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Atualização do ’caso Natalia’ acusada de ser "sociopata anã, 14 anos mais velha" por pais adotivos : Vive feliz com 3ª família adotiva 03 Outubro 2021

"Criança abandonada" em 2013 pelos pais adotivos Barnett que acusados defenderam-se em tribunal alegando que a filha adotiva é "uma anã sociopata de 20 anos a fingir ter só oito anos", Natalia continua a viver no mesmo Estado, Montana. Natalia está a cargo do casal formado por Antwon Mans, de 36 anos, e Cynthia de 39, para quem "ela é uma boa menina", "feliz" e que trouxe "alegria" à sua nova família. Lamentam é que não podem legalizar a sua situação e repor a sua verdadeira idade porque os Barnett "conseguiram convencer o tribunal a envelhecê-la 14 anos".

Atualização do ’caso Natalia’ acusada de ser

Esta semana, divulga-se o veredicto do Supremo Tribunal de Montana que ilibou os Barnett dos oito crimes relativos à negligência com criança, vulnerável". O tribunal de último recurso — ao confirmar a decisão do tribunal que em agosto passado inocentou os pais adotivos — atirou a Natalia para um limbo social: ela "ganha" mais catorze anos de idade e com isso perde catorze anos de vida, a começar pelo facto de que não pode frequentar a escola. Um roubo legal de identidade.

Há dois anos, em outubro de 2019 o caso de Natalia, em Montana, Estados Unidos, saltou para a web-esfera e a mãe biológica Anna Volodymyrivna Gava, de 40 anos, residente em Mykolaiv, no sul da Ucrânia, saiu do anonimato para confirmar que a menina "nascida em 2003" foi diagnosticada com uma forma rara de nanismo. "Não tens condições para a criar, tens de dá-la para adoção", disseram-lhe a mãe e avó da criança e os médicos.

"Pensei que ela ia ser feliz, não sabia ... Todo este tempo pensei que ela estava bem na América. Só agora soube que os pais adotivos disseram coisas horríveis dela", disse dezasseis anos depois, à reportagem do britânico Daily Mail, esta mãe sobre a filha que teve de entregar ao orfanato da cidade.

Anna Gava, que cria quatro filhos, conta entre lágrimas: "A última vez que a vi ela era muito pequenina, perninhas curtas, bracinhos, sem pescoço". "Os médicos disseram que ela ia ficar presa a uma cama o resto da vida. Nunca mais a vi".

"Filha, perdoa-me. Gostava que nos teus 18 anos viesses à Ucrânia para eu te ver", apelou Anna Gava.

Família adotiva levada a tribunal em 2019 por abandono de criança defende-se: "Ela não é criança, em 2013 tinha 22"

Em junho de 2012, o tribunal estadual, Marion County Superior Court, em Indianápolis — não obstante as diferentes opiniões nos certificados médicos — deferiu o pedido de Kristine e Michael Barnett para alterar a data de nascimento da Natalia em mais 14 anos.

Em 2013, três anos depois da adoção na Flórida, "enganados sobre a idade" de Natalia que os documentos indicavam ter nascido em 04 de setembro de 2003, Kristine e Michael Barnett decidem mudar de casa e de país. De facto, nesse ano o casal divorcia-se. Mas em sua defesa, dizem que rumaram ao Canadá, para longe da filha adotiva que, afirmam, tinha não seis mas 22 anos e lhes fez a vida um inferno.

Em 2014, Natalia ouvida pelas autoridades diz que os pais adotivos a deixaram "independente", com stamps food (senhas de refeição) e comida enlatada.

Em 23 de setembro de 2019, os pais adotivos Barnett foram constituídos arguidos por "negligência com vulnerável", "abandono de criança". Em sua defesa mostraram registos como os referidos (dois parágrafos acima) e sobretudo o facto de que em setembro de 2014, em busca de apoios sociais, Natalia afirmou a entidades oficiais que era "independente" na casa cuja renda era paga pelos Barnett.

Certo é que Natalia "independente" em busca de apoios sociais contou a entidades oficiais, incluindo a polícia local, que tinha em 2008 chegado aos Estados Unidos, no âmbito de um programa de adoção. Com que idade? Dos relatos dos media não é possível depreender que as autoridades lhe tenham feito essa pergunta.

