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Bielorrússia: Radiotelevisão pública em greve declara governo "ilegítimo" —Lukashenko admite partilhar poder mas nega repetir eleições 17 Agosto 2020

Os meios de comunicação entraram em greve esta segunda-feira, a pedir "o fim da censura" e a "mudança de regime" e Lukashenko cercado de operários aos gritos de "Sai!" disse: "Só se me matarem é que vai haver novas eleições". No fim de semana, personalidades mediáticas, da política e da TV, deixaram o país avisando a Lukashenko: "O fim é irreversível. O povo não vai perdoar".

Bielorrússia: Radiotelevisão pública em greve declara governo

Os bielorrussos saíram à rua desde domingo, 9, à noite e assim continuaram ao longo da semana culminando no domingo em uma grande manifestação que reuniu centenas de milhares a pedir novas eleições.

Mas os media controlados pelo governo omitiram a manifestação captada pelas agências estrangeiras (foto à esquerda) e deram grande destaque à manifestação de apoio ao presidente Alexander Lukashenko.

No sábado, Lukashenko afirmou aos seus milhares de apoiantes reunidos na Praça da Independência (que comemora o evento de 1991) que a Bielorrússia enfrenta "poderosos inimigos estrangeiros" e exortou o país "a continuar a lutar pela independência".

O primeiro e único presidente desde a independência disse que "ante a pressão vinda dos opositores, da UE e outras forças estrangeiras", que representam a "revolução colorida" que atinge as seis antigas repúblicas soviéticas, o seu homólogo russo, Vladimir Putin, lhe garantira "total ajuda(…) para defender a Bielorrússia" caso Lukashenko assim decidir.

No dia seguinte, o Kremlin afirmou que estava disponível para enviar apoio militar enquadrado no Tratado da União entre os dois países e na OTCS-Organização do Tratado da Segurança Coletiva que reúne seis antigas repúblicas soviéticas.

"Já ninguém gosta de nós, jornalistas"

A transmissão da manifestação de sábado por parte dos media estatais foi feita com truques de imagens para fazer parecer que eram muito mais os participantes, denunciaram vários jornalistas. Entre eles Tatiana, que no sábado se exilou na Ucrânia, e Yana, esta uma famosa da TV estatal.

"Já ninguém gosta de nós, jornalistas", disse Yana da STV à correspondente da BBC em Minsk. Ela recebeu mensagens a intimá-la a deixar o trabalho na televisão. Por isso, Yana decidiu sair "na esperança de poder regressar quando tudo mudar".

Segundo diversos testemunhos, a cobertura pela rádio, televisão e outros meios estatais "tem indignado a população que sabe e culpa os jornalistas por não dizerem a verdade", por repercutirem a propaganda do regime.

Mas Yana — que tinha acesso às conferências de imprensa na casa presidencial — recusa a acusação de propaganda e garante que ela procurou sempre ir em busca da verdade, fazer perguntas mesmo "inconvenientes".

Sobre o surgimento da candidatura de Svetlana, Yana considera que foi uma "verdadeira inspiração. Há poucos meses, estávamos todos certos de que Lukashenko ia ganhar, por falta de competição".
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Fontes: BBC/Le Monde/DW. Fotos (AFP/Reuters): "Novas eleições", pediram em Minsk no domingo, 16, numa das maiores concentrações da história da Bielorrússia. Na 2ªfª, 17, enquanto operários em greve gritavam "Sai" Sai", Lukashenko (assinalado com seta amarela) voltou a afirmar que vai dialogar para mudar a Constituição mas "só se me matarem é que vai haver novas eleições".

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