua longevidade situa-se entre 10 e 14 anos, vivendo na natureza selvagem. Portanto, até que a lei entrasse em vigor lá em Angola, ele já estaria, certamente, descaveirado e todo chamuscado nas labaredas do Inferno.

O capítulo segundo da obra — Chinês Versus Sanpadjudu — tece críticas contundentes a todo o Sistema Judiciário. «E rebate-se que não seria justo nem decente, um Juiz Gatuno, Aldrabãozeco e Falsificador de Processos viver noutro sítio que não atrás das grades. Que a inobservância desse pressuposto se refletiria na incompetência do Presidente do Conselho Superior da Gatunagem, do Bastonário da Ordem dos Aldrabãozecos e do Porcariador-Geral da Selva que já detém uma crachá de inábil nas laudas do seu histórico, nacional e internacional. E propala-se amplamente a marca chinesa na sociedade cabo-verdiana, como as suas propagandas comerciais “Tudo balato” em comparação com um professor de informática da ilha do Fogo quando pede a uma aluna para dar «clica» ao rato», escreve.

O mais ladrão e ostentação do poder

Já o capítulo terceiro — A Ratomacacohumanologia — destaca a utilidade de uma máquina que auxilia o Leão no desvendar de, entre o Rato, o Macaco e o Homem-Bicho, qual era o mais ladrão. Pois, decorria um processo de mudança do nome em que o Macaco havia requerido, por considerar-se injustiçado, continuando a suportar esse epíteto, sendo que, em exclusividade, deveria ser atribuído ao Homem-Bicho. Confirmado o teste efectuado pela «Ratomacacohumanologia», que o Homem-Bicho é realmente o mais ladrão, o Macaco exigiu a que respeitasse a sua honestidade, lhe compensasse os danos causados e ressarcido seu bom nome ignorado. E que por isso se acharia justo passar-se a chamar de «Santo». «E isto suscitou umas gargalhadas emouquecedoras para depois vincar o termo «Santxu» ao par do outro, «Chico» como novos nomes do simão. Ainda nesse capítulo se esboça sobre uma quezília entre o Fonfom e a Abelha com acusações bombásticas contra o Fonfom. A Abelha acusa-o de falsificar sua caca, dulcificando-a e depois introduzi-la no circuito comercial como sendo mel nutritivo».

No capítulo quarto — A Ostentação do Poder e o Poder da Pecúnia — esbarra-se num pequeno e breve confronto entre Leão e um pomposo representante dos equestres. Um Cavalo de uma beleza ímpar, esplendoroso como poucos havia, entrou-se e estacionou a um canto do abrangente anfiteatro, tendo chegado demasiado atrasado, o que despoletou um momento tenso entre ele e o Leão, tendo este, manifestado a vontade de pegar naquela oportunidade e transformar o Cavalo numa refeição Fast food. Mas tudo acabou bem quando o Leão se convenceu de que, afinal, o Cavalo era multimilionário. A partir daí, tudo passará a funcionar a favor do cavalo. A subserviência do Leão era por demais impressionante. A sua pouca-vergonha de terça-feira era já vista na segunda-feira, descreve a nota referida.

