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Boa Vista/Situação crítica no Bairro de lata de Boa Esperança: Jovens afetados pela pandemia exigem mais oportunidades de emprego e apoio por parte do Governo 16 Julho 2021

A situação é crítica no bairro de lata-papelão de Boa Esperança, na Boa Vista. Os jovens ouvidos pela reportagem do Asemanaonline lonçam o SOS, pedindo mais atenção e oportunidade de emprego na ilha, visto que, com a pandemia, grande parte dos funcionários dos hotéis se encontra no desemprego. Defendem que novas medidas devem ser tomadas para resolver esta situação e gerar oportunidades de empregos que não estejam ligados somente a nível o turismo.

Boa Vista/Situação crítica no Bairro de lata de Boa Esperança: Jovens afetados pela pandemia exigem mais oportunidades de emprego e apoio por parte do Governo

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a taxa de desemprego em Cabo Verde ronda os 14,5%, um aumento de 3,2% pontos percentuais em relação ao ano anterior, resultantes dos efeitos da pandemia de Covid-19. O estudo indica ainda que o mercado de trabalho perdeu 19.718 empregos, com a taxa de desemprego a aumentar de 11,3% para 14,5% e o país a ter uma população desempregada estimada em 31.724 pessoas.

Em 2020, as duas ilhas mais turísticas de Cabo Verde, Sal e Boa Vista, registaram uma taxa de desemprego de 19,5% e 18%, respetivamente.

Em conversa com o Asemanaonline, alguns jovens da Boa Vista, com destaque para os que viivem na bairro praticamente de lata e papeláo de Boa Esperança, alertam que estão a passar por momentos difíceis por conta da pandemia do novo coronavírus. Eles queixam-se da falta de emprego e de apoio por parte do Governo e enumeram as suas principais preocupações, que são muitas.

Para Bernardete Cardoso, natural da ilha de Santiago, mas que vive há dois anos na ilha da Boa Vista, o Governo deveria investir em políticas de auto-emprego com micro-créditos para fomentar projetos futuros. A fonte aponta alguns caminhos que "possa contornar a situação e motivar os jovens".

“Acredito que deveria ter linhas de crédito, mas sem muita burocracia, onde os beneficiários poderiam ter acesso com maior facilidade. Eu ando a constatar que muitos jovens tem grandes ideias de negócios, mas não têm condições financeiras para iniciar o seu negócio”, expressou Cardoso.

Já Vergini Varela, de 22 anos, também da ilha de Santiago, que está desempregada há cerca de um ano e meio por conta da pandemia de COVID-19, acredita que a questão do desemprego está numa fase muita crítica e por isso o Governo deveria tomar algumas atitudes.

“Deixo um apelo ao Governo no sentido de tomar medidas mais aceleradas para a retoma do turismo, porque na ilha da Boa Vista nós vivemos essencialmente do turismo e sem o turismo as coisas estão difíceis. Muitas pessoas que vivem aqui estão voltando para as suas ilhas porque não conseguem estar aqui sem condições. Penso que o Governo deveria fazer o possível para abrir todos os hotéis o mais rápido possível", salientou Varela.

Por outro lado, outros jovens que não quiseram ser identificados dizem que o primeiro emprego tem sido uma "grande" luta para a juventude, principalmente neste período de crise provocada pela pandemia. Corroboram a ideia de que uma forma de gerar empregos e alavancar a economia local é investir em outros sectores que não seja somente a nível do turismo.

Luciana da Cruz/Redação

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