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Brasil: 156.061 casos e 10.656 óbitos oficiais "podem ser 10, 15, 20 vezes mais" — São Paulo prolonga emergência até dia 31 10 Maio 2020

Mesmo com poucos testes, o país de 210 milhões continua a ser o mais afetado pelo coronavírus na região latino-americana e é o sexto mundial. Peritos preveem que em junho o Brasil será o novo epicentro mundial da Covid-19.

Brasil: 156.061 casos e 10.656 óbitos oficiais

Em quatro semanas aumentou, segundo o Ministério da Saúde, em vinte vezes o número de contágios e óbitos no maior país da Lsofonia: de 6 mil casos e 248 óbitos em 10 de abril para mais de 156 mil e mais de 10 mil óbitos hoje (domingo, 10).

Os números alarmantes podem ainda ser piores, segundo a comunidade científica mundial. Peritos do instituto Pasteur, ouvidos pelo Le Monde esta semana, apontam o baixo número de testes como um indicador de que os atuais 156.061 casos e 10.656 óbitos oficiais "podem ser 10, 15, 20 vezes mais".

O Brasil apenas realiza 1.597 testes por milhão de habitantes, bastante abaixo dos 32.891 e 21 mil da Alemanha e França respetivamente, 52 mil da Itália e 43 mil da Espanha. Na América Latina, por exemplo, a República Dominicana, Uruguai e Venezuela contam respetivamente 3.742, 7965 e 18.012 testes. Em Cabo Verde esse indicador é de 1.423 testes por milhão de habitantes.

"Estamos habituados ao descaso do Estado"

Bolsonaro disse em março (e repeti-lo-ia, desde então) que a Covid-19 "não passa de um resfriadinho". Foi então que os habitantes das zonas deprimidas onde habita quase um terço dos brasileiros, incluindo os 13 milhões das favelas, viram que tinham de se organizar para combater o vírus.

Segundo reportagens da Reuters, Lusa, RTP e do francês Le Monde, em março e abril, os residentes em favelas de São Paulo e Rio, os mais atingidos pela pandemia, organizaram-se em várias frentes. A primeira foi a distribuição de alimentos a idosos, doentes e carenciados.

O ’Comité Popular de Enfrentamento à Covid-19’ foi criado ante a constatação de que "as maiores vítimas desta pandemia vão ser os mais pobres", porque "têm pouca ou nenhuma informação efetiva", segundo disse Cláudio Aparecido da Silva, da comunidade Monte Azul, a sul de São Paulo.

"O nosso grande temor" na carioca Cidade de Deus "é a falta de saneamento básico", disse o morador Jota Marques à Lusa, em março. A favela não tem água canalizada. A situação repete-se no Complexo do Alemão, também no Rio de Janeiro.

Além dessa frente humanitária, conduzida por pessoas comuns que se erguem de entre os moradores, há outra frente que se mobilizou no interior das favelas, entre elas a maior favela do Rio, a Rocinha (foto) para ajudar a travar a propagação da pandemia .

É a dos "grupos criminosos" que "impõem um toque de recolher obrigatório", que começa às 20 horas.

Fontes referidas. Foto: Favela da Rocinha, com cerca de 100 mil habitantes. Em segundo plano, edifícios residenciais do bairro nobre de São Conrado.

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