ESCREVA-NOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Avelino Bonifácio Lopes : COM QUE CHAVE FECHAREMOS A PRIMEIRA METADO DE SÉCULO DE CABO VERDE PAÍS INDEPENDENTE-RECUO NOS PRINCIPAIS INDICADORES 05 Setembro 2021

Num post interessante que acaba de publicar na sua página de Facebook, Avelino Bonifácio Lopes, ex-ministro da Economia, Crescimento e Competitividade, analisa «com que chave fecharemos a primeira metade do século de Cabo Verde país independente», alertando que « as estatísticas oficiais, com enfoque no Boletim Estatístico do BCV, publicado em Fevereiro do corrente ano, mostram que Cabo Verde recuou, em 2020, tanto nos principais indicadores económicos, quanto sociais». Diante de tudo isto, Bonifácio, que é também analista político nacional, alerta que os próximos tempos, de conjuntura económica desfavorável, vão exigir responsabilidades e elevado sentido de estado por parte de todos os políticos e cabo-verdianos. «Elevado sentido de rigor e de comprometimento individual e coletivo de todos, proporcional às responsabilidades profissionais e públicas de cada um, e ter os pés bem ficados nestes nossos 10 grãozinhos de terra, será o primeiro passo para vencermos a atual conjuntura, retomarmos a normalidade e o crescimento económico e assim podermos fechar, em 2025, se não com chave de ouro, ao menos de prata, o 1º meio século de país independente». Confira, a seguir, o artigo na íntegra.

Avelino Bonifácio Lopes : COM QUE CHAVE FECHAREMOS A PRIMEIRA METADO DE SÉCULO DE CABO VERDE PAÍS INDEPENDENTE-RECUO NOS PRINCIPAIS INDICADORES

COM QUE CHAVE FECHAREMOS A PRIMEIRA METADO DE SÉCULO DE CABO VERDE PAÍS INDEPENDENTE

As estatísticas oficiais, com enfoque no Boletim Estatístico do BCV, publicado em Fevereiro do corrente ano, mostram que Cabo Verde recuou, em 2020, tanto nos principais indicadores económicos, quanto sociais. Refiro-me, nomeadamente:

  • 1. Registou-se a maior recessão económica de sempre - 14,8%, e o PIB per capita caiu em cerca de 18,5%;
  • 2. A dívida do Governo central ultrapassou 158% do PIB. Quando adicionadas as dívidas das empresas públicas e dos municípios, esse rácio aproxima-se dos 180%;
  • 3. A procura turística caiu cerca de 78,2%;
  • 4. Os investimentos estrangeiros caíram cerca de 32%;
  • 5. As receitas do Governo central diminuíram em quase 24%;
  • 6. A taxa de desemprego aumentou e situou-se em 14,5%;
  • 7. As famílias perderam receitas e tiveram que recorrer às poupanças e ao endividamento;
  • 8. O foco na covid-19 desviou recursos e atenção de outras áreas da saúde, com consequências para a consolidação dos ganhos do setor no futuro;
  • 9. A educação, mormente os ensinos básico e secundário, foi fortemente afetada;
  • 10. As dificuldades económicas das famílias agravaram a já difícil situação social, com impacto bem percetível na segurança pública.

Conjuntura económica desfavorável nos próximos anos

Infelizmente, a conjuntura continua bastante desfavorável e os próximos anos não serão fáceis para ninguém. Se não vejamos:

  • 1. A nível internacional, o mundo não tem ainda a fórmula para se livrar da covid-19;
  • 2. A covid-19 deixará profundas sequelas económicas e sociais nos países parceiros e de acolhimento da nossa emigração, logo, com consequências negativas para os fluxos da ajuda pública ao desenvolvimento e nas remessas dos emigrantes;
  • 3. O multilateralismo está a enfraquecer-se, enquanto as disputas geopolíticas agudizam-se, lançando sinais de preocupação para os pequenos estados subdesenvolvidos, como é o nosso caso;
  • 4. A nível nacional, a retoma do turismo será lenta e precisaremos de alguns anos para repor os níveis de 2019;
  • 5. O serviço da dívida, arrastado pelo aumento do valor absoluto, mas também pela deterioração das condições de endividamento, aumentará;
  • 6. O limite da capacidade de endividamento público limitará o acesso a novos empréstimos junto das instituições financeiras internacionais, condicionando o financiamento das infraestruturas e a promoção da retoma da economia;
  • 7. Agravado pelo nível de endividamento público, a deterioração do rating do país penalizará a atração de novos investimentos estrangeiros;
  • 8. As consequências do recuo dos investimentos farão sentir-se na atividade económica, no emprego e no rendimento das famílias, mas também nas receitas do Estado, sendo estas mais do que nunca necessárias para reforçar o financiamento do funcionamento do Estado, das políticas sociais, mas também o investimento público.

Elevado sentido de rigor e de comprometimento individual e coletivo de todos, proporcional às responsabilidades profissionais e públicas de cada um, e ter os pés bem ficados nestes nossos 10 grãozinhos de terra, será o primeiro passo para vencermos a atual conjuntura, retomarmos a normalidade e o crescimento económico e assim podermos fechar, em 2025, se não com chave de ouro, ao menos de prata, o 1º meio século de país independente.

Avelino Bonifácio Lopes

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project