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Bolsa de Cabo Verde prevê 10 vezes mais transações no mercado secundário com ‘masterplan’ 04 Outubro 2022

A Bolsa de Cabo Verde registou uma média de 45 transações anuais no mercado secundário entre 2018 e 2021 e prevê aumentar em 10 vezes com o primeiro ‘masterplan’ [plano principal] do mercado de capitais, disse hoje fonte oficial.

Bolsa de Cabo Verde prevê 10 vezes mais transações no mercado secundário com ‘masterplan’

A previsão foi feita em conferência de imprensa, na cidade da Praia, pelo presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC), Miguel Monteiro, para fazer o balanço da visita ao país de uma delegação do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que financia em 350 mil dólares (311 mil euros) o primeiro ‘masterplan’ do mercado de capitais do país.

Segundo o dirigente, entre 2018 e 2021, data da apresentação do projeto ao BAD, registou-se uma média anual de 45 transações no mercado secundário (em bolsa), envolvendo ações e obrigações, representando um volume médio anual de cerca de 257 milhões de escudos (2,3 milhões de euros).

Mas com a conclusão do primeiro ‘masterplan’, prevista para fevereiro/março de 2023, Monteiro prevê um aumento exponencial de transações em bolsa.

“No mínimo, e já estou a ser bastante simpático, 10 vezes mais. E mesmo 10 vezes mais, eu, enquanto presidente da Bolsa, não sairia satisfeito, mas estaríamos a pensar em muito mais transações num curto espaço de tempo”, prognosticou, destacando a importância de maior liquidez nos mercados secundário e monetário, através, por exemplo, dos ‘market makers’, que executam milhares de transações diárias nos mercados de capitais em outros países.

Entretanto, lembrou que neste momento Cabo Vede tem apenas quatro empresas cotadas na Bolsa (Banco Comércio do Atlântico, Caixa Económica de Cabo Verde, Enacol e Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos), número que a instituição pretende aumentar.

“Isso só pode acontecer quando há, efetivamente, maior liquidez, mais negócios, isso é que permite que haja alteração no mercado de capitais. Esse é que é o nosso objetivo, estamos convictos que vamos conseguir”, apontou Miguel Monteiro, esperando dentro de três a quatro anos estar em “outro nível” no mercado de capitais no país.

Entre 2018 e 2021, o presidente avançou ainda que houve 92 ordenas de compra/vendas por ano que não foram executadas por não haver vendedor/comprador disponíveis para negociar, num volume médio anual de cerca de 507 milhões de escudos (4,6 milhões de euros).

“Em suma, este projeto visa estimular o desenvolvimento de um mercado de capitais dinâmico, com impacto quer no financiamento do setor público como do privado”, completou o mesmo responsável, para quem vai permitir ainda alargar a base de investidores, diversificar produtos e serviços e ter um mercado de capitais mais fortalecido, e consequente crescimento económico.

De acordo com o dirigente, o projeto vai permitir consolidar o mercado doméstico e poderá ajudar a conquistar o mercado regional e internacional, oferecendo mais oportunidades às empresas, investidores, operadores e demais intervenientes do setor.

Além da elaboração do ‘masterplan’ para o mercado de capitais para os próximos 10 anos, o donativo do BAD vai ajudar ainda a bolsa a desenvolver uma infraestrutura tecnológica que estimule a liquidez do mercado secundário de títulos, ainda de acordo com o presidente.

“Estes dois instrumentos vêm dar resposta a grandes necessidades do nosso mercado de capitais”, frisou, dizendo, porém, que pode ser necessário um financiamento adicional por parte da Bolsa de cerca de cinco milhões de escudos (45 mil euros) para concluir o projeto.

O projeto de desenvolvimento do mercado de capitais em Cabo Verde é financiado pelo Fundo Fiduciário de Desenvolvimento de Mercados de Capitais, gerido pelo BAD, estando neste momento em fase de consultoria e de preparação para adjudicação da plataforma tecnológica.

Durante dois dias, esteve no país uma delegação daquela instituição financeira, liderada por Albin Kakou, do departamento de desenvolvimento e finanças, que manteve encontros com a bolsa, o Ministério das Finanças, o Banco Central, a Autoridade Geral do Mercado dos Valores Mobiliários (AGMVM) e um dos bancos comerciais da praça. A Semana com Lusa

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