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Arqueologia: Descoberta nova espécie humana em caverna das Filipinas 11 Abril 2019

Foi descoberta nas Filipinas uma nova espécie de humanos com mais de 50 mil anos. Tinham cerca de 1,20 metros de altura e eram adaptados para subir árvores.

Arqueologia: Descoberta nova espécie humana em caverna das Filipinas

Os fósseis do "Homo luzonensis" foram encontrados na caverna de Callao, na ilha de Luzon, no norte das Filipinas. A espécie é datada de há 50 mil a 67 mil anos, na época em que os nossos antecessores e os Neandertais se espalharam pela Europa e pela Ásia.

Nas escavações foram encontrados sete dentes, dois ossos das mãos, três ossos do pé e um osso da coxa. Os investigadores acreditam que pertenceram a dois adultos e uma criança.

Citado pelo jornal britânico "The Guardian", Florent Détroit, do Museu de História Natural de Paris e principal autor da investigação, disse que a descoberta forneceu o "mais recente desafio à narrativa bastante linear da evolução humana".

Durante muito tempo acreditava-se que os humanos só deixaram África há cerca de 1,5 milhões de anos, quando o "Homo erectus" ocupou territórios que abrangiam África, Espanha, China e Indonésia. De acordo com essa narrativa, dizem os investigadores, só depois de alguns milhares de anos é que os nossos antecessores saíram de África (há cerca de 50 mil anos).

"Agora sabemos que era uma história evolutiva muito mais complexa, com várias espécies distintas contemporâneas do Homo sapiens, eventos de cruzamentos, extinções. O Homo luzonensis é uma dessas espécies e vamos perceber que, há alguns milhares de anos, o Homo sapiens definitivamente não estava sozinho na Terra", afirmou Florent Détroit.

Não eram altos, mas subiam árvores

Os pequenos dentes encontrados sugerem que aquela espécie teria cerca de 1,20 metros de altura, mais baixa do que outra espécie antiga, o "Homo floresiensis", apelidado de "hobbit", também encontrado no sudeste da Ásia e datado do mesmo período.

Outra descoberta intrigante foi um osso curvo do pé, semelhante aos de outras espécies, como o "Australopithecus", conhecido apenas na África e datado de 2 a 3 milhões de anos atrás. Segundo os investigadores, essa anatomia indica que os seres têm capacidade de andar sobre duas pernas e subir árvores.

Não se sabe ainda se as novas espécies saíram de África primeiro que o "Homo erectus" ou se são descendentes que mais tarde encolheram e desenvolveram novas características anatómicas.

Os investigadores questionam agora como chegaram estes seres à ilha de Luzon, que nunca esteve ligada ao continente. Especula-se que os primeiros humanos tenham tomado a iniciativa de se fazer ao mar com recurso a algum tipo de jangada. Outra possibilidade é que tenham sido "arrastados" para lá em números expressivos devido a um evento natural, como um tsunami.

"A [hipótese da] chegada por acaso... é favorecida por muitos investigadores, mas isso deve-se sobretudo a argumentos como ’os Homo erectus não eram inteligentes o suficiente para atravessar o mar de propósito’. Mas o facto é que agora temos cada vez mais evidências de que eles se estabeleceram no passado em várias ilhas do sudeste da Ásia, então provavelmente não foi tão acidental", concluiu Détroit. C/JN.pt

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