ECONOMIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Autoridades cabo-verdianas escusam-se comentar caso que envolve fortuna da empresária angolana Isabel dos Santos 21 Janeiro 2020

O Presidente da República e o primeiro-ministro escusaram-se hoje a comentar o caso que envolve a origem da fortuna da empresária angolana Isabel dos Santos, garantindo que estão a acompanhar as investigações.

Autoridades cabo-verdianas escusam-se comentar caso que envolve fortuna da empresária angolana Isabel dos Santos

Um grupo de jornalistas de investigação revelou no dia 19, mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de “Luanda Leaks”, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que estarão na origem da fortuna da família.

A empresária, que tem investimentos na área das telecomunicações em Cabo Verde, foi investigada pelos jornalistas depois de o Tribunal Provincial de Luanda ter decretado o arresto preventivo de contas bancárias pessoais da empresária, de Sindika Dokolo e Mário da Silva, além de nove empresas nas quais detêm participações sociais.

As autoridades cabo-verdianas têm vindo a acompanhar o caso, entretanto, escusam-se a comentar sobre o assunto, revela a Inforpress.

“A gente vai ouvindo as notícias. Claro que nos interessa porque têm a ver com um país muito próximo e irmão que é Angola, mas, naturalmente, o Presidente da República não pode estar a comentar notícias que têm a ver com fortunas ou com os bens de uma cidadã angolana, mas vamos acompanhando”, disse o Chefe do Estado, Jorge Carlos Fonseca, no final da cerimónia de deposição de coroa de flores no monumento de Amílcar Cabral, na Cidade da Praia, por ocasião da celebração do dia 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais.

Por sua vez, o chefe do executivo, Ulisses Correia e Silva, disse que isto é uma matéria que está sob investigação e que não é algo que interpela o Governo de Cabo Verde.

“Eu não faço cometários porque este é um trabalho de investigadores, é algo que tem a ver com Angola e não com o Governo de Cabo Verde. Nós vamos acompanhando de uma forma interessada aquilo que se está a avançar. Não tem a ver com Cabo Verde directamente, tem a ver com os investimentos que ela tem em várias partes do mundo”, considerou a mesma fonte.

Segundas informações da Lusa, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), que integra vários órgãos de comunicação social, entre os quais os portugueses Expresso e SIC, analisou, ao longo de vários meses, 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do ex-presidente angolano a tornar-se a mulher mais rica de África.

Durante a investigação, foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

As informações recolhidas detalham, por exemplo, um esquema de ocultação montado por Isabel dos Santos na petrolífera estatal angolana Sonangol, que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para o Dubai.

Revelam ainda que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos é a principal acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária, conclui a referida agência de notícias. f

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project