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Batuco lidera entre gravação de música tradicional cabo-verdiana com apoio do Estado 30 Novembro 2022

O Estado cabo-verdiano vai apoiar 34 projetos de gravação de singles e videoclipes de música tradicional, quase metade dos quais de grupos de batuco, género típico de Cabo Verde que quer ser património da UNESCO.

Batuco lidera entre gravação de música tradicional cabo-verdiana com apoio do Estado

“Os grupos de batuco em Cabo Verde são mais de cem, registados, conhecidos. O que leva a crer que o batuco, concluindo o seu processo de classificação como Património Imaterial Nacional, também deverá ter toda a atenção (…) para a sua possível classificação como Património da Humanidade [da UNESCO]”, afirmou hoje o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente.

O governante apresentou hoje na Praia o resultado do Edital Resgate e Promoção da Música Tradicional Cabo-verdiana, concurso promovido pelo Ministério da Cultura e que decorreu de 11 a 20 de novembro, visando “apoiar os artistas, grupos e criativos nacionais residentes em Cabo Verde, na gravação de singles e videoclipes”.

O batuco é um estilo musical tradicional de Santiago, essencialmente apresentado por mulheres, conhecidas como batucadeiras, que combina percussão, canto e dança, em que a mulher é a corista e canta sobre o dia-a-dia, mas também de política e cultura, por vezes com crítica.

Com a proibição do uso de tambores durante o período colonial, as mulheres passaram a ‘batucar’ em peças de tecido, que ainda se mantêm, juntamente com os tambores.

De acordo com os dados apresentados hoje, em conferência de imprensa, concorreram a este primeiro edital 55 projetos, de vários géneros tradicionais (28 dos quais de batuco) e das ilhas de Santiago, Sal, Boa Vista, São Vicente e Maio, representando globalmente um investimento de 12,5 milhões de escudos (113 mil euros). Já os 34 projetos selecionados para apoio à gravação e produção ascendem a um financiamento estatal superior a 6,3 milhões de escudos (57 mil euros), acima da dotação inicialmente atribuída ao concurso, de cerca de cinco milhões de escudos (45 mil euros).

Foram assim selecionados 15 projetos ligados ao batuco, dez à morna – desde de dezembro de 2019 Património Imaterial Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) -, quatro do género funaná, três finanson, um de mazurca e outro de sonjon, conforme anunciado hoje.

“Tivemos que aumentar ligeiramente o valor dado a sensibilidade também da equipa (…) no sentido também de validar a questão da música tradicional, da originalidade e da tradicionalidade das músicas”, explicou o ministro.

“O valor que se pedia ultrapassava em mais do dobro aquilo que era a verba orçamentada. Ou seja, nós tivemos de fazer uma triagem e mesmo na triagem tivemos de aumentar para não deixar de contemplar nos alguns géneros que a equipa considerou como de qualidade”, acrescentou Abraão Vicente.

Para o ministro, a morna foi classificada pela UNESCO “por ser um género profundamente enraizado” em Cabo Verde, mas “o batuco tem uma força absolutamente brutal” e já de 20 a 25 de dezembro o município de Santa Catarina, interior de Santiago e um dos ‘berços’ daquele estilo musical, vai ser palco do “maior terreiro do batuque no mundo”.

“Cujo objetivo será levar todos os grupos de batuco da ilha de Santiago e da ilha de maio para um dia do batuco, onde estarão presentes todos os géneros do batuco”, disse ainda Abraão Vicente.

“De certa forma, nós começaremos com este grande evento um processo de internacionalização e promoção do batuco como um dos géneros musicais também ligados à nossa ancestralidade, sendo o batuque provavelmente o primeiro género musical a ser fundado e a ser criado genuinamente pelos cabo-verdianos”, recordou.

Cabo Verde instituiu no ano passado 31 de julho como dia nacional do Batuco, a assinalar anualmente, conforme proposta de lei aprovada por unanimidade no parlamento.

Ao descrever a proposta para instituir o dia nacional do Batuco no dia da Mulher Africana (31 de julho), consensual entre os parlamentares, o deputado José Soares sublinhou a importância daquele género musical, corporizado por mulheres com os seus batuques, com origem na ilha de Santiago, mas que os emigrantes cabo-verdianos espalharam pelo mundo.

“O batuco, hoje, é tanto do interior da ilha de [Santiago], como da cidade da Praia, assim como de Lisboa, de Paris, de São Tomé, como também é de Oeiras, é de Roterdão, de Brockton [Estados Unidos da América], de Lyon”, afirmou o deputado, do Movimento para a Democracia (MpD, maioria), recordando que a mais antiga referência a este género musical em Cabo Verde remonta a 1772.

A Semana com Lusa

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