Conforme a mesma fonte, no capítulo quinto — A Língua Portuguesa na perspetiva de um Chinês — destaca-se a presença de um menino chinês, o “Chinoquinha”, filho de Kin Wan Ku, com realce ao seu empenho em aprender a língua de Camões. «E alguns nomes dos nossos literatos são aqui avocados: Aguinaldo Fonseca, Amílcar Cabral, António Aurélio Gonçalves, Arménio Vieira, Armindo Tavares, Arnaldo França, Baltasar Lopes da Silva, Carlota de Barros, Corsino Fortes, Dany Spínola, Domingos Cardoso, Dulce Almada, Eduardo Cardoso, Eurides Monteiro, Felisberto Vieira, Francisco Carvalho, Francisco Fragoso, Francisco Xavier, Gabriel Mariano, Geraldo Almeida, Germano Almeida, Isandra da Silva, Ivone Ramos, Jacquelino Varela, João Branco, João Lopes, João Lopes Filho, Jophrey Liobovick, Jorge Barbosa, João Cleofas Martins, João Vário, Jorge Carlos Fonseca, José Lopes da Silva, José Luís Hopffer Almada, José Luís Tavares, José Maria Neves, José Vicente Lopes, Leão Lopes, Luís Romano, Manuel Ferreira, Manuel Lopes, Manuel Veiga, Mário Fonseca, Mário Lúcio Sousa, Mesquitela Lima, Ondina Ferreira, Onésimo Silveira, Orlanda Amarilis, Ovídio Martins, Princesito, Silvino Évora, Teixeira de Sousa, Teobaldo Virgínio, Tomé Varela da Silva, Vera Duarte, Viriato de Barros, Yara dos Santos e Yolanda Morazzo».

Camaleão e tragédia do tetravô

Mas este livro de romance de Armindo Martins não fica porá aí. No capítulo sexto — Origem do Nome Camaleão — o enredo começa a desenrolar-se à volta da Mãe-de-Cabra que não queria acreditar que alguma das suas vergônteas fosse capaz de praticar uma ignominiosa e impúdica ação, tão vil quanto indecorosa. «Ela não queria acreditar que as suas cabritinhas eram piratas nem ratoneiras, muito menos vagabundas ou caloteiras, para fugirem do carro sem pagar o frete ao condutor. E conta as razões pelas quais as Cabras são carrofóbicas. São neste capítulo retratados alguns momentos surreais, como: o pânico no parlamento e o Burro do Chinoquinha que aprendera o A-E-I-O-U da janela da Escola onde ficava amarrado enquanto Chinoquinha assistia as aulas. E conclui-se com um bichinho verde a oferecer-se, como cama, para o Leão descansar suas pestaninhas».

Revela a nota que, no capítulo sétimo — Atitudes Camaleónicas — o episódio, na sua maioria, centra-se nas patifarias do bichinho verde que acabara de receber o epíteto de Camaleão e que era campeão em disfarces. «Nunca demonstra mínimo sinal de arrependimento, nem de remorso ou sentimento de culpa. Não era muito dado às discussões. Dava-se bem com todos, quando estava na presença de todos. Tentava agradar sempre, ao mesmo tempo, a Deus e ao Diabo; aos gregos e aos troianos; ao PAICV e ao MPD; ao Naná e ao Vieira Lopes; ao Amadeu e aos Juízes do Supremo Tribunal da Selva; ao Amândio do PP e ao Óscar Santos. Era um Bicho que, mesmo que lhe cuspissem na cara, pedia desculpas e assumia que ele era o culpado. Que devia ter desviado a cara, evitando que o cuspo lhe acertasse. Mas nas costas de outros Bichos… na ótica dele nenhum prestava. Até lhes prometia, muitas vezes, par de bofetadas, já com gestos e tudo».

O capítulo oitavo — O Julgamento dos Bichos — apesar de narrar uma série de julgamentos escabrosos, começa com a elucidação de alguns momentos dos pleitos eleitorais ocorridos. E o Chico, esquecendo-se que já não tem o mesmo nome, escandaliza-se por ouvir o nome Macaco, mais do que uma vez, metido nos escarcéus da roubalheira e negócios opacos da indústria política. E a importância de novas tecnologias nas investigações, sobretudo o Google, vem neste capítulo aflorada.

Segundo ainda a nota do autor, no capítulo nono — Tragédia do Tetravô do Gato — não só é narrado os íngremes passados de certos Bichos, o foco maior centra-se no motivo pelo qual a Galinha-do-mato, também, se chama Pelada. «Várias versões são aqui alocadas e rebatidas em suas defesas, tanto pelo Gato como pela Galinha-do-mato. É também aqui destacado os pormenores do surgimento de cada ilha e de seus potenciais donatários», refere o documento.

