ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Artur Silva, ministro guineense da Defesa: “Todo mundo tem consciência do que se está a passar na Guiné-Bissau” 20 Abril 2009

Dos cerca de cinco mil efectivos “recenseados” nas Forças Armadas, o governo da Guiné-Bissau espera poder mandar para a reserva, este ano, cerca de 1.400. Estes dados foram revelados hoje, na capital cabo-verdiana, pelo ministro guineense da Defesa, Artur Silva, que encabeça a delegação do seu país à mesa-redonda da Praia sobre a reforma das forças de defesa e de segurança desse país.

Artur Silva, ministro guineense da Defesa: “Todo mundo tem consciência do que se está a passar na Guiné-Bissau”

As FA guineenses possuem um efectivo de 4.575 homens, 42 por cento dos quais são oficiais, 31% praças e 27% sargentos, seguramente um dos mais altos e desproporcionais do mundo, em termos per capita. Eleito há muito como um dos cancros do país, Bissau espera obter dos seus parceiros cerca de 180 milhões de dólares para levar avante um amplo programa de desmobilização de militares. Até porque o grosso desses efectivos data da guerra pela independência do país, proclamada em 1973, em Madina do Boé. Dessa verba pelo menos 50 milhões destinam-se a criar um fundo de pensões e reforma.

O número de países e organismos internacionais participantes na mesa-redonda sobre a reestruturação das FA, que decorre esta segunda-feira na Cidade da Praia, é, para ministro guineense da Defesa, um sinal de que “todo o mundo tem consciência do que se está a passar na Guiné-Bissau”.

Para Artur Silva, apesar da gravidade da situação, não se deu ao longo dos últimos anos a devida atenção aos militares e efectivos da segurança, pelo que urge agora correr atrás do tempo perdido. “Agora, com esta reunião da Praia, é que vamos efectivamente passar à fase de implementação do programa, que já existe, mas que nunca foi posto em prática”, reconheceu, dando a entender que a culpa é da comunidade internacional que não desembolsou a ajuda prometida, pelo menos, desde 2006.

Artur Silva salienta que, no âmbito do anteriormente acordado entre Bissau e os seus doadores, o recenseamento dos efectivos está feito, bem como elaborado o quadro legal em que deverá decorrer a desmobilização e recrutamento de novos mancebos. “É neste contexto que a criação de fundo de pensões e de reforma nas FA é crucial para nós", sublinhou, sendo com base nesse facto que "estamos aqui a pedir à comunidade internacional, no sentido de se engajar muito mais na criação desse fundo de pensões e reforma”.

Contas feitas, Artur Silva estima entre 47 e 50 milhões de dólares a verba necessária para levar avante um fundo de pensão e reforma dos efectivos das forças de defesa e segurança. Assegurada a verba, a ideia, explicou aquele governante, é mandar 1.400 desses homens, primeiro, para a reserva e depois para a aposentação. Todo plano de reestruturação das FA e segurança está estimado em 187 milhões de dólares.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade



Mediateca
Cap-vert

blogs

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project