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Contestação por ausência de autoridades: Ativista social angaria fundos para custear regresso de criança com paralisia cerebral de Dakar 08 Maio 2019

É chocante o caso que reportamos a seguir. Ativista social Cléder Barbosa, que reside na Cidade da Praia, não mediu esforços para, mediante o alegado silêncio das autoridades nacionais, angariar apoios e ajudar Gabriel Martins, de 04 anos, que sofre de paralisia cerebral, a regressar a Cabo Verde, depois de o mesmo ter recebido tratamento médico no Senegal. Conta que a mãe, Deolinda Martins que acompanhou a criança deficiente (ver foto interior) para aquele país vizinho, durante nove meses, ficou desesperada por falta de meios para regressar com o filho a Cabo Verde, cujo tratamento terminou há quatro meses. Os críticos perguntam onde estavam as autoridades do país, nomeadamente a Embaixada de Cabo Verde no Senegal e o Ministério de Saúde que não se dignaram a resolver essa situação grave por que passou Deolinda Martins.

 Contestação por ausência de autoridades: Ativista social angaria fundos para custear  regresso  de criança com paralisia cerebral de Dakar

Para observadores atentos, este caso, de falta de condições para o regresso de uma criança doente ao país de origem, é chocante, diante tantos esbanjamentos que se registam em Cabo Verde em viagens de governantes e a realização de festivais. «Felizmente o caso em apreço teve um desfecho positivo com a solidariedade conseguida», ressalvam as mesmas fontes.

É que, insurgindo-se contra o desassossego da Deolinda Martins, Cléder Barbosa conseguiu desencadear uma campanha e angariar fundos para custear a viagem de regresso, de Dakar – Praia, da pobre família, através de amigos residentes nos EUA e de realização de várias atividades de sensibilização - um pouco por todo Cabo Verde.

Este ativista social conta ao Asemanaonline que, para além do Gabriel, a mãe tem mais três filhos e vive com muitas dificuldades. “Por isso, esta situação me comoveu e me senti obrigado a promover uma campanha de sensibilização no sentido de angariar algum dinheiro para ajudar os dois a regressarem à terra-natal. Tudo deu certo. Agora estão a preparar para viajar, de Senegal rumo à cidade da Praia, daqui a poucos dias”, declara satisfeito Cléder, mostrando-se realizado por este ato de solidariedade.

Outras ações e silêncio das autoridades

Cléder garante ainda que desde 2016 tem feito várias campanhas de sensibilização com o objetivo de apoiar crianças portadoras de deficiências psico-motoras no país, particularmente na cidade da Praia. “Aliás, tenho alguns amigos que me apoiaram com cadeiras de roda e já consegui ajudar cerca de 30 crianças que não tinham meios para circularem de um lado para o outro”.

Na história de Gabriel Martins, de 04 anos, é perceptível que por trás da fragilidade há também muita força de vontade, a crença de que é possível andar sozinho. Ele nasceu com paralisia cerebral, mora com a mãe e mais três irmãos em Achada Mato, Cidade da Praia. Para Cléder, o mais importante é que a criança se sinta feliz e receba carinho de todos.

Entretanto, diante da situação difícil da Deolinda Martins, críticos perguntam onde estavam as autoridades do país, nomeadamente a Embaixada de Cabo Verde no Senegal e o Ministério de Saúde que não se dignaram a resolver o caso em apreço. Como alertam, é muito provável que existam muitas outras famílias carenciadas nessa situação, quer no Senegal, quer em Portugal. Segundo concluem os interlocutores deste jornal, é caso para dizer que a inclusão social com solidariedade precisa-se em Cabo Verde!

Segundo chegou a informar a Associação Acarinhar, os únicos dados mais fiáveis sobre a paralisia cerebral em Cabo Verde data do Censo 2000, feito pelo INE. Na altura fixou-se em 1500 o número de crianças com essa doença, sendo 500 só na cidade da Praia - mas precisam de ser actualizados. E muitas dessas crianças vivem em condições sub-humanas. Numa iniciativa da Câmara com apoio de vários parceiros, S.Vicente é das poucas ilhas que tem um centro equipado para acolher crianças com paralisia.

CL

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