Lei à medida e impacto do medo

Neste capítulo décimo — Lei-medida e Lei à medida — o episódio decorre num repasto onde participam todos os Bichos. Enquanto comem, assistem a um derby, transmitido pela Televisão, entre Porto e Benfica para o apuramento das meias-finais do campeonato português. «O Burro é benfiquista e o Benfica apura-se. E o Burro aproveita-se, procurando recuperar sua dignidade e identidade, diz-se de voz firme e em bom-tom: – «Benfica é campeão. Já estamos nas “peúgas finais”!» E no final do repasto o Chico pede à Cadela para dançar com ele e o Cão à Chica para darem umas passadas. Todos os Bichos fazem as pazes e ficam amigos. Até o Rato e o Gato».

Já o capítulo décimo-primeiro — Agradecimentos — narra uma odisseia protagonizada por um jovem de nome Pedro que anda à procura de uma encantada que lhe servisse de noiva. Entretanto, ele havia encontrado com alguns dos bichos e lhes tinha feito uma partilha assaz equitativa. « E os Bichos agradecem aquele nobre ato, o jovem Pedro é conduzido ao palácio de um Curandeiro, em São Vicente, de nome «Nhô Compô», e acaba-se por casar com a sua única filha, a Cacã. E neste capítulo, contundentes críticas são tecidas contra a IURD — Igreja Universal do Reino de Deus ou, Templo Maior», sublinha a mesma fonte.

O livro termina com o capítulo décimo-segundo — O Impacto do Medo na Educação — o jovem Pedro fixa a sua residência em São Vicente, casa-se com a Cacã e manda buscar a sua mãe, Manhana. «Esta deixa o seu tosco funco lá p’lo lado dos Engenhos, em Santa Catarina, e vai morar num pomposo palacete na cidade do Mindelo, onde nos primeiros tempos é caçoada por falar um crioulo «intxode», numa mescla de variantes de São Vicente e «badiu». Cacã estuda o Direito e forma-se em advocacia. Inscreve-se na Ordem dos Advogados e numa eleição assaz renhida para a Bastonária, derrota o Advogado Macaco e outros sem números de candidatos. Pedro como não conseguiu estudar mais do que a 4ª classe, tornou-se político e, com ajudinha mágica de Nhocompô foi eleito Presidente da Câmara Municipal. Nhocompô, como não sabia nem assinar seu nome… não conhecia o “O” que o Burro deixava sulcado no chão, mas como tinha já algum dinheiro, e era sogro do Presidente autárquico, pela influência deste e pela tentação da pecúnia, foi eleito Vereador da Cultura, Urbanismo e Saneamento».

A primeira medida de fundo e severa, prossegue a nota do autor, que ele tomou enquanto Vereador de Urbanismo, foi a de mandar fechar as portas às Igrejas Universais do Reino de Deus. «Rogou a colaboração dos seus congéneres de outras Câmaras do país e implementaram uma sindicância exaustiva a todas as igrejas Evangelistas, com enfoque pela brasileira de Edir Macedo, a IURD; a cabo-verdiana do Inácio Cunha em Ponta de Água na cidade da Praia, a Adventista do Sétimo Dia das Tendas (CRASDT); a First Love do pastor ganês, Francis Okyere que opera no Palmarejo e convence os fiéis a se jejuarem para pouparem dinheiro e ofertarem à Igreja. Ordenou ainda a prisão de todos os Pastores dessas congregações e a confiscação de seus bens, inclusive o congelamento de suas contas bancárias nacionais e no estrangeiro», conclui a nota do autor do romance «Estórias e comportamentos dos bichos» do escritor Armindo Martins Tavares, cujo lançamento acontece, esta sexta-feira, a partir das 18 horas, na sala de conferência da Biblioteca Nacional, na cidade da Praia.

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