OPINIÃO

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Atitudes das mentes humanas no pensamento progressista que, muitas vezes, tornam-se anti-progresso, criando fosso na sociedade 20 Novembro 2020

O povo já deu sinal de despertar do sono profundo de baixo do manto pesado dos partidos políticos. Esperemos que esses sinais não venham a ser driblados pela corrupção forte que existe no país e haja maior sensibilidade no seio dos partidos políticos na ponderação das reações populares e reverem as posturas usadas até hoje, na governação daquilo que é de todos nós.

Por:Efrem Soares

Atitudes das mentes humanas no pensamento progressista que, muitas vezes, tornam-se anti-progresso, criando fosso na sociedade

O homem, dado à sua imperfeição, nunca chega a primeira, em resultados preconizados, quando são desencadeados processos de desenvolvimento de ideias. O bem disso tudo é que teimosa e persistentemente e com resiliência natural, acaba por chegar ao resultado final.

O segredo está na resiliência, porque qualquer ideia transformada em projeto tem os seus prós e contras, o mais importante é a capacidade de vencer os obstáculos, o que, na maioria das vezes, é abandonada a ideia/projeto perto do sucesso.
Cabo Verde, sendo um país arquipelágico, com os seus obstáculos naturais, desde a sua descoberta, nunca foi atrativo, por não oferecer, de bandeja, o que o homem encontra com alguma naturalidade em outras paragens. E é aqui que reside o segredo, onde existe tudo. O cérebro naturalmente não funciona, como devia.

Exemplos de superação de obstáculos: o velho continente, parte do continente asiático, e o médio oriente desenvolveram porque apostaram em dar combate aos obstáculos naturais.

Aqui, em Cabo Verde, também, tem aparecido ideias de algum sucesso – alguns exemplos:

Reflorestação

Plantação de árvores, que inicialmente iniciou com a acácia. Verificou-se que consumia muita água e dava cabo do solo, porque as suas raízes faziam um longo percurso à procura da água, mesmo assim as suas vagens ajudam na ração dos animais e fornece a madeira para preparação do carvão e ainda ajuda as pessoas na pobreza extrema na preparação dos alimentos.
O bem do projeto é que não parou e, até hoje, já foram introduzidas várias outras espécies de árvores e arbustos em Cabo Verde, inclusive árvores fruteiras que os resultados estão em progresso.

Gás botano

Introdução do camping gás em Cabo Verde, foi uma “revolução”. O gás passou a ser acessível às camadas mais desfavorecidas e passamos a ter novamente as plantas, (árvores e arbustos) que estavam em via de extinção, dada à apanha desenfreada das mesmas para se utilizar na preparação dos alimentos, passaram a abundar nos nossos campos. Se não fossem a escassez das chuvas e períodos alongados de seca, Cabo Verde permaneceria verde, com pastos para os animais em abundância e com a agricultura desenvolvida.

Barragens, agricultura e pecuária

As barragens, por mais que muita gente queira que sejam colocadas de lado, são de uma grande utilidade, para além de reterem e preservarem a água, para abastecer as propriedades agrícolas e sustentar a pecuária, criam micro espaço húmido nem que temporário, com tendência em algum perpetuamento nas décadas de pluviosidades mais regulares, fazem surgir florestas e garantir a existência de muitas vidas animais, para além de proteger a deslocação de materiais que perdem do solo e vão para ao mar.

Trazem mais vantagens do que desvantagens.Todas as obras implementadas, para além de manter, cuidar e corrigir falhas, devem ter ideias/ projetos alternativos, isso sim! O que não pode é colocar obras fruto das ideias dos outros de lado, onde foi investido o suor de todos, com certificado de invalidez.

Se dependermos de uma única ideia/projeto, perderemos no mato sem cachorro.
Por isso é que se deve desenvolver ideias projetos paralelos. Exemplo: Paralelamente às barragens, temos a produção de água, utilizando energias renováveis – ideia/projeto em curso. Isto para podermos desenvolver a agricultura e a pecuária e passarmos da produção de subsistência, para a do mercado de competição interna e externa. Provoca o surgimento de outros projetos paralelos de continuidade, como estradas de acessos, transportes, fábricas de transformação, comércio, retorno de pessoas ao campo, desmotivação para o êxodo rural, entre outros aspectos.

