REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Austrália: Sobrevivente de pedofilia obtém "justiça ética e moral" e $5M 25 Dezembro 2021

A vítima que desde os dez anos de idade sofreu abusos, ao longo de seis anos na década de 1980, pôde ver o seu agressor a ser condenado a quatro anos de prisão, em 2017. O pedófilo, que cumpriu só dois anos, saiu em 2019 e não esperava voltar a sentar no banco de réu pelo mesmo crime. Mas foi, devido a uma alteração na lei em 2018, e esta semana um juiz fez história ao condená-lo a pagar mais de cinco milhões de dólares à vítima, para "o tratamento psiquiátrico de que precisa".

Austrália: Sobrevivente de pedofilia obtém

A vítima explicou em comunicado de imprensa que foi "a ausência de remorso do pedófilo John Wayne Millwood" que o levou a "procurar justiça" perante "os crimes" do seu agressor.

A defesa, assegurada pela advogada Angela Sdrinis (foto), foi célere a fazer uso da nova lei: o novo processo contra o pedófilo deu entrada apenas cinco dias depois da lei ser aprovada.

A decisão do tribunal" do Estado insular da Tasmânia, no sudoeste da Austrália, "constitui um marco histórico para os sobreviventes de abuso sexual", disse a advogada à imprensa.

"Este julgamento termina com décadas de mentiras, perseguições e jogadas manhosas de Millwood, com a intenção de me desacreditar e intimidar para me calar", disse o sobrevivente de abuso sexual na infância.

"Mas enquanto ele me perseguia antes e durante o processo legal, com agressões verbais e negação, eu tinha a certeza de que esta é uma batalha moral e ética, mais do que legal".

"Nenhum sobrevivente de abuso sexual deveria ser submetido a tais maus-tratos: ameaças, agressão, vigilância por detetives privados contratados para intimidar, difamações de que as crianças são consensuais no abuso sexual".

"Este julgamento mostrou que esse comportamento é totalmente inaceitável e reconheceu o "impacto por toda a vida" das vítimas.

"Ficou provado que o impacto é sentido em cada faceta da vida, que causa diretamente sofrimento físico e psicológico e tem consequências económicas negativas a longo-termo".

"A minha esperança é que esta sentença se torne um precedente, abrindo caminho para queixas futuras contra pedófilos e instituições que os protegem".

"Tenho um grande orgulho por tudo quanto os meus advogados conseguiram. Esta é uma vitória para todas as crianças sobreviventes de abusos" sexuais, disse a vítima que tem direito ao anonimato.

Agressor. John Wayne Millwood, de 75 anos, usou a sua clínica médica para, sem ser médico, praticar os atos pedófilos. Em tribunal chegou a alegar que a vítima de dez anos "quis ser parte consensual" e mais, que fora o seu "tentador", dele adulto, pois fora a criança "a iniciar tudo".

John Millwood, figura influente na sociedade local, como patrono das artes, além de dono da clínica de Launceston, chegou a argumentar em tribunal que os "atos pedófilos", por ele cometidos, não agrediram, não causaram lesão" referindo-se ao facto de não ter ocorrido penetração.

Indemnização de 400 milhões CVE. O presidente do tribunal nas alegações finais declarou que as provas evidenciaram um "complexo pós-traumático e depressão causados pelo abuso sexual".

"Em resultado disso, o queixoso perdeu a capacidade de trabalhar desde 1999, e assim deve manter-se por toda a sua vida útil".

"A indemnização vai permitir o tratamento psiquiátrico de que ele precisa".

Recorde na Austrália

A advogada Angela Sdrinis congratula-se com "esta indemnização-recorde na Austrália".

"É uma sentença histórica não só para a Tasmânia, mas para toda a Austrália e não só em relação aos criminosos pedófilos individualmente mas também para as instituições".

Fontes: ABC/BBC.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project