OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

EUA :30 anos de Cabo-video ku kau verdi riba lá 14 Novembro 2019

Me lembro claramente, como se fosse ontem, do dia em que tive uma bela surpresa, quando via o canal português de televisão de New Bedford, o único que tínhamos, quando do nada entoou-se o hino nacional de Cabo Verde para de seguida surgirem imagens de Ed Andrade e Valdir Alves na tela, apresentando notícias da terra, no programa da Cabo
Vídeo.. Estávamos em Novembro 1989, portanto, 30 anos passaram de muito convívio com o homem que é um marco relevante da nossa comunidade, uma pessoa que o nosso patrício reverência, louva e reconhece o seu feito como um legado imprescindível e valioso para nossa emigração e para Cabo Verde.

Por: Carlos Tavares

EUA :30 anos de Cabo-video  ku kau verdi riba lá

Na vida com luta, perseverança e altruísmo tudo é possível, sobretudo quando houver
entre-ajudas e profissionalismo de forma desinteressado.

Há muito que matutava rabiscar este artigo, mas sempre na expetativa de fazê-lo
coincidir com uma data jubilar e marcante para a Cabo Vídeo, como forma de prestigiar um trabalho complexo e exigente como fazer televisão, nas condições sobejamente conhecida, com escassez de meios e condições técnicas exíguas, contrastando com um país exigente e diversificada como os EUA, que exige muito
ânimo, muito correr atrás em situações perversas, enfrentado todo o tipo “tormentas”
financeiras, técnicas, emocionais e humanas à procura de modos para levar a casa dos telespetadores, sobretudo dos cabo-verdianos, um programa digno, sério e atrativo e, num mercado tão enxuto, como o da nossa comunidade.

A nossa emigração, considerada uma das mais antigas nos EUA, tem vindo a fazer
histórias atrás de histórias, começando com a vinda de pescadores contratados para a
pesca da baleia, trazidos a bordo do célebre e histórico veleiro Ernestina, que aportou,pela primeira vez, no porto de New Bedford, em março de 1894, para depois se disseminar pelas fábricas e outros serviços que não exigiam muita escolaridade e hoje, graças aos esforços e abnegação da nossa emigração, estamos presentes em todas as esferas desta sociedade aristocrata, desde a vida política, passado pela económico-financeira, terminando na social.

No início, éramos uma emigração anosa e inculta, em virtude das mazelas
colonialistas, que manteve as nossas gentes, na sua grande maioria, analfabeta e inculta que como consequência, a nossa mão de obra era não especializada e que nos obrigava a fazer trabalhos mais físicos em fábricas, obras, entre outros. Porém, os nossos patrícios não se acomodaram, gradualmente foram-se a cultivando cultural e intelectualmente, dando continuidade a história dos nossos antepassados nas terras do tio Sam.

Se a memória não me falha esta revolução cultural iniciou-se na década de 80, quando a embaixada dos EUA em Cabo Verde, facilitou na conceção de vistos de visitantes permitindo que muitos cabo-verdianos viessem e acabando por residir nos Estados Unidos de América, tendo em conta alguma flexibilidade da emigração americana que não era assim tão rígida.

Foi nesse período que a nossa comunidade ganhou um impulsor jornalista, um homem da rádio e televisão, um intelectual com visão e que conseguiu revolucionar,
transformar e enriquecer o quotidiano dos cabo-verdianos. Me lembro claramente,
como se fosse ontem, do dia em que tive uma bela surpresa, quando via o canal
português de televisão de New Bedford, o único que tínhamos, quando do nada
entoou-se o hino nacional de Cabo Verde para de seguida surgirem imagens de Ed
Andrade e Valdir Alves na tela, apresentando notícias da terra, no programa da Cabo
Vídeo.. Estávamos em Novembro 1989, portanto, 30 anos passaram de muito convívio com o homem que é um marco relevante da nossa comunidade, uma pessoa que o nosso patrício reverência, louva e reconhece o seu feito como um legado imprescindível e valioso para nossa emigração e para Cabo Verde.

Cabo Vídeo é hoje mais uma ilha junto de tantas outras espalhadas pelo mundo e
Valdir Alves é um ícone da nossa comunidade. Por isso, como parte desta coletividade
e telespetador assíduo desse canal televisivo, queria parabenizá-lo, assim como toda a sua equipa, com destaque para o Sr. Paul Watson, que desde a primeira hora
esteve e está com eles tanto nos bons como nos menos bons momentos. Também fica aqui o reconhecimento do reconhecido Câmara Men Gigi, um profissional autêntico que não importa distância para se fazer presente. Reconhecimento para o nosso benemérito Valdir Alves, que contrariamente a muitos que por ali passaram ele foi um genuíno símbolo da resistência crioula: resistiu a todos os intemperes para continuar a servir a nossa comunidade, entrando semanalmente em todas as casas crioula e não só, levando novidades do nosso torrão.
Bem-haja Cabo Vídeo.

Pawtucket-EUA, 12 de Novembro 2019

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project