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Batuco: “Pó de Terra” grava documentário e aposta no “Tchabeta, torno tchaskan” 02 Janeiro 2023

O grupo de “Batucadeiras Pó de Terra”, do Tarrafal de Santiago, está no terreno a gravar um documentário sobre as suas obras, ao mesmo tempo que idealiza tornar realidade o grande sonho: “Tchabeta, torno tchaskan”.

Batuco: “Pó de Terra” grava documentário e aposta no “Tchabeta, torno tchaskan”

O mentor das “Batucadeiras Pó de Terra”, Amândio Lopes, que há 22 anos criou o grupo constituído por crianças que “revolucionaram o batuco com uma nova roupagem”, revelou à Inforpress que pretende com este projecto “Tchabeta, torno tchaskan”, precisamente “trazer a naturalidade do batuco”.

“Estamos a trabalhar para que, ainda este mês, possamos apresentar ao público, quatro videoclipes das nossas músicas, assim como o documentário”, prognosticou Amândio Lopes, acrescentando que o Centro Social do grupo, construído nos momentos áureos do agrupamento, vai receber trabalhos para a sua reabertura, já que o jardim infantil vai ser associado à música.

Dotado de um auditório/sala de espectáculo, o Centro Social vai ser reaberto nos próximos tempos, também para responder aos objectivos por que foi criado, de modo a organizar actividades para a sua sustentabilidade, estando já projectado o a criação de um canal TV na internet destinado à divulgação de obras de Pó di Terra e musica tradicional de Santiago.

Já com a “biografia” sobre o percurso de Pó do Terra, lançado em meados de Dezembro findo, Lopes disse que sempre lutou para que o batuco tenha o seu “real valor”, pois reclama que ao longo de toda a actuação do grupo que criou, e apesar de toda a aceitação, sempre houve discriminação dos “cachês” dos grupos de batuco em relação a outros géneros musicais.

“O cachê máximo que Pó di Terra recebeu ao longo da sua actuação foi de 35.000$00 numa das festas da ilha do Fogo. Acredito que até hoje nenhuma Câmara Municipal ultrapassa esta fasquia. Há um grande desnivelamento em relação a outros géneros. Assim nunca mais o batuco será verdadeiramente valorizado”, reclamou.

Ainda assim, Amândio Lopes afiançou à Inforpress que há 22 anos quando criou e idealizou o grupo “Batucadeiras Pó di Terra”, em Chão Bom do Tarrafal, teve sempre a ideia de incutir um novo padrão e um novo rumo, pelo que se mostra convicto de que este género ancestral da música tradicional cabo-verdiana tenha estado a conquistar um lugar cimeiro na cultura cabo-verdiana.

Apesar de um longo interregno da actuação do grupo, já que a grande maioria dos integrantes de Pó di Terra, procuraram a vida na emigração, Lopes assegurou que o grupo conseguiu manter-se unido, razão pela qual alguns dos elementos estiveram este ano na Terra Natal para celebrar o 22º aniversário da sua criação.

O momento, revelou, foi aproveitado para a realização de uma conferência/workshop sobre o batuco e uma homenagem à batucadeira mais idosa em acção, Nha Balila, realizados no Centro Cultural construído nos tempos áureos do grupo, em Chão Bom, e que tem servido para manter a vivacidade.

Criado no virar do milénio, “Pó di téra” era constituído na sua essência por crianças de Chão Bom que deixaram as suas marcas gravadas em álbuns como “Triste sta na Rua” (2005) e “Indjustiça” (2008). A Semana com Inforpress

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