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Aumento da dívida dificulta recuperação das economias africanas - UNECA 05 Novembro 2022

A Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) considerou hoje que o aumento da dívida face ao PIB, de 57% em 2019, para 66% este ano, está a dificultar a recuperação das economias africanas.

Aumento da dívida dificulta recuperação das economias africanas - UNECA

"A pandemia de covid-19 e o guerra Rússia-Ucrânia está a ter um impacto negativo no desempenho orçamental dos países africanos, onde o rácio da dívida face ao PIB aumentou de 57% em 2019 para 66% em 2022, devido à despesa em saúde e aos custos sociais que os países enfrentaram no seguimento do confinamento", disse o diretor da divisão de Macroeconomia e Governação, Adam Elhiraika.

De acordo com um comunicado da UNECA, o diretor vincou ainda que com o enfraquecimento das moedas nacionais e a crescente dívida externa, "a crise global multifacetada exacerbou o sobre-endividamento em vários países africanos", que precisam, assim, de mobilizar financiamento inovador para desenvolverem programas de desenvolvimento e de gestão da dívida.

A UNECA salienta que para os países africanos importadores de petróleo o rácio da dívida já vai nos 73% do PIB "devido ao facto de os custos energéticos terem disparado por causa da crise na Ucrânia", que teve entre as principais consequências económicas a redução do fornecimento de cereais e o encarecimento do petróleo e gás para os países africanos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), no seu mais recente relatório sobre a África subsaariana, recomenda ao G20 renovação da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) e a UNECA salienta que dos 73 países elegíveis para esta iniciativa, 52% estão em África, com 48 países a participarem na ação que conseguiu suspender pagamentos no valor de quase 13 mil milhões de dólares (13,1 mil milhões de euros) entre maio de 2020 e dezembro de 2021.

Para ajudar os países mais endividados, a UNECA lançou no ano passado o Mecanismo de Liquidez e Sustentabilidade para reduzir os prémios de liquidez e melhorar o acesso dos países aos mercados internacionais da dívida através de um mercado de recompra de títulos.

"Este mecanismo tem o potencial de poupar aos países africanos cerca de 11 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos em custos de endividamento, e já atraiu interesse dos investidores internacionais, tendo um potencial de poupança de até 30 mil milhões de dólares no primeiro ano", lê-se ainda no comunicado. A Semana com Lusa

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