MÚSICA

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Entrevista/Assol Garcia: “A Morna é a forma mais doce de passar uma mensagem e de se expressar os sentimentos” 29 Agosto 2021

A artista, natural da ilha do Fogo, Assol Garcia, disse, em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, que a Morna é o género musical que mais se identifica. Define a Morna com uma forma carinhosa de passar uma mensagem e a maneira mais doce de se expressar os sentimentos, seja ele de alegria ou de dor. Neste sentido, com o intuito de divulgar a identidade do arquipélago, de relembrar aqueles que “fizeram, continuam a fazer parte da música tradicional de Cabo Verde, Garcia criou um projeto intitulado Mornas & Memórias”. A jovem, que está nomeada em duas categorias no Cabo Verde Music Awards (CVMA), “melhor coladeira” e “melhor intérprete feminino”, anunciou ainda vários outros projetos e um novo single em andamento. Entende que, por conta da pandemia de COVID-19, o Ministério da Cultura deveria criar mais projetos que beneficiassem mais os próprios artistas. O seu maior sonho é fazer uma turnê pela Europa para divulgar a música tradicional de Cabo Verde. Acompanhe mais sobre a vida e obra desta artista na entrevista que se segue.
Entrevista conduzida por: Luciana da Cruz/Redação

Entrevista/Assol Garcia: “A Morna é a forma mais doce de passar uma mensagem e de se expressar os sentimentos”

A Semana: Conta-nos quem é Assol Garcia?

Assol Garcia: Tenho muitos conceitos em relação à minha pessoa e isto varia em diferentes circunstâncias e talvez nesta, eu diria que Assol Garcia é uma menina/ mulher que aposta nos desafios da vida e nas suas imaginações, tendo como inspiração o próprio fator tempo.

Que balanço faz da sua carreira musical?

- A minha aparição pública iniciou em 2011 e de lá para cá são 10 anos de carreira. Sendo assim, hoje, posso afirmar com toda a convição, que o balanço é bastante positivo. Hoje faço parte duma geração onde há grandes vozes da nossa música e orgulho-me imensamente de fazer parte deste mundo (mundo da música cabo-verdiana).

Porque gosta tanto de interpretar a Morna?

- Não é questão só de gostar. Digamos que seja uma paixão especial, e eu identifico-me muito com este género. Costumo dizer que, eu não defino a Morna, mas sim é a Morna que me define.
A Morna é uma forma carinhosa de passar uma mensagem. É a maneira mais doce de expressar os nossos sentimentos, seja ele de alegria ou de dor. Ela não só é cantada com a voz, mas sim com a alma. Eu particularmente faço os meus desabafos quando me entrego na onda melódica da Morna.

Quais foram os trabalhos que mais tiveram sucesso?

- Acredito que qualquer artista quando faz um trabalho, gosta e aposta em todos, mas há sempre aquele que cai no gosto do povo, e no meu caso não poderia ser diferente. O “Beju Furtado” hoje com 3 milhões de visualizações no youtube é tocado até agora em todo o mundo e ainda com muito sucesso. Da mesma forma, temos o “Sima Kretcheu” que também faz parte dos meus trabalhos mais ouvidos.

Como é trabalhar com o sector da música nos Estados Unidos de América, tendo em conta os desafios e as oportunidades que enfrenta enquanto mulher e estrangeira?

- Vou ser bem sincera, os Estados Unidos de América continua a ser o palco onde tenho bastante prazer e alegria de cantar, e continua a ser o maior palco até agora. Sempre que faço um ‘show’ o resultado é o esperado e o desejado.
Eu não tenho nenhuma dificuldade em exercer a minha profissão neste país, pelo contrário, há muitas oportunidades. Cabe a mim saber como trabalhar e desenvolver projetos que venham ter bons resultados.

Não me sinto “estrangeira” e nem me ponho em tal, a questão é saber adaptar e lidar com firmeza em determinados acontecimentos que vão surgindo ao longo da vida. Sinto, sim, muita falta de estar presente no meu país e acompanhar de perto tudo que faz parte da nossa cultura em diferentes ramos. Ser mulher é simplesmente demonstrar a nossa força e a nossa capacidade em tudo nesta vida sem exceção. Basta acreditar e nunca jamais nos subestimar.