Mas no programa Dr Phil (ao centro com os pais "adotivos" Mans) ela afirma ter 16 anos. O psicólogo Phil McKelly entende que Natalia acredita ter essa idade e acrescenta que "no contexto destes processos de adoção com países do leste" ela tanto "pode ter doze" como "dezasseis ou mesmo vinte, mas nunca trinta".

Os Barnett foram unânimes sobre sentirem a vida ameaçada devido à alegada agressividade (em palavras e ações) de Natalia. Nas entrevistas que deu, a jovem esclarece que tudo aconteceu com um equívoco em 2008, na sua família adotiva em New Hampshire. "Estava a brincar de lutar com um dos meus irmãos adotivos, como sempre fazíamos, mas nesse dia ganhei e a mãe decidiu que não me queria mais", disse ao Dr Phil.

Nanismo

A narrativa da família Paul, pai, mãe e filha com a mesma idade de Natalia, que apresentam a mesma forma de nanismo conhecida como displasia congénita espondiloepifisária, lança outro entendimento sobre a trajetória e identidade da jovem.

Os Paul contaram à CNN que em 2009 receberam Natalia na sua casa, onde passaram meses "felizes" em família como demonstram com fotos e vídeos.

"Queríamos muito que ela ficasse connosco", mas foram preteridos na adoção. As autoridades preferiram entregar a criança aos Barnett, pais de três rapazes. Talvez porque a mãe e autora famosa Kristine escrevera sobre o seu filho especial e o entendimento seria de que ela estava preparada pra lidar com Natalia e da sua doença?

Doença congénita (isto é, desde o nascimento), a displasia congénita espondiloepifisária afeta os ossos da coluna vertebral (espôndilo) e as extremidades dos ossos (epífise).

Barnett inocentes

Em outubro de 2019, perguntava-se: "Irá o tribunal condenar os Barnett por abandono de menor ou inocentá-los-á perante adulta burlona?"

O tribunal de Lafayette retirou as queixas contra os Barnett em agosto de 2020, oito meses após a audiência de 15 de outubro que agendou a audiência seguinte para 28 de janeiro.

O recurso ao Supremo confirmou a sentença.

Versão dos Barnett venceu e legalizou "limbo social" de Natalia que os Mans lamentam não poder legalizar

O procedimento judicial incluiu a análise dos registos médicos, como o scan do Hospital Pediátrico de Peyton Manning, Montana que lhe atribuiu onze anos de idade em 2014. Esta a idade oficial — baseada nos registos de nascimento desde a Ucrânia — até 2014 quando o tribunal lhe alterou a idade.

Mas outros registos, como os testes psiquiátricos — realizados nas "diversas vezes" em que foi hospitalizada entre 2011 e 2012 no ’St. Vincent Stress Center’ da capital estadual e de 2012 numa instituição psiquiátrica pública—, indicaram doenças mentais "consistentes com pacientes no fim da adolescência ou já nos vintes".

O tribunal em 2020 aceitou e julgou os Barnett com base nesses últimos registos. "Justiça feita" para os Barnett teve um contraponto, negativo para o futuro de Natalia, que os Mans conheceram em 2013 — depreende-se que por iniciativa oficial.

Segundo uma pessoa que fala em nome do casal com cinco filhos biológicos, os Mans tentam em vão desde 2016 legalizar a situação de Natalia. O tribunal indeferiu o pedido de adoção alegando que ela é maior. A idade foi estabelecida na audiência que deferiu o pedido de Kristine Barnett em 2014 (já divorciada).

Desde 2016 "tentámos falar com os Barnett", "o tribunal não dá abertura e diz que ela tem mais de trinta anos! Natalia não pode fazer nada, nem pode ir para a escola!", disse o porta-voz da família Mans.
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Fontes: CNN/ USA Today/ Insider/... . Fotos: 1. Kristine Barnett. 2. Em casa e na TV, Antwon e Cynthia Mans com a filha adotiva Natalia que não podem legalizar. 3. (cedidas pelos Paul ao Daily Mail/CNN): Em 2008 e 2009, tentaram adotar a menina que passou muitos dias com eles, da mesma idade da filha também afetada por nanismo. "É ridículo" dizer que tenham mais que a sua idade. Ambas têm "seis anos" — não os 20 que os Barnett disseram em sua defesa sobre Natalia. Mas o Supremo acaba de confirmar a decisão do tribunal que em agosto passado os inocentou dos crimes de que eram acusados, exposição de vulnerável e conduta negligente para com Natalia deixada a morar sozinha aos dez anos).

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