Pesca e marinheiros

Por incrível que pareça, Cabo Verde já teve frotas de pesca de mar aberto, (oceano), que perseguiam os cardumes, no seu percurso natural, pescavam nos mares de Cabo Verde e na Costa Africana. Hoje, os nossos mares não são exploradas por nós. O nosso peixe é autorizado para captura por ninharia e perdemos oportunidade de transmissão de experiências de mais de 200 anos dos nossos marinheiros pescadores que fizeram sucesso no Oceano Atlântico, levando as experiências a quem os apreciou, como os Estados Unidos da América, no período da pesca da baleia. Isti não por falta de ideias e projetos, mas sim por falta de interesses dos sucessivos governos, porque acham que privatizar é a solução principal e desejável. Privatiza-se até o mar, em que ficamos a pescar na areia, capturando às presas em fase de crescimento, pondo em causa a procriação das espécies, (ecossistema), fomentando ainda mais a linha de pobreza extrema no país.

O Sal da cozinha

O sal que outrora foi explorado em abundância, exportando milhares e milhares de toneladas anualmente, caiu devido a mitigação da procura, principalmente do último mercado da Costa Africana, onde era utilizado na adubação de terrenos agrícolas, bem como exportávamos os restos de peixe cozido e secado das fábricas (cabeças, tripas, asas, pelos, parte do peixe retirada na limpeza para o enlatamento) transformados em farinha, que também era exportada para adubação de terrenos agrícolas.

Dado que esses países passaram a produzir o próprio sal, a demanda caiu, levando as companhias de produção do sal à falência. Infelizmente, com a ideia de exportação do sal a granel e a grande escala, bloqueou-se a visão do negócio de transformação do produto, com a moagem e ionização, com a introdução de novas formas e dimensões de embalagens, para fins diferentes e conquistar outros mercados onde o sal é utilizado, como na restauração, cosmética e outros, em números e fins diferentes, conquistando o mercado nacional e externo.

Energia elétrica.

Cabo Verde, no seu processo evolutivo, vem ultrapassando obstáculos e aumentando o seu índice de desenvolvimento territorial e humano, graças às tecnologias e conhecimentos importados consideráveis, através de politicas implementadas pelos sucessivos governos, na disponibilização de acesso à educação externa e interna, fruto das boas relações com países amigos, que, para além disso, ainda financiam as necessidades orçamentais do nosso estado, que vêm permitindo, grandes avanços na produção de energia elétrica, com a construção de centrais únicas em todas as ilhas do país, permitindo assim baixar o custo da produção, levando a energia elétrica a grandes espaços urbanos e rurais, acompanhado de investimentos nas energias renováveis, com maior possibilidades de elevação da taxa de penetração nas redes publicas.

Apesar disso, os constrangimentos ainda persistam. A energia renovável eólica, que foi introduzida com a intenção de baixar o custo ao consumidor, não produziu até agora os efeitos esperados, já que ainda o preço de venda para a distribuição está muito alto em relação à produção térmica, que depende do preço do petróleo, no mercado internacional.

Dada a existência de uma franja da população ainda a viver abaixo da linha da pobreza e por residiram em espaços sem condições urbanísticas, cria-se a pretensão para a aquisição ilícita da energia elétrica, mesmo pondo em perigo a própria vida, a dos familiares, vizinhos e da própria produtora/distribuidora, o que sustenta a existência de uma classe de elite que apodera da energia elétrica de modo fraudulento e Instituições do estado e privados que não honram os seus compromissos e muitas vezes com a proteção dos governos para a manutenção do fornecimento.

Criando estes obstáculos às empresas de produção e distribuição de energia, que são desafios passiveis de serem vencidos, com um trabalho que exige esforço de todos, principalmente dos governos, na criação de políticas de eliminação da pobreza extrema, com o combate à corrupção do colarinho branco e não só.

Estes desafios serão vencidos quando se criar uma grelha salarial nacional mais justa e de inclusão, principalmente para aqueles que se predispõem em servir o País, ajustada às mais desfavorecidas e fazer uma gestão racional dos bens públicos e do dinheiro público, imprimindo maior transparência e fiscalização dos pertences do estado e afins. A maior fatia de produção de energia em Cabo Verde pertence ao estado e a distribuição idem.

