CORREIO DAS ILHAS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Boa Vista em ebulição: Alunos e encarregados da educação ameaçam com manifestação por falta de professores e sindicalista questiona ministra da Educação 27 Novembro 2018

A ilha da Boa Vista está em ebulição por causa da grave situação por passa o ensino local. Por isso, alunos, pais e encarregados de educação ameaçam paralisar as aulas e partirem para manifestação pela ruas de Sal Rei, caso até esta quarta-feira,28, o Ministério da Educação (ME) não resolva os constrangimentos existentes. A par da falta de vários manuais a nível nacional, em causa está sobretudo a carência de professores para os diferentes níveis de ensino secundário na ilha. Diante dessa crise, um associado local do SINDEP ouvido por este jornal questiona onde se encontra a ministra da Educação Maritza Rosabal e o Governo de Ulisses Correia Silva.

Boa Vista em ebulição: Alunos e encarregados da educação ameaçam com manifestação por falta de professores e sindicalista questiona  ministra da Educação

O sistema de ensino público vai de mal a pior na ilha das Dunas. Alunos, docentes, pais e encarregados da educação denunciam estar descontentes com a falta de professores para os diferentes níveis da escolaridade e disciplinas no liceu na ilha. Diante da incapacidade do Ministério da Educação tutelada por Maritza Rosabal em resolver esse problema, ameaçam paralisar as aulas e partirem para uma manifestação pelas ruas da cidade de Sal-Rei. Isto caso até esta quarta-feira o ME não encontre uma solução para o caso em apreço.

Abel Silva Ramos, da direcção do liceu, confirmou à RCV que há ainda falta de professores de algumas das disciplinas nucleares, quando já falta menos de um mês para o fim do primeiro trimestre.

“Neste momento, temos o 3º ciclo sem Comunicação e Expressão, o 10º ano sem Física e duas turmas sem Inglês, e o 9º ano, algumas turmas também sem Inglês. Temos ainda algumas turmas do 7º sem Português e sem Físico-química”, precisou aquele responsável.

Segundo a mesma fonte citada pela Inforpress, a direcção da escola indicou que tem estado em premente contacto com delegado do Ministério da Educação e ao mesmo tempo a trabalhar com os alunos no sentido de evitar a paralisação das aulas.

Mas adiantou compreender a preocupação dos alunos, já que, segundo ele, o trimestre já vai longe, podendo os mesmos ficarem prejudicados, sobretudo os alunos que vão concluir o Ensino Secundário este ano - poderão sentir a falta das matérias nas provas de acesso.

“A direcção já contactou a delegada, que garantiu que tudo vai fazer para ter os professores na escola o mais breve possível. Por outro lado, estamos a tentar falar com os alunos, tentando convence-los a esperar mais um pouco enquanto tentamos solucionar esse problema”, disse.

Segundo a Inforpress, esta segunda-feira a direcção recebeu um grupo de pais e encarregados de educação, que demonstrou o seu descontentamento por consideram que os filhos estão em situação de desigualdade face aos alunos das outras ilhas e concelhos.

Na semana passada, o director-geral de Planeamento, Orçamento e Gestão do Ministério da Educação, José Marques, adiantou que o concurso para o recrutamento dos professores já estava concluído e que no momento estariam a iniciar o processo de colocação, pelo que, diz fonte referida, prevê a solução desse problema nos próximos dias.

Desorganização do ME e falta de manuais

Mas a desorganização do Ministério da Educação não fica por aí. Segundo um associado local do Sindicato Nacional de Professores (SINDEP), a par da falta de professores nas várias ilhas de Cabo Verde, há ainda um problema muito mais grave: a inexistência de vários manuais escolares para alunos.

«Esta situação está afectar sobretudo alunos do ensino básico, que estão a estudar em fichas fotocopiadas (custo fica maior para os pais) por falta de livros. Isto começa já a ter impacto negativo nos resultados escolares de muitos alunos em várias escolas do país», fundamentou.

Para o mesmo docente sindicalista, depois da grande falha registada com os erros cometidos na edição dos manuais escolares no ano passado, agora há o problema de falta de livros no mercado. Face a tudo isto, o interlocutor referido questiona onde se encontra a Ministra da Educação que tem a responsabilidade de gerir o sector de ensino, em sintonia com o chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva. Foto: Alunos do Liceu da Boa Vista em protestos em 2015 (Arquivo).

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade



Mediateca
Cap-vert

blogs

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project