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Aumento da insegurança no País pode estar relacionado com a perda de postos de trabalho, diz especialista 06 Mar�o 2021

O investigador em segurança José Maria Rebelo disse hoje que o recrudescer da insegurança no País pode estar relacionado com a perda de postos de trabalho em diferentes espaços e também da mobilidade criminal.

Aumento da insegurança no País pode estar relacionado com a perda de postos de trabalho, diz especialista

Segundo este especialista em segurança, o aumento da criminalidade tem várias leituras e uma delas pode indicar que, depois de uma calmaria, a situação, por um lado, “não estaria de todo controlada” e, por outro, “pode estar intimamente relacionada com mecanismos de stress originado pelo factor de perda de postos de trabalho”.

José Maria Rebelo fez essas considerações ao ser instado pela Inforpress, a propósito do agravamento da criminalidade em Cabo Verde, em particular na Cidade da Praia.

Em seu entender, a mobilidade criminal pode ocorrer também de medidas tomadas em relação a um determinado espaço, o que obriga os criminosos a movimentarem-se de um sítio para outro.

Cita o exemplo do ano de 2019, em que foi adoptado um conjunto de medidas e na sequência das quais se notou que em determinados municípios se registou o “aumento de criminalidade num ritmo nunca antes registado”.

Tomando como referência os municípios do Fogo, Boa Vista e Porto Novo, em Santo Antão, afirmou que o “aperto da situação na Praia pôde fazer com que as pessoas [os criminosos] se deslocassem para aquelas ilhas”, onde a incidência da criminalidade era “menos intensa” em relação ao que se verificava, por exemplo, na Praia e no Mindelo (S. Vicente).

Na sua perspectiva, a redução dos postos de trabalho provocada pela pandemia da covid-19 e, consequentemente, a diminuição de rendimentos em pólos como a Boa Vista e o Sal fez com que as pessoas regressassem aos seus pontos de origem.

O stress provocado pela falta de rendimentos, realçou, pode ser um “factor determinante” para que novos casos de criminalidade começassem a ocorrer.

“O stress social provoca, para uns, o descuido e, para outros, a procura de oportunidade para fazer assaltos”, assegurou José Maria Rebelo, para quem a animosidade entre diferentes grupos pode atingir o nível de stress de tal ordem a provocar o aumento da criminalidade.

Este especialista em segurança interna admite não ter dúvidas que o aumento da criminalidade estará relacionado com o desemprego.

Na sua opinião, o aumento da criminalidade pode estar igualmente relacionado com as medidas que, eventualmente, “não estejam adequadas” ao seu combate.

“O fundamental para a prevenção da criminalidade tem de começar por uma política de educação para a segurança”, sugeriu.

“No início desta legislatura, tivemos sinais evidentes de, pelo menos, do ponto de vista da planificação, ou do discurso da comunicação política, uma demonstração de alteração de paradigma”, comentou o especialista para depois lamentar que a manifestação feita “foi apenas uma perspectiva discursiva, o que leva o cidadão comum a retrair na sua posição de colaborar ou não”.

Referindo-se aos valores investidos no sistema de vídeo-vigilância, afiançou que ainda não se conhece os resultados.

“Nota-se claramente que há uma visão de investimentos em meios, em detrimento do empoderamento dos membros da comunidade e suas organizações”, observou José Maria Rebelo e, segundo ele, estes poderiam fortalecer e criar ambiente e, através de mecanismos de educação para a segurança, haveria “resultados palpáveis” na prevenção da criminalidade. A Semana com Inforpress

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