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Banco Mundial: Novo Índice de Capital Humano aponta que 56% das crianças nascidas hoje em todo o mundo irão perder mais da metade dos seus ganhos potenciais na vida 13 Outubro 2018

O novo relatório do Banco Mundial (BM) lançado, esta quinta-feira,11, fornece aos dirigentes provas irrefutáveis de que entregar melhores resultados na saúde e no aprendizado de crianças pode alavancar significativamente os ganhos das pessoas e dos países, com retornos no futuro. Aponta, de entre outros aspectos críticos, que 56% das crianças nascidas hoje em todo o mundo irão perder mais da metade dos seus ganhos potenciais na vida.

Banco Mundial: Novo Índice de Capital Humano aponta que 56% das crianças nascidas hoje em todo o mundo irão perder mais da metade dos seus ganhos potenciais na vida

Estes dados constam do Índice de Capital Humano (ICH), divulgado durante as reuniões anuais do Banco Mundial e do FMI. O documento precisa que 56% das crianças nascidas hoje em todo o mundo irão perder mais da metade dos seus ganhos potenciais na vida. Isto porque, actualmente, os governos não estão fazendo investimentos efectivos no seu povo para assegurar uma população saudável, educada e resiliente, pronta para os postos de trabalho do futuro. “Se os países agirem agora, as crianças nascidas hoje podem ser mais saudáveis, bem-sucedidas e produtivas”, aconselha o documento.

Em termos de conhecimento, habilidades e saúde que as pessoas acumulam ao longo de suas vidas, o Capital humano tem sido um fator fundamental por trás do crescimento económico sustentável e das taxas de redução de pobreza de muitos países no século XX, especialmente no leste asiático.

“Para as pessoas mais pobres, o capital humano é, frequentemente, o único capital que possuem. Aliás, é o factor fundamental para crescimento econômico sustentável e inclusivo, mas os investimentos em saúde e educação não têm recebido a atenção que merecem. Esse índice cria uma linha direta entre a melhoria dos resultados em saúde e educação, produtividade e crescimento económico. Espero que isso leve os países a tomar medidas urgentes e investir mais em sua população”, afirmou o presidente do banco mundial Jim Yong Kim, sublinhando que construir o capital humano é fundamental para que todos os países de todos os níveis de renda possam competir na economia do futuro”.

Importância do Índice de Capital Humano

De acordo com o Banco Mundial, o novo Índice de Capital Humano mede o quanto os países perdem em produtividade económica ao investir menos do que deveriam em sua população. “Por conseguinte, mede a quantidade de capital humano que uma criança nascida hoje pode esperar atingir aos 18 anos, dados os riscos de saúde e educação deficientes que prevalecem no país onde ela vive. Mede ainda a distância de cada país até a fronteira da educação completa e saúde total para uma criança”, salienta.

Segundo a a mesma fonte, o ICH reflete ainda a produtividade de uma criança nascida hoje como trabalhador do futuro, comparada com o que seria se ela tivesse saúde total e educação completa e de alta qualidade, em uma escala de zero a um, como sendo a melhor pontuação possível. “Um país que fizer 0,5 pontos, por exemplo, significa que seus indivíduos e o país, como um todo, estão na metade de seu potencial económico futuro. Calculado por 50 anos, isso se traduz em profundas perdas económicas (1,4%) de perdas anuais em crescimento do PIB”, mostra a mesma fonte.

Em termos de produtividade dos trabalhadores da próxima geração, o índice ranqueia onde cada país está agora. Em países como Azerbaijão, Equador, México e Tailândia, crianças nascidas hoje seriam 40% mais produtivas como trabalhadoras no futuro se elas desfrutassem de educação completa e saúde total. Em países como Marrocos, El Salvador, Tunísia e Quênia, 50% mais, conforme revela o relatório.

De ressaltar que o índice é parte do Projeto Capital Humano do Grupo Banco Mundial, que reconhece o capital humano como fator que proporciona o crescimento inclusivo. Além do índice, o Projeto Capital Humano inclui um programa para fortalecer a pesquisa e a mensuração do capital humano, assim como para apoiar os países para acelerar o progresso de resultados positivos nesse quesito.

Conforme ICP divulgado pelo BM, cerca de 28 países de diversas regiões e diferentes níveis de renda expressaram interesse antecipado em participar do Projeto e nomearam pontos essenciais dentro de seus governos para trabalhar com o Grupo Banco Mundial. Esses países começaram a trabalhar no aumento do diálogo sobre as políticas de capital humano por toda linha ministerial de seus governos e na identificação de prioridades nacionais para acelerar o progresso do capital humano, baseado no plano de desenvolvimento próprio de cada país. São eles: Armênia, Butão, Costa Rica, Egito, Etiópia, Geórgia, Indonésia, Iraque, Jordânia, Quênia, Kuwait, Lesoto, Líbano, Malawi, Marrocos, Paquistão, Papua Nova Guiné, Peru, Filipinas, Polônia, Ruanda, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Tunísia, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, refere a FMI.

Celso Lobo

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