Seca e produção de água

Tem sido uma luta titânica de todos os tempos, dada a importância da mesma na manutenção da vida animal e vegetal, com a escassez das chuvas em Cabo Verde.
As ilhas do Sal e S. Vicente foram as primeiras em que foram introduzidos processos de dessalinização, através da água do mar, mesmo antes da independência e com maior ênfase após a independência, em que mais ilhas já foram abrangidas em que vários processos já foram experimentados, estando neste momento em exploração o que mais se adequa com as nossas necessidades em termos m3/pessoa e m3/custo de produção. E nisso os sucessivos governos não têm poupado esforços, apesar de longos períodos de penúria e a existência de alguma necessidade ainda em alguns pontos do país.

Jornalismo e governação

A Comunicação Social deveria cuidar dos assuntos sérios do país, “nação”, mas cuida e protege os governos. A fragilidade jornalística em Cabo Verde é gritante: os jornalistas, princpalmente os órgãos públicos, cinjam-se em trazer ao povo recados dos governantes, seguindo na íntegra as determinações dos governos sem os beliscar, defendendo o salário e não a honra profissional, como se o salário auferido não fosse da proveniência do trabalho do povo. Exemplo: Algures em Cabo Verde, está em curso a construção de uma central de produção de energia elétrica, que foi adjudicada à uma empresa estrangeira de caris, tipo construção civil, em detrimento de outras empresas também estrangeiras de renome no mercado internacional na construção de centrais e que têm construído centrais em Cabo Verde, tem dado alguma estabilidade e tranquilidade, na produção, após um longo período de penúria neste ramo. Tudo indica que a avaliação que mais ponderou no processo foi a de baixo preço.

Pressupomos que a diferença do custo mais o não domínio do ramo sejam a principal razão do grande atraso na entrega da central, que normalmente deveria acontecer em abril de 2019, estamos em novembro de 2020 e ainda está por ser entregue.
Perguntamos: Valeu a pena, no momento da análise das propostas, ponderar mais no custo, do que no savoir faire? Será que a diferença já não foi ultrapassada com o atraso na entrega da obra? No tipo de equipamentos que vão ser entregues e na qualidade do produto final?

Não se ouve falar nada na comunicação social do estado, nem nas redes sociais, nos jornais online, dada a censura exercida na comunicação social no geral, bem como a pressão da classe elite corrupta existente, que amedronta os jornalistas.

Transporte marítimo e aéreo

Sector onde Cabo Verde passou de regular, antes da independência para muito aceitável no pós-independência, no regime do partido único, para perder, com a abertura política e nunca mais encontrar um melhor caminho. Idem para o transporto aéreo.

Esses dois sectores de transportes têm sido o calcanhar de Aquiles para os sucessivos governos de Cabo Verde.

Turismo e impacto económico

A sua primeira pedra, foi lançada com a construção do casarão belga nos anos 70, na ilha do Sal na vila de S. Maria, para fins de relax da família vynckier, que ganhou corpo com solicitações de prestação de serviços das companhias aéreas, SAA, AEROFLOT, CUBANA, ANGOLANA, ETC, para descanso das suas tripulações.

Veio a conhecer um novo rumo em 1986, com o projeto de transporte de energia e água, diretamente da localidade da Palmeira para a vila de S. Maria. Paralelamente surgiu o projeto da construção do Hotel Belorizonte, construída para fins turísticos, os Hotéis Djasal, Crioula e Farol. Assim, veio se conhecer um boom, na via do turismo do all inclusive no Sal.

Hoje o número de hotéis na ilha do Sal e em todo o cabo verde é enorme, transformando, no conjunto, na maior indústria do país, apesar de muitos no início não acreditaram nesta possibilidade. O turismo veio para alavancar o desenvolvimento de Cabo Verde, mesmo arrastando consigo coisas menos boas, mas possíveis de serem corregidas, contribuindo nos dias de hoje com 25% do PIB para a Nação Cabo-verdiana.

Povo e políticos

O povo já deu sinal de despertar do sono profundo de baixo do manto pesado dos partidos políticos. Esperemos que esses sinais não venham a ser driblados pela corrupção forte que existe no país e haja maior sensibilidade no seio dos partidos políticos na ponderação das reações populares e reverem as posturas usadas até hoje, na governação daquilo que é de todos nós.

Que todos almejemos contribuir para uma maior e melhor redistribuição de riquezas no país.

Abraços salenses e da cabo-verdianidade.

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