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Boss do BAD em apuros — Tesouro dos EUA quere-o investigado 01 Junho 2020

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, alvo de acusações de "impunidade e má gestão" — por parte de elementos da sua própria equipa, sob anonimato — foi ilibado por um inquérito interno. Mas o Tesouro dos Estados Unidos, o segundo mais importante acionista do BAD, quer uma investigação independente.

Boss do BAD em apuros — Tesouro dos EUA quere-o investigado

Segundo a BBC de hoje (domingo, 31) um grupo de funcionários do BAD denunciou os "conflitos de interesse" de Adesina "ao lidar com empregados", "conduta anti-ética e tratamento preferencial". Estas acusações constam dum email dirigido em janeiro aos diretores-executivos Yano Takuji, japonês, e Steven Dowd, americano, e ao diretor de Integridade e Anti-Corrupção Alan Bacarese, britânico.

A denúncia foi tratada pela instituição que reúne todos os bancos centrais do continente e entidades como o Tesouro dos Estados Unidos. Mas o resultado não agradou ao grupo de denunciantes: voltaram à carga em abril quando a comissão de Ética liderada pelo diretor Takuji relatou que Adesina "é totalmente inocente de todas as alegações feitas contra ele" e pediu às chefias para agirem em consequência com essa conclusão.

O presidente do CA do BAD, o ministro do Planeamento da Costa do Marfim, Nialé Kaba, disse em carta do início de maio aos acionistas que os supervisores do BAD — que são os ministros das Finanças dos 54 países africanos — consideraram Adesina inocente.

Foi a esta carta que o secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos, Steve Mnuchin, reagiu expressando "o receio de que tratar todas as alegações como sem fundamento sem uma prévia investigação adequada é um passo que só mancha a reputação desta instituição" (BAD/AfDB).

"A intervenção de Mnuchin é significativa porque faz incidir uma nova luz nas questões da governação e na investigação independente para manter a integridade do BAD", afirmou à BBC a principal economista do BAD na Nigéria, Barbara Barungi que acrescentou: "Pouca gente atreve-se a pôr o pescoço a descoberto", ou seja a enfrentar as consequências de uma investigação imparcial.


Adesina defende-se. Mas vai haver 2ª investigação

Em comunicado, o visado Adesina declarou: "Não obstante as tentativas extraordinárias de alguns para manchar a minha reputação e prejudicar a atividade gestionária do BAD, mantenho a minha inocência relativamente às alegações que de modo injusto tentam destruir a minha honra e integridade", escreveu.

Em setembro, Adesina concorre para mais um mandato no BAD. "Vai concorrer com essa suspeita sobre ele, mas estou certo de que ele vai ser ilibado na investigação", disse, sob anonimato, um amigo dele à BBC.

Mas nesta terça-feira a reunião do conselho de administração do BAD mostrou uma divisão muito clara entre os membros africanos e os demais membros, que decidiram autorizar uma nova investigação — com a Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia a apoiarem a posição dos Estados Unidos.

81 membros: 54 africanos e 27 de fora

Os dez maiores acionistas perfazem mais de metade (53,6%) do capital do BAD. Nigéria: 9,1%. EUA: 6,5%. Egipto: 5,5%. Japão: 5,4%. África do Sul: 4,9%. Argélia: 4,1%. Alemanha: 4%. Canadá: 3,8%. Costa do Marfim: 3,7%. França: 3,6%.

Concorreu ao BAD contra ministra cabo-verdiana das Finanças

O economista Adesina assumiu o cargo no BAD/AfDB em 2015, após um concurso renhido em que defrontou na final a ministra cabo-verdiana das Finanças, Cristina Duarte.

Fontes: Referida/Bloomberg/Arquivos. Foto (Getty): Os fatos "distintivos" — de bom corte e bom gosto, além de caros — que Adesina veste não passam despercebidos: são objeto de comentários em vários ’media’ internacionais.

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