INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Birmânia: Indulto liberta jornalistas da Reuters, rohingyas protestam contra regresso negociado com autoridades do Bangladesh 09 Maio 2019

Os jornalistas Wa Lone, 33 anos, e Kway Soe Oo, de 29, condenados a sete anos por investigarem o genocídio do povo rohingya, deixaram na manhã desta terça-feira, 7, a prisão de Insein, perto da capital comercial burmesa, Yangon. Entretanto, os muçulmanos rohingyas manifestaram-se na fronteira Bangladesh-Birmânia, contra o regresso ao país de onde mais de 730 mil fugiram, para escapar aos massacres perpetrados por civis da maioria budista apoiados por militares do país de Aung San Suu Kyi.

Birmânia: Indulto liberta jornalistas da Reuters, rohingyas protestam contra regresso negociado com autoridades do Bangladesh

Detidos desde 2017 e condenados a sete anos "por posse ilegal de documentos oficiais", o último julgamento pelo Supremo – no mesmo mês, abril, em que ganharam o Pulitzer, o mais importante prémio de investigação em jornalismo — mantivera o veredicto contra os dois jornalistas da agência noticiosa britânica.

Agora um indulto do presidente Win Myint, em Naypydaw — que desde 2002 começou a ser planeada como capital, semelhante a Brasília —, libertou-os e a milhares de outros presos, por ocasião dos festejos do Ano Novo, iniciado em 17 de abril.

Wa Lone e Kway Soe Oo livres, e rodeados de flashes na antiga capital Yangon, disseram da sua gratidão para com "todos quantos durante mais de 500 dias lutaram" pela sua libertação. Entre eles, a famosa ativista Amal Clooney que a Reuters contratou para os defender e que desde há mais de um ano se desdobrou em declarações públicas repercutidas a nível global.

A advogada líbano-britânica esta terça-feira diz ter “esperança de que a sua libertação seja o sinal de um novo compromisso com a liberdade de expressão na Birmânia”.

Aung San Suu Kyi instada pelo SG da ONU prometeu organizar regresso dos mais de 730 mil rohingyas

A mais proeminente líder da Aliança Democrática — partido que co-fundou no regresso ao país natal em 1988, Nobel da Paz de 1991 e em prisão domiciliar de 1989 a 2010 (imposta pela ditadura militar iniciada em 1962) — foi muito criticada em 2017 por não ter de imediato condenado a perseguição aos rohingyas. A minoria muçulmana estabelecida por séculos em Rakhine, estado do oeste da Birmânia, vítima de genocídio desde agosto de 2017 tem vindo a refugiar-se no vizinho Bangladesh.

Quando enfim falou, Suu Kyi disse: “Lamentamos profundamente que civis tenham sido vítimas de violência” e “condenamos a violação dos direitos humanos dos rohingyas”.

“Estamos prontos” para organizar o regresso “começando pela identificação dos exilados, com vista ao seu regresso", afirmou Suu Kyi na televisão nacional.

O seu discurso muito aguardado chegara, dada a diferença horária de 10H30, poucas horas antes da assembleia-geral da ONU, de 17.9.2017, que ia tratar o tema, agendado a pedido da Inglaterra e da Suécia.

Esta terça-feira, os rohingyas protestaram em manifestação (foto à esquerda) contra a ‘deportação para a Birmânia. Consideram-se vítimas de genocídio (neologismo que foi usado pela primeira vez na Carta das Nações Unidas de 1948) e, sem garantias sobre a sua segurança, no país de onde continuam a fugir todos os dias, não querem a solução dada por Suu Kyi.

A líder da Aliança Democrática, partido vencedor das primeiras eleições na "República de Myanmar" (desde 1990, quando foi anulado o plebiscito em que obteve mais de 70%), afirma combater pela democracia no país e diz "não temer o escrutínio internacional" sobre si, considerando as suas ações à prova dos ataques que lhe retiraram alguns prémios internacionais, entre eles o ‘Liberdade de Edimburgo’, recebido em 2005 e retirado em 2018 “devido à sua reação ao massacre do povo rohingya”.

Mas a verdade é que ali quem continua a mandar são os militares, com o apoio da maioria da população. [N.R.: Myanmar é uma designação que o "Ocidente", designadamente UE e Estados Unidos, não reconhece preferindo-lhe "Burma" e Birmânia (e equivalentes, nas línguas europeias).]

Fontes: Reuters/DW.de/Le Monde

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project