REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Tribunal condena Bayer-Monsanto a pagar $2bn a casal com cancro terminal — 13.400 na fila podem ditar fim da marca com 156 anos 15 Maio 2019

Alva e Alberta Pilliod seguem-se a Edwin Hardem e a Dewayne Johnson como os primeiros doentes de cancro terminal que, em décadas, viram o tribunal reconhecer o seu direito a indemnização. A defesa até aqui inexpugnável da Monsanto-Bayer recebeu esta terça-feira mais um tremendo golpe que, segundo peritos, pode ser revelador de que a longa fila de queixosos pode vir a receber indemnizações, o que feitas as contas (2 ’biliões’ de dólares são c. 200 mil milhões CVE, ie, 200 milhões de contos) pode levar à falência a firma agroquímica fundada no século XIX na Alemanha.

Tribunal condena Bayer-Monsanto a pagar $2bn a casal com cancro terminal — 13.400 na fila podem ditar fim da marca com 156 anos

Um tribunal de júri reunido esta terça-feira, 14, deu razão mais uma vez a doentes (foto) que processaram a Monsanto, filial americana da alemã Bayer. Já são quatro doentes de cancro terminal, devido a um linfoma provocado por glifosato no herbicida produzido pela multinacional Monsanto-Bayer, que veem reconhecida a responsabilidade da multinacional bioquímica Monsanto adquirida pela prestigiada alemã Bayer.

A Monsanto, uma firma "com má reputação", diz um perito na edição desta segunda-feira da Deutsche Welle, foi adquirida pela Bayer, marca prestigiada, e agora arrasta-a consigo. Além de se ter comprovado que foi deliberada a ocultação do efeito cancerígeno do glifosato utilizado nos herbicidas e outros produtos agrícolas da marca, mais um escândalo rebentou na semana passada.

Uma investigação jornalística, publicada na quinta-feira, 9, trouxe à luz um documento que, elaborado por agências de lobby para a multinacional Bayer-Monsanto, classifica duas centenas de personalidades francesas como "a vigiar", "a educar", "aliado" "potencial aliado a recrutar" consoante as suas posições sobre o glifosato — que a OMS classifica como cancerígeno e a multinacional agroquímica contesta.

Somas sempre a subir

Enquanto o octogenário Edwin Hardeman é indemnizado em mais de 80,8 milhões de dólares (a rondar os oito mil milhões CVE) e o quadragenário Johnson em 289 milhões de dólares (a rondar os vinte e oito mil milhões CVE), o casal Pilliod recebe um montante várias vezes superior como acima referido.

Estas indemnizações ao casal Pilliod , a Edwin Hardeman, que utilizou o herbicida a título privado, ao jardineiro Dewayne Johnson — que são os primeiros dentre milhares de utilizadores doentes — foram sentenciadas por tribunais, federal e estadual, de San Francisco, Califórnia.

Johnson, 46 anos, jardineiro

“Já sei que não vou melhorar”, disse em agosto Dewayne Johnson a quem os médicos prognosticaram que não viverá mais de dois anos. É lento o tom de voz deste jardineiro, que a doença envelheceu, segundo depôs a esposa Aracelli. Mas Johnson expressa convicção quando diz: «’Tenho de lutar contra a doença’, foi o meu primeiro pensamento quando fui diagnosticado em 2014, com um cancro incurável do linfoma».

“Como responsável da luta contra os daninhos", ervas, ratos e esquilos, "desde 2012, vaporizava por vezes várias centenas de litros de Roundup e Ranger Pro”. Ambos os herbicidas fabricados pela bioquímica Monsanto, filial da Bayer, contêm glifosato, substância suspeita de ser cancerígena. Mas esse perigo tem sido sempre negado pela marca.

Em 2016, Johnson deixou de poder trabalhar. A mulher, Aracelli, para sustentar sozinha a família de quatro, com dois filhos de 13 e 10 anos, teve de arranjar mais um emprego à noite — para poder pagar as contas, cada vez mais altas devido aos medicamentos para Dewayne, contaram ambos em tribunal.

“Gostava muito do meu trabalho, levava-o muito a sério”, depôs Johnson sobre o seu trabalho de exterminador de roedores e ervas daninhas nos hortos escolares da cidade de Benicia, a noroeste de San Francisco.

A Monsanto, que até à decisão no julgamento de Dewayne tinha conseguido ganhar os milhares de processos contra si, tem conseguido defender o glifosato contido no herbicida vendido sob o nome comercial Roundup nos Estados Unidos, e Mata-Mato no Brasil (ambos estarão eventualmente ao alcance dos utentes em Cabo Verde, mas desconhece-se a extensão do seu uso entre nós, já que aparentemente não surge nos circuitos comerciais formais).

Estudos e posições contraditórios

Os grupos ativistas pela interdição do uso do glifosato têm mostrado estudos sobre os efeitos nocivos sobre a saúde, como o aumento da incidência de certos tipos de cancro e alterações do feto por via placentária (entre elas, a microcefalia). Também pode causar danos aos sistemas cardiovascular, gastrointestinal, renal, nervoso e respiratório, além de que tem efeitos bacteriogénicos afetando a reprodução da flora intestinal.

A OMS-Organização Mundial de Saúde com base em estudos dos últimos anos classificou o glifosato como “cancerígeno provável” desde 2015. Mas a EFSA (segurança alimentar) e a ECHA (segurança de produtos químicos) discordam e apoiam o uso da substância.

Fontes: DW.de/ Le Monde/NYTimes/DW/Relacionado: EUA: Doente de cancro terminal leva Monsanto a tribunal por causa de glifosato em herbicida Roundup/Mata-Mato, 9.ago.2018; Amigo da verdade é inimigo a perseguir no guia Bayer-Monsanto, ficheiro ilegal de 200 decisores franceses, 12.5.2019. LS

Os artigos mais recentes

17 Jul. 2019
RADAR
Figa canhota -I
16 Jul. 2019
Publicidade
Nice Kriola

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project