MUNDO INSÓLITO

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Bainhas abaixo — Escola vexou alunas com fita métrica 16 Agosto 2021

Fez-se há meia dúzia de anos uma revolução em Cabo Verde de que ninguém deu conta: nos liceus, caíram as saias e só há lugar para calças. Erradicou-se assim o problema sempiterno da medida da bainha. Mas este domingo a navegar pelo mundo descobre-se que nem todos os sistemas educativos globais têm dado esta solução ao problema. Exemplo, a Austrália onde uma escola vexou as alunas quando a direção se armou de fita métrica para avaliar a altura das saias, como se vê muito variável.

Bainhas abaixo —  Escola vexou alunas com fita métrica

Excluíram-se as saias, só há lugar para calças. Isso tem uma interpretação: o sistema educativo, perante a impossibilidade de medir todas as saias que entram portão liceal adentro, tomou a decisão de abolir a saia que é tão ’mobile’ e uniformizar tudo. Todas e todos usam um par de calças. Pois é! Fez-se uma pequena revolução em Cabo Verde de que ninguém deu conta. Escreveu-se aqui sobre isso, mas não em estilo noticioso pois o que movia quem escrevia era um olhar prospetivo.

Em nome da uniformização, que será outro nome para o decoro, saiu pois a saia que foi fonte de tanta variação, improvisação, mobilidade. Mobilidade, que a dona é mobile, como no cliché? Não, não é a outra mobilidade — tão debatida nos fóruns cepelpianos.

Mobilidade desta nunca se falou em fóruns a sério, mas esteve muito ativa, graças à criatividade de inquietas jovens em flor.

A bainha feita à medida em nome do decoro fazia-se alta segundo a lógica da racionalidade económica. Racional é a previsão de que o crescimento da portadora, ditado pela natureza adolescente, ia de súbito tornar a saia curta demais. A bainha alta permitia recuperar a altura de acordo com o decoro, sem obrigar a gastar numa nova saia.


Vexame austral

Na Austrália, a solução foi outra. As alunas adolescentes foram obrigadas a submeter-se ao ultrajante ato de medição da bainha.

Houve pais que acompanharam a indignação das educandas — segundo o site The Australian, um total de 150 —, o caso expirou e ganhou o noticiário internacional.

O caso teve lugar na BSC-Escola Secundária de Brighton, onde o regulamento estipula que as alunas têm de manter a bainha a cobrir o joelho. Pois bem, a medição a olho nu parece que não chegou e um membro da direção implementou uma medida polémica para aferir a regra da bainha pelo joelho.

As estudantes tiveram de se ajoelhar para verificar se a saia tocava a superfície.

Os pais expressaram a sua indignação nas redes sociais pelo "ato humilhante e arcaico de vergonha pública". "Não é normal esta atuação". "É um vexame do tipo medieval".

Segundo o Herald Sun, um dos primeiros media australianos que noticiaram o caso, os comentários foram de seguida retirados. Mas uma das mães manteve posição sobre o assunto e no seu email à direção da escola destaca-se: "Espero que isto não volte a acontecer às alunas da BSC. É simplesmente errado".

O diretor da escola, Pat Gargano ouvido pela televisão 7NEWS, referiu que a BSC já pediu desculpas a todos os envolvidos e que o ato "isolado" não reflete os valores da escola.

Fontes: Referidas. Fotos Getty e outras.

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