NOS KU NOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Berta Silva festeja cem anos: Mulher com história que acompanhou três erupções vulcânicas em Chã das Caldeiras 26 Maio 2018

Berta da Silva, mais conhecida por Tia Berta, celebrou, este sábado, os seus 100 anos de vida, na zona da Cascabudjo de Monte Grande, onde reside no bairro construído para os deslocados de Chã das Caldeiras. A festa foi rija – o Asemanaonline esteve no local como convidado - reunido os vários membros da família alargada da aniversariense e da vizinhança. Anda rija e altamente lúcida, Berta tem uma rica história de vida, que confunde com a da aldeia ao sopé do vulcão activo do Fogo que foi destruída na última erupção: foi uma das primeiras que se fixou em Chã das Caldeiras e participou na introdução de algumas variedades de videiras que produzem uvas com as quais se fabrica o famoso vinho de marca Manecon, Chã e Sodade.

Berta Silva festeja cem anos: Mulher com história que acompanhou três erupções vulcânicas em Chã das Caldeiras

A centenária goza ainda de uma boa saúde – só sofre de hipertensão controlada. Faz ainda a sua refeição e demais mandados domésticos.

Berta da Silva nasceu a 25 de maio de 1918, na localidade de Campanas, Freguesia de São Lourenço do Fogo, tendo, com poucos anos de idade fixado em Chã das Caldeiras. Foi registar quando tinha 10 anos. Por isso, no seu registo de nascimento só constam 90 anos, mas tem 100 anos de vida, conta em risada, misturada com escarno e maldizer na expressão tradicional de « curcutição e rafodjo».

A centenária tem cinco filhos, 48 netos, 36 bisnetos e dois trinetos. Apesar da idade avançada que tem neste momento, Berta reconhece todos os membros da sua numerosa família alargada, que a trata com carinho. Foi isso que aconteceu durante a sua festa de aniversário, onde não faltaram Xerem com a carne e o couve, bem como o bolo e o famoso vinho manecon. Berta gaba-se que ainda dá um bom pé de dança normal – principalmente talaia-baxu que adora, um ritmo quente do Fogo que nasceu nas zonas circundantes ao vulcão do Fogo.

A mulher mais idosa de Cascabudjo tem uma linda história de vida. Conta que assistiu as três últimas erupção do pico de Fogo – de 1951, 1995 e 2014. Foi uma das primeiras habitantes de Chã das Caldeiras que construiu casa com a argamassa de cimento na zona, transportando ferros e cimentos em burros a partir da Chada Furna. Segundo o residente Viriato Fernandes, de 103 anos, Berta Silva foi ainda pioneira na introdução de variedades de videiras trazidas de estrangeiro em Chã. Espécies vegetais que produzem uvas (brancas e pretas) com as quais as Adegas locais fabricam os famosos vinhos de marca Manecon, Chã e Sodade.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert
Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project