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Médico de "incríveis genes de Trump" é indiciado por assédio e perseguição a funcionários na Casa Branca 08 Mar�o 2021

O relatório ontem divulgado contém "indícios sérios" de que o médico de Trump na Casa Branca, Ronny Jackson — atual representante do Partido Republicano no Congresso —, humilhou e dirigiu "comentários de teor sexual e denigritórios" a funcionários, transgrediu as normas sobre o uso de soníferos e bebidas alcoólicas em serviço. A "longa investigação conduzida durante anos", pelo Departamento de Estado é divulgada mais de dois anos após ocorrer o último dos factos denunciados.

Médico de

Os indícios de transgressões cometidas por Ronny Jackson — médico entre 2002 e 2018 na Casa Branca e atual representante do Partido Republicano-Texas no Congresso — estão no relatório da Inspeção-Geral do Departamento de Estado, Pentágono, divulgado na quinta-feira, 4.

O médico da Casa Branca, que em 2018 se destacou com o comentário sobre "os incríveis genes" de Trump, tem, segundo a investigação do Pentágono realizada sobre vários anos na Casa Branca, um longo historial de infrações.

Jackson dirigiu "comentários de teor sexual e denigritórios" a funcionários; "insultou, desprezou, humilhou e perseguiu" subordinados, "transgrediu a norma sobre o uso de soníferos, como Ambien", e em servoço consumiu bebidas alcoólicas".

Pelo menos em duas visitas presidenciais ao estrangeiro "os colegas recearam que a embriaguez" de Jackson pudesse "interferir na sua capacidade de prestar cuidados médicos adequadamente".

Os comportamentos descritos "contribuiram para criar um clima tóxico" em torno de Jackson que esteve ao serviço da Casa Branca nas presidências de Bush, Obama e Trump.

A investigação conduzida pelo Departamento de Estado é divulgada vários anos após os factos — e cuja investigação foi despoletada por queixas formais das vítimas.

78 testemunhas depuseram, algumas intimidadas

O médico, segundo o relatório da investigação que ouviu setenta e oito pessoas e trabalhou sobre "um grande número de documentos" —, "falhou" e "tratou sem respeito nem dignidade os seus subordinados" e "falhou no sua obrigação de constituir-se como exemplo".

O relatório do Pentágono focou em especial a viagem em 2014 às Filipinas. Segundo testemunhas, Johnson "com o uso de linguagem em calão", comentou com um colega que "queria ver até onde iam as tatuagens" de uma médica, sua subordinada. Uma segunda mulher da equipa também teria sido vítima do mesmo tipo de comentário denigritório.

Na capital filipina, diz o relatório que Jackson "bebeu álcool com os seus subordinados em Manila, até se embriagar", e "no seu quarto de hotel comportou-se de tal modo, a falar alto e gritar, que as testemunhas recearam que ele iria acordar o presidente" Obama.

Também em Manila, segundo as testemunhas depuseram ao Pentágono, Jackson certa noite esteve entre "a uma e as duas da madrugada a bater à porta do quarto duma médica sua subordinada".

Investigação obstaculizada

O relatório aponta que houve tentativas de "intimidação de testemunhas", que foi um dos obstáculos que "tornaram a investigação muito limitada e pouco produtiva".

As tácticas incluiram "conselheiros da Casa Branca na administração Trump" que "insistiam em que todas as entrevistas decorressem na sua presença, com um "potencial intimidatório" que afetou a investigação".

Perseguido por ser apoiante de Trump

Ainda na quinta-feira, o visado Jackson, que saltou para o foco mediático pelos pronunciamentos hiperbólicos sobre a saúde do seu último paciente presidencial, negou todas as alegações contidas no relatório do Pentágono.

O atual congressista texano enfatizou que está a ser vítima de "ataques de motivação política" dados os "laços estreitos" que mantém com o ex-presidente Trump" a quem não "vir[ou] as costas e que continu[a] a apoiar".

Recorde-se que Trump tentou promover Jackson em maio de 2018 como secretário de Estado para os Assuntos dos Veteranos. O Senado chumbou-o e Jackson voltou à Casa Branca numa posição subalterna. Pouco depois dos 50 anos, reformou-se da carreira de médico militar com o grau de vice-almirante.

Fontes: Washington Post/The Hill. Foto (AP): Nesta foto da Casa Branca, o médico Ronny Jackson durante uma conferência de imprensa diária em 2018.

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