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Bielorrússia: 6º mandato do presidente "paizinho" desafiado por professora que lidera sondagens 08 Agosto 2020

Svetlana Tikhanovskaya, professora liceal de 37 anos, é a esperança dos bielorrussos que temem a "diluição" do país devido à crescente proximidade com a vizinha Rússia cultivada por Alexander Lukashenko. O primeiro presidente bielorrusso e "último ditador da Europa", que governa a Bielorrússia com mão de ferro há mais de 25 anos e manda os opositores para a prisão, viu de súbito erguer-se a esposa de Sergei Tikhanovsky — que mandou prender para não concorrer em 9 de agosto.

Bielorrússia: 6º mandato do presidente

As sondagens mostram a adesão dos eleitores à mensagem patriota de Svetlana Tikhanovskaya, que defende a soberania nacional, a não-dependência da Rússia de Putin. Ela que começou como apoiante do marido, teve de assumir-se candidata quando Sergei Tikhanovsky foi preso em maio.

A professora recebeu incentivos de vários candidatos e apoiantes para concorrer contra Alexander Lukashenko. Sergei Tikhanovsky está desde maio na prisão, que é o destino de todos os opositores deste que — como diretor da maior empresa agrícola da URSS — foi um dos homens-fortes do regime soviético.

É a primeira vez que o primeiro presidente do país independente desde 1991 enfrenta uma concorrente. Em todas as eleições desde 1994, sempre enfrentou vários concorrentes — e sempre venceu com mais de 80 por cento dos votos válidos.

Paizinho dos bielorrussos

A super-sobrevivência de Lukashenko no poder explicar-se-á pela idiossincrasia dos bielorrussos, como teoriza o biógrafo Valery Karbalevitch, para quem o presidente longevo é um "refém" do sistema que ele próprio instituiu e que não conseguiu gerar um substituto. No entanto, há defensores da tese de que Lukashenko estará a planear manter-se no poder até 2034, ano em que o filho Nikolai atingiria a idade para ser candidato.

O sistema patriarcal instituído para dar segurança ao povo exigiu um presidente forte ao estilo soviético, segundo Karbalevitch.

Para manter essa imagem junto da população, o "Batka" — Paizinho — dos bielorrussos. recorreu aos métodos da antiga URSS. Um deles, é o dos Serviços Secretos, que continua a chamar-se KGB.

Outro, o da proximidade com as pessoas comuns, no seu dia a dia. Os media mostram-no frequentemente a trabalhar lado a lado com operários, agricultores, pescadores...

Em março foi filmado numa quinta a inspecionar o gado. Insatisfeito com o estado das centenas de bovinos, Lukashenko despediu vários funcionários de topo e demitiu o ministro da agricultura.

Melhor ser ditador que gay

O epíteto de "último ditador da Europa", ouvido em Bruxelas, tem um autor: Guido Westerwelle, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha.

Esse membro do governo de Merkel é o primeiro declaradamente gay e comentava em Bruxelas uma investigação sobre alegados atropelos aos Direitos Humanos na Bielorrússia.

A União Europeia discutia sobre a aplicação de mais sanções ao país e Lukashenko reagiu: "Melhor ser ditador que gay".

E se...

Se Svetlana Tikhanovskaya vender a eleição presidencial, o regime terá de mudar. Mas estarão os bielorrussos prontos para essa viragem súbita no domingo? 10 de agosto vamos ver.

Fontes: BBC/DW.

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