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Bom resultado é manter maioria absoluta em Cabo Verde – Presidente do MpD 30 Mar�o 2021

O presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, afirma que um bom resultado nas eleições legislativas cabo-verdianas é manter a maioria absoluta, justificando que o país precisa de “estabilidade” na governação para lidar com as consequências da pandemia.

Bom resultado é manter maioria absoluta em Cabo Verde – Presidente do MpD

“Um bom resultado é ganhar com maioria absoluta, por duas razões. Cabo Verde precisa de estabilidade, política governativa, o parlamento é um elemento fundamental dessa estabilidade, segundo lugar nós estamos numa pandemia e numa situação de crise muito grave a nível mundial, mas que afeta também Cabo Verde”, afirma, em entrevista à Lusa, sobre as eleições legislativas de 18 de abril.

Nesse sentido, acrescenta, é preciso “governos estáveis que garantam as condições para que possam fazer aquilo que tem de ser feito relativamente à continuação das reformas, das proteções” e garantir a “necessária estabilidade” para governar.

Ulisses Correia e Silva, 58 anos, lidera o Movimento para a Democracia (MpD, maioria) desde junho de 2013 e venceu as eleições legislativas em Cabo Verde menos de três anos depois, assumindo desde então o cargo de primeiro-ministro.

Cabo Verde vive há um ano uma profunda crise económica, com a pandemia de covid-19 a fazer desaparecer o turismo, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto cabo-verdiano, devido às restrições nas viagens internacionais desde março de 2020.

“A pandemia tem várias consequências: económicas, sanitárias, sociais e políticas. Não é só em Cabo Verde, acontece um pouco por todo o mundo”, sublinha Ulisses Correia e Silva, licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa.

Segundo ainda a Lusa, o PM acrescenta que ao longo do último ano foi feito “o máximo de esforço” para “um bom combate” à pandemia, demonstrando à população que as “consequências são graves”.

“Fizeram com que muitas das nossas prioridades fossem desviadas em termos de atenção, de esforço, de investimentos, para fazer o que é melhor neste momento: Salvar vidas, proteger empregos, empresas, rendimentos, mesmo que tenhamos que sacrificar outras prioridades, como tivemos de fazer”, destaca.

Ex-presidente da Câmara Municipal da Praia, ex-secretário de Estado das Finanças e ex-ministro das Finanças, Ulisses Correia e Silva é quadro do Banco de Cabo Verde. Contudo, vai para a campanha eleitoral, que se inicia em 02 de abril, com a primeira prioridade definida: “Primeiro é continuar a salvar vidas”.

“A nossa prioridade, é termos 70% dos cabo-verdianos vacinados [contra a covid-19] durante este ano. É fundamental por motivos de saúde, por motivos económicos e para a normalidade da vida social que tanto precisamos”, aponta.

Depois, coloca a prioridade de “continuar a fazer a proteção do emprego, do rendimento, das empresas”, admitindo: “Ainda estaremos durante o ano de 2021 com consequências derivadas da estagnação e da contração económica”.

Superado o imediato, o terceiro objetivo assumido por Ulisses Correia e Silva é “relançar a economia”.

“Com um programa muito forte, que temos também em execução, mas que vamos reforçar de forma a colocar Cabo Verde no pós-pandemia no caminho certo e seguro para o desenvolvimento sustentável. Portanto, não iremos ficar apenas na gestão das emergências, que são necessárias e prioritárias, mas ao mesmo tempo fazer a ponte para o desenvolvimento sustentável e o alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável que nós estamos a perseguir”, acrescenta.

As eleições legislativas em Cabo Verde elegem a Assembleia Nacional, composta por 72 deputados eleitos por sufrágio universal, direto, através de círculos eleitorais, em cada ilha e na diáspora. Contudo, o país está cerca de 30 anos profundamente bipartidarizado, entre MpD, que tem atualmente uma maioria absoluta de 40 deputados, e o PAICV, que soma 29, além dos três eleitos da União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID).

Questionado pela Lusa sobre as diferenças para o principal partido da oposição, com quem alterna a governação desde as primeiras eleições livres, Ulisses Correia e Silva diz que entre MpD e PAICV “separa tudo”.

“As propostas não andam por si só, não têm vida própria. O grande problema é quem está por trás das propostas e ali temos toda a diferença, temos uma ideia do país diferente, nós somos por uma maior autonomia e empoderamento das pessoas, de maior liberdade económica também das pessoas, fazendo com que o assistencialismo não seja uma forma de vida e da perenização da pobreza”, aponta.

Diferenças que se estendem à economia, patentes ao longo da última legislatura, em que o Governo suportado pelo MpD abriu o país a privatizações e à concessão de serviços a privados, como os transportes, aéreos e marítimos, opções fortemente criticadas pelo PAICV.

“Nós acreditamos, incentivamos e estimulamos o investimento privado, não temos desconfianças ideológicas relativamente ao capital, o ‘grande capital’ e coisas do tipo que se ouvem lá fora, mas que se ouve aqui também, às vezes não se diz de forma tão sonante, mas há por dentro essa desconfiança do capital externo, do capital estrangeiro versus o capital nacional, sempre a criar ruturas e a colocar as pessoas em lados opostos”, acrescenta, rejeitando um país de “trincheiras”.

“Não é um problema de escrever coisas, porque até se pode tirar da Internet, do Google, e fazer um programa [eleitoral] todo. O problema é quem está por trás da execução, quem de facto encarna essas opções e quem dá confiança depois da sua execução”, critica.

Num contexto de crise profunda, as expetativas para a legislatura, são agora mais contidas. Ainda assim, Ulisses Correia e Silva diz esperar dentro de cinco anos um país com um “maior nível de patamar de desenvolvimento” e “com mais oportunidades de emprego”.

“É a nossa prioridade absoluta, particularmente para a juventude, um país mais empreendedor, com menos pobreza e que crie condições de progresso social e económico para as pessoas e para as famílias. Ir subindo os degraus que fazem com que as pessoas tenham autonomia e o destino das suas vidas”, define o presidente do MpD segundo a Lusa.

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