OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

As crises nos sectores da agro-pecuária e pesca (Parte-II) 29 Novembro 2018

As famílias mais pobres continuam sendo incapazes de melhorar as suas condições de vida.Apesar de muita conversa, conferências e rega-bofes, a pobreza continua aumentando, enquanto os mercenários continuam enriquecendo à custa do Orçamento do Estado. Os recursos para melhorar as condições de vida dos pobres continuam sendo desviados para as mordomias politico-institucionais, como se tudo fosse normal, como acontece no nosso continente.

Por: Carlos Fortes Lopes

(A Voz do Povo Sofredor)

As crises  nos sectores da agro-pecuária e pesca (Parte-II)

Darwin uma vez disse que “a evolução não é verdade, é apenas uma hipótese - são milhões de palpites juntos”, o que traduzido significa que os governantes cabo-verdiano continuam incapazes de aplicar essa teoria de aplicação de palpites, para resolverem os problemas do nosso país.

As famílias mais pobres continuam sendo incapazes de melhorar as suas condições de vida.Apesar de muita conversa, conferências e rega-bofes, a pobreza continua aumentando, enquanto os mercenários continuam enriquecendo à custa do Orçamento do Estado. Os recursos para melhorar as condições de vida dos pobres continuam sendo desviados para as mordomias politico-institucionais, como se tudo fosse normal, como acontece no nosso continente.

Ninguém consegue organizar e reivindicar os direitos constitucionais dos desprotegidos da sociedade. Na área Agro-pecuária, várias têm sido as propagandas de investimentos e, até hoje, só se assiste ao aumento da pobreza, devido à ausência de condições de sobrevivência nas zonas rurais do país.

As populações rurais já gritaram e o eco das rochas não convenceram os governantes que continuam usando o dinheiro do povo ao seu belo prazer.
Os agricultores continuam manifestando as suas insatisfações com a situação precária por que passam e muitas promessas têm surgido, sem um estudo técnico credível e ou uma solução palpável.

Não choveu, as fontes secaram, não existe distribuição regular do líquido precioso, os campos estão vermelhos e as rações escassas, contribuindo para a morte precoce dos animais.

Com esta crise rural as possibilidades de sobrevivência tornaram ainda mais difíceis para essa camada da nossa sociedade cabo-verdiana.

Manter adequadamente os animais tornou-se numa tarefa impossível para os criadores de animais. E, sem esses animais, muitas são as famílias que serão obrigadas a abandonar as suas casas e procurar meios de sobrevivência nas cidades, superlotando as periferias das cidades já saturadas.

Mesmo quando existe algum produto para se comercializar, a situação precária de algumas das vias de acesso e os preços do transporte tornam a conectividade entre essas comunidades rurais e os mercados uma tarefa quase impossível.

O número de famílias que habitam nas zonas rurais estão diminuindo de tal forma que a educação dos seus filhos está tornando um calvário. Os direitos constitucionais dessas crianças residentes nas zonas rurais estão sendo violados, sem que ninguém tome uma posição. Com a ausência de postos escolares nalgumas zonas rurais, os pais são obrigados a pagar transporte para os filhos deslocarem às escolas. Sem recursos financeiros, muitas dessas famílias acabam por não educar os seus filhos, o que por sua vez coloca as crianças em situações de fragilidade social, causando a prostituição precária e uso precoce de estupefacientes e bebidas alcoólicas.

Produtos esses que já deram provas concretas de serem o maior contribuinte às duas maiores epidemias sociais - prostituição e alcoolismo - destruidoras de muitas famílias e a nossa camada jovem. Em muitos casos tem-se verificado que as opções de migração à procura de emprego implicam a venda do corpo por alguns dias ou mesmo meses, como forma de sobrevivência pessoal e familiar.

Os filhos das famílias que habitam nas zonas rurais continuam sendo privados de oportunidades de estudo, trabalho e do seu desenvolvimento humano.

Quanto aos animais que deviam estar a contribuir para a estabilidade dessas famílias, esses continuam sofrendo e morrendo, sem que ninguém seja capaz de apresentar qualquer solução à crise. Aliás, os governantes continuam ignorando o sofrimento dos agricultores e criadores de gado. Essas populações abandonadas pela governação continuam assistindo ao desmoronamento das suas principais actividades de rendimento. No sector das pescas, apesar de haver verbas, dos contratos de pesca com a União Europeia e outros apoios internacionais, as condições de produção pesqueira nas zonas piscatórias continuam sendo calamitosas, idêntico ao que se verifica nas zonas rurais.

Verifica-se total falta de sensibilidade governamental. Essas duas camadas da sociedade continuam à espera de alguma intervenção governamental que melhore as suas principais actividades de rendimento e, lhes proporcione um bem estar e uma vida saudável, como está estipulado na Constituição da República de Cabo Verde.

Por outro lado, os agregados familiares com poder de compra continuam adquirindo apoios que os mais pobres não conseguem obter, por viverem longe da urbe.
Todos os agregados familiares procuram soluções que beneficie as suas comunidades, esquecendo que as soluções devem ser abrangentes (para todos).
Resultado claro do doentio egocentrismo cabo-verdiano.

Não apenas os grupos de riqueza ou agregado familiar com poder de compra têm direito ao bem estar de que todos merecemos e desejamos.

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