Qual é o seu maior sonho ainda não realizado?

- Desejo fazer uma turnê pela Europa e fazer com que a minha voz seja ouvida e mais conhecida pelo mundo, pelo amor à nossa música e em prol da nossa identidade cultural.

Pandemia e desafios

Como tem driblado a situação da pandemia de covid-19 que está tendo efeito devastador na área da cultura e qual é o principal desafio que teve que enfrentar?

- Quando a pandemia chegou eu estava grávida do meu segundo filho. Por isso, já me encontrava ausente do palco, mas são duas realidades completamente diferentes porque eu poderia ter voltado para o palco, meses após ter dado à luz, mas continuei ausente devido ao vírus. Foi complicado, porque o meu mundo é o palco e fiz da música a minha vida. Foi um choque ter que continuar confinada e de ter que arranjar uma estratégia para estar perto do meu público através das "lives".

Para os artistas que vivem exclusivamente da música foi ainda uma situação de total desespero.

Penso que o Ministério da Cultura deveria, com os artistas, chegar a uma conclusão de qual seria a maneira mais eficaz de criar projetos ligados ao benefício dos próprios artistas, devido o contexto atual, pois esta crise deixou-nos de mãos atadas sem saber o que fazer e como lidar no dia a dia com os nossos compromissos financeiros.

Na sua opinião, qual a relevância da arte em momentos tão delicados como estes?

- Ainda bem que tudo que existe no mundo da arte tem uma razão da sua existência. Refiro - me especialmente à música, porque a sua relevância é reconhecida por muitos como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado agradável de bem-estar, facilitando a concentração e o desenvolvimento do raciocínio, em especial em questões reflexivas voltadas para o pensamento.

Novos Projetos musicais e CVMA

A artista criou um novo projeto intitulado “Mornas & Memórias”, para relembrar aqueles que “fizeram e continuam a fazer da música cabo-verdiana. Qual é a principal finalidade deste trabalho e como surgiu a ideia de homenagear os artistas cabo-verdianos?

- A principal finalidade é continuar a manter as nossas vozes presentes na geração atual. Temos que ter esta responsabilidade como missão porque simplesmente foram eles que fizeram e continuam a fazer com que as nossas raízes chegasse onde chegou. Hoje a Morna, a identidade musical de Cabo Verde, é considerada Património Imaterial da Humanidade e é algo extremamente relevante. Não é só cantar, nem somente ter uma voz linda para cantar, mas sim é saber definir quais são os nossos papéis em prol da nossa música e a identidade cultural do nosso Cabo Verde.

Esta ideia surgiu há muito tempo quando eu mesma decidi definir quem é a Assol Garcia na música tradicional.

Eu tinha que me “vestir” através da minha arte de cantar uma “peça” que fizesse com que todos enxergasse o meu compromisso com a nossa música, e o meu compromisso é também fazer com que Cesária Évora, Paulino Vieira, Bana, Ildo Lobo, entre outros nomes da nossa música, estejam sempre presentes no nosso dia-a-dia.
Mornas & Memórias, nome do meu projeto é constituído por :
Reposódia I . Gravada em Dezembro de 2017. Reposódia II.

Que artista pretende relembrar ou homenagear com este novo projeto “Mornas & Memórias”?

- Todos sem exceção, inclusive há Mornas que valem a pena ser gravadas novamente, numa nova versão, trazendo ainda mais emoção.

Está nomeada em duas categorias no Cabo Verde Music Awards (CVMA), “melhor coladeira” e “melhor intérprete feminino”. Como vê esta conquista?

- O sabor das nossas conquistas é recheado de prazer e sobretudo de satisfação.
Estou feliz de fazer parte, mais uma vez, desde evento que ajuda muito a promover e a divulgar os nossos trabalhos. Todavia, como sempre digo, não trabalho por prémios, mas sim, por amor à nossa música.

Para quando um novo trabalho?

-Tenho mais um projeto em andamento, só falta encaixar as “peças chaves” e depois revelarei do que se trata. Só posso adiantar ser um trabalho que com certeza vai ser bem recebido. Este projeto está a ser desenvolvido com muito amor e também com muita esperança que logo tudo vai voltar nos eixos do que considerávamos normal.

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