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Autarca de Santa Catarina reitera “velho sonho” de construir “Museu da Resistência Amílcar Cabral” 20 Janeiro 2023

A presidente da câmara de Santa Catarina reiterou hoje a intenção do município adquirir a casa onde Amílcar Cabral viveu durante parte da infância, em Achada Falcão, para aí instalar o “Museu da Resistência Amílcar Cabral”.

Autarca de Santa Catarina reitera “velho sonho” de construir “Museu da Resistência Amílcar Cabral”

Jassira Monteiro manifestou esta intenção quando discursava no acto central das comemorações do 50º aniversário do assassinato de Amílcar Cabral e Dia dos Heróis Nacionais, que teve como palco a Praça Central de Assomada, Santa Catarina, no interior de Santiago.

“Na altura em que assinalamos a sua morte trágica e os 100 anos do seu nascimento está na hora de resgatarmos Amílcar Cabral e colocá-lo no lugar, onde ele merece na nossa história colectiva. Pela nossa parte, enquanto câmara estamos e continuaremos a cumprir com a nossa parte. Preservar a memória de Amílcar Cabral exige o empenho e o engajamento de todas e de todos”, defendeu.

Aproveitando a presença do Presidente da República, José Maria Neves, que presidiu ao acto, o presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), Pedro Pires, e a ministra da Justiça, Joana Rosa, em representação do Governo, a autarca santa-catarinense apelou à capacidade de influenciação dos mesmos para ajudar o município a realizar um “velho sonho” de adquirir a casa onde viveu o pai das nacionalidades cabo-verdiana e guineense.

O projecto, conforme explicou, visa adquirir a casa onde viveu Amílcar Cabral na sua infância para aí instalar o “Museu da Resistência Amílcar Cabral” – espaço de estudo, investigação e memória viva das lutas contra a escravatura, das revoltas, das lutas contra o colonial-fascismo e pela independência nacional.

Temos o desenho do projecto e temos os contactos com meios académicos para que o espaço não seja um mero depositário de memórias, antes um acervo vivo de museologia e investigação histórica”, lembrou Jassira Monteiro

No entanto, admitiu que o “problema maior” tem sido o problema financeiro, tendo em conta que a câmara não dispõe de recursos suficientes para concluir o negocio da referida casa.

Pedros Pires presta homenagem a todos os combatentes

Por sua vez, o presidente da FAC saudou a autarca de Santa Catarina pelos projectos de memória que o município tem em agenda, referindo-se à casa onde viveu Amílcar Cabral durante parte da infância, em Achada Falcão, interior de Santiago, cuja intenção é instalar o “Museu de Resistência Amílcar Cabral”.

A referida casa foi transformada em Núcleo Museológico a 20 de Janeiro de 2015, no âmbito do projecto Rede Nacional de Museus.

Num discurso, onde emocionou-se ao lembrar da luta pela independência da Guiné Bissau e Cabo Verde, dos momentos com Cabral, com os demais camaradas e da “tragédia” do assassinato de Cabral, na Guiné Conacri, Pedro Pires prestou uma homenagem a todos os combatentes da liberdade da pátria, que na altura não se deixaram abater por aquela “traição ignóbil”.

“Amílcar Cabral é de todos nós, é nosso. E todos nós temos uma dívida de reconhecimento e de gratidão com ele. Até sempre camarada Cabral”, concluiu, emocionado.

PR consider que Cabral continua ser grande fonte de inspiração

Na mesma linha, o chefe de Estado rendeu “uma justa, singela e merecida” homenagem à geração de Cabral, referindo-se aos que com ele lutaram, que vieram da luta da libertação, das universidades, das prisões coloniais e se engajaram de “corpo e alma” para materializar o sonho de Cabral, assumir as rédeas da governação e ocupando outros cargos de direcção no País recém-independente.

Actualmente, mesmo podendo não encontrar todas as respostas em Cabral, os tempos são outros, ele continua a ser a grande fonte de Inspiração. Sonhar e projectar Cabo Verde para 50 anos será uma forma de homenageá-lo”, observou José Maria Neves.

É que, segundo ele, “hoje mais do que nunca é preciso ter a generosidade de Cabral, ter comprometimento com o País, uma ética republicana e uma ética na governação».

Amílcar Cabral é considerado um dos líderes africanos mais carismáticos, influentes e figura de destaque no continente africano.

Fundador do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), morreu depois de uma luta armada iniciada em 1962 contra o colonialismo português.

A 20 de Janeiro de 1973, Amílcar Cabral foi assassinado, em Conacri, numa altura em que travava uma luta armada contra o exército português, e 61 anos depois, permanece como uma figura central da história de África, em especial a de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. A Semana com Inforpress

NR: Os intertítulos são da inteira responsabilidade da Redação deste